De acordo com dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (ELSI-Brasil), noticiados pelo Governo Federal, mais de 36% dos brasileiros acima dos 50 anos convivem com dores crônicas. A pesquisa mostra ainda que esse tipo de dor é mais frequente entre mulheres, pessoas com artrite, dores nas costas ou na coluna, quadros depressivos e histórico de hospitalizações e quedas.
Em consonância, o artigo "The association between chronic pain and obesity", publicado pelo PMC PubMed Central, aponta que a obesidade é uma condição comum entre pessoas que vivem com dor crônica. O estudo indica que indivíduos com dor generalizada costumam apresentar maior percentual de gordura corporal e menor massa magra em comparação àqueles que não relatam dor. Entre mulheres com fibromialgia, mais de 60% estão ao menos com sobrepeso, e 32,2% já se enquadram na faixa de obesidade.
O Dr. Erico Filev Maia, médico e mestre em Saúde Pública que atua com manejo clínico de dor crônica, explica que a composição corporal, especialmente a proporção entre massa gorda e massa magra, exerce influência multifacetada na saúde musculoesquelética e na percepção da dor.
"Estudos demonstram que a quantidade de gordura corporal é um indicador de risco mais preciso para dor musculoesquelética do que o Índice de Massa Corporal (IMC) isoladamente. Mecanicamente, o excesso de gordura aumenta a carga sobre as articulações de sustentação, como joelhos, quadris e coluna, alterando a biomecânica e acelerando o desgaste articular", afirma.
O médico ressalta ainda que o tecido adiposo é um órgão endocrinologicamente ativo e que, em excesso, libera substâncias pró-inflamatórias na corrente sanguínea. Segundo ele, essa inflamação crônica de baixo grau pode sensibilizar o sistema nervoso, reduzir o limiar de dor e fazer com que estímulos normalmente indolores passem a ser percebidos como dolorosos, além de intensificar dores já existentes.
Sobrecarga mecânica e perda de massa muscular
De acordo com o Dr. Erico Filev Maia, o acúmulo de tecido adiposo contribui para o aumento da sobrecarga mecânica de forma direta e indireta. Diretamente, cada quilo de peso corporal extra pode impor uma força de quatro a seis vezes maior sobre as articulações dos joelhos durante atividades como caminhar ou subir escadas. Essa carga excessiva e contínua, explica o profissional, pode acelerar a degeneração da cartilagem, aumentar a pressão intra-articular e provocar alterações estruturais nos ossos e ligamentos. Indiretamente, o excesso de gordura está frequentemente associado à menor massa muscular relativa, condição conhecida como obesidade sarcopênica.
"A musculatura perde parte da sua capacidade de estabilizar as articulações e absorver o impacto, transferindo uma carga ainda maior para as estruturas articulares e a coluna vertebral. Isso cria um ciclo vicioso: a sobrecarga gera dor, a dor leva à inatividade, e a inatividade contribui para a perda de massa muscular e o ganho de gordura, perpetuando e agravando o problema", detalha.
Segundo o Dr. Erico Filev Maia, meta-análises confirmam associações positivas e significativas entre o aumento da gordura corporal e a prevalência de dor generalizada, dor lombar e dor no joelho.
"A dor vai além das articulações de carga; a associação entre gordura corporal e dor em articulações não sustentadoras, como as das mãos, também está presente em grande parte dos pacientes", conforme explica o médico. "O excesso de peso acelera a progressão de doenças como a osteoartrite, não apenas pelo estresse mecânico, mas também pela inflamação que degrada a cartilagem", acrescenta.
Inflamação sistêmica e amplificação da dor
Os processos inflamatórios sistêmicos associados à adiposidade elevada desempenham papel central na intensificação da dor crônica, conforme destaca o médico. Segundo ele, o tecido adiposo, especialmente o visceral, que fica localizado ao redor dos órgãos, não atua apenas como reserva de energia, mas também como órgão metabolicamente ativo.
"Ele é responsável pela produção de substâncias pró-inflamatórias. Em situações de excesso de gordura corporal, a liberação desses mediadores aumenta de forma significativa, favorecendo um estado persistente de inflamação sistêmica de baixo grau", observa o Dr. Erico Filev Maia.
Esse estado inflamatório afeta diretamente o sistema nervoso, tornando os receptores mais sensíveis e alterando a forma como o cérebro processa a dor. Estímulos antes inofensivos passam a ser percebidos como dolorosos, em um processo conhecido como sensibilização central. "Como consequência, a dor se intensifica e pode se tornar crônica, agravando quadros como osteoartrite, fibromialgia e lombalgia", enfatiza.
Tratamento exige abordagem individualizada e multidisciplinar
Uma das intervenções mais eficazes para a redução da dor é o emagrecimento, que deve sempre ser orientado por uma equipe de profissionais, alerta o Dr. Erico Filev Maia. Segundo ele, cada caso envolve uma combinação única de fatores que contribuem tanto para a dor quanto para o excesso de peso. Uma avaliação detalhada permite identificar a predominância de fatores mecânicos ou inflamatórios, a presença de comorbidades (como diabetes, hipertensão ou síndrome metabólica), o estado da massa muscular, as capacidades funcionais e as condições intrínsecas de cada indivíduo.
"A avaliação individualizada possibilita a personalização do plano terapêutico, com metas realistas e seguras, otimizando os resultados na redução da dor e na melhora da função, além de aumentar a adesão do paciente ao tratamento em longo prazo", analisa.
O médico ressalta ainda que o sucesso terapêutico é raramente alcançado com uma única intervenção. A atuação conjunta de médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos é fundamental para abordar todas as dimensões do problema.
"Além disso, a prática regular de atividade física não deve ser vista apenas como aliada da perda de peso, mas como pilar central no manejo da dor, na preservação da massa muscular e na prevenção da recorrência do ganho de peso", conclui o Dr. Erico Filev Maia.
Para mais informações sobre o Dr. Erico Filev Maia, basta acessar: https://drericofilevmaia.com.br/


