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Bibliotecas comunitárias recebem novo acervo de livros

Bibliotecas comunitárias recebem novo acervo de livros
Bibliotecas comunitárias recebem novo acervo de livros

Em 2026, as 102 bibliotecas comunitárias da Vaga Lume, presentes em 23 municípios dos sete estados da região Norte, voltam a receber caixas que carregam muito mais do que livros. O novo acervo que chega às comunidades da Amazônia Legal amplia o acesso à leitura para crianças e adolescentes e reafirma o compromisso com a leitura como direito, pertencimento e transformação.

A curadoria do novo acervo foi conduzida por uma equipe especializada em literatura infantojuvenil. O processo teve início com a pesquisa de mais de 500 obras, todas lidas e avaliadas com base em critérios literários, estéticos e culturais, considerando qualidade, adequação às diferentes faixas etárias e relevância temática.

A esse olhar técnico somou-se a escuta qualificada do território: os educadores da Vaga Lume, que acompanham as bibliotecas por meio de monitoramentos contínuos, contribuíram trazendo as percepções e demandas de educadores regionais, comunitários e pessoas voluntárias, além das próprias crianças e adolescentes. A articulação entre especialização técnica e escuta das comunidades contribuiu para uma seleção alinhada às realidades locais.

O resultado é um acervo com diferentes títulos que reúne narrativas tradicionais da floresta e histórias de diversas regiões do Brasil e do mundo, com textos de autores nacionais e estrangeiros apresentados em múltiplas linguagens e formatos — como poesia, livros-imagem, histórias em quadrinhos, obras apenas em texto e publicações artesanais e independentes —, contemplando desde livros para a primeira infância, contemplando bebês e crianças, até livros para as juventudes com títulos informativos e de não ficção, abrindo espaço para temas urgentes, assuntos sensíveis, narrativas bem-humoradas e múltiplas representatividades.

Essa pluralidade tem como base o conceito de bibliodiversidade na seleção dos livros. A proposta é que os títulos selecionados permitam que crianças e jovens encontrem espelhos, ou seja, narrativas nas quais possam se perceber, se identificar e também serem provocados pelo estranhamento necessário para olhar para si mesmos, para os outros e para tudo o que os cerca. "Quando garantimos a diversidade de vozes e experiências nos livros, ampliamos não apenas os repertórios à compreensão sobre o mundo. A leitura é uma das estratégias que permite o encontro entre culturas, saberes, fazeres por meio de seu acesso", diz Beto Silva, especialista em formação de leitores, promotores de leitura e líder em metodologia da Vaga Lume.

Desde 2001, a organização atua na constituição e no fortalecimento de bibliotecas comunitárias em territórios rurais, ribeirinhos, quilombolas e indígenas na região Amazônica, onde o acesso ao livro ainda é um desafio estrutural. A atualização periódica dos acervos faz parte de uma metodologia que entende a leitura como prática viva, conectada às transformações culturais e aos interesses das novas gerações.

Em um contexto de desigualdade no acesso à leitura no país, a iniciativa destaca a importância de ações contínuas, como a manutenção de bibliotecas, a formação de mediadores e a atualização de acervos.

A educadora e neuropsicopedagoga Suelen Araújo conta que, nas comunidades, a chegada dos livros é muito celebrada. "As crianças, as juventudes e as pessoas na comunidade se reúnem para abrir as caixas, folhear as novidades e escolher o próximo empréstimo. O gesto de levar um livro para casa é também a construção de um espaço íntimo de descoberta. Em regiões onde o acesso à internet pode ser instável e a oferta cultural é limitada, o livro físico mantém uma força singular: circula de mão em mão, atravessa gerações e cria memórias afetivas", pontua.

Ao renovar suas estantes em 2026, a Vaga Lume reafirma que cada livro entregue é uma semente plantada. "E, como toda semente, seu crescimento depende de tempo, atenção e comunidade. Em um mundo de transformações aceleradas, apostar na leitura segue sendo uma das formas mais consistentes de escrever o futuro, página por página", finaliza a educadora.

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

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