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Especialistas debatem futuro do turismo de saúde brasileiro

Especialistas debatem futuro do turismo de saúde brasileiro
Especialistas debatem futuro do turismo de saúde brasileiro

O Brasil segue de perto os Estados Unidos quando o assunto é número de cirurgias estéticas realizadas anualmente e disponibilidade de cirurgiões qualificados para executar esses tratamentos. Contudo, diante da disparidade entre a cotação das duas moedas — na cotação atual, o dólar tem valor cinco vezes maior que o real —, os procedimentos feitos com profissionais brasileiros podem ter custo menor. Diante disso, o Brasil tem se tornado referência no turismo de saúde global, mas esse tipo de atendimento ainda responde por menos de 10% da carteira de pacientes das clínicas nacionais, segundo um levantamento inédito feito pela Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS) com cirurgiões, gestores de clínicas e equipes assistenciais de todo o país.

"Temos uma capacidade técnica muito grande, mas ainda esbarramos em dificuldades estratégicas e estruturais de outros setores relacionados. No que diz respeito a cirurgiões, instituições e corpo clínico, os grandes centros brasileiros estão prontos para receber esses pacientes", pontua o cirurgião e diretor-presidente da BAPS, Eduardo Ferro. É justamente com o objetivo de debater esses obstáculos e o futuro do Brasil como um dos destinos buscados por quem pretende se submeter a procedimentos cirúrgicos que a associação realiza em Goiânia o BAPS Summit Turismo de Saúde 2026, entre os dias 9 e 11 de abril.

Como destaca o cirurgião Marcio Wallace, coordenador de gestão da BAPS, reunir tantos profissionais brasileiros para debater o cenário do turismo médico se tornou uma necessidade. "Um encontro como este é o primeiro passo para transformar a excelência individual dos médicos cirurgiões brasileiros em estratégia coletiva, com protocolos, certificações e uma narrativa internacional que faça jus ao que já entregamos dentro do centro cirúrgico", ressalta.

Potencial do turismo de saúde brasileiro

Os dados apurados pela BAPS mostram que cada paciente estrangeiro gera um impacto econômico total que gira entre R$ 80 mil e R$ 170 mil quando somados cirurgia, hospedagem, transporte e cuidados pós-operatórios. Em média, esses pacientes permanecem entre 15 e 30 dias no Brasil, vindos principalmente dos Estados Unidos, Portugal e Europa. Em sua maioria, são brasileiros que passaram a residir em países estrangeiros e aproveitam a familiaridade com a língua e o poder de compra de moedas estrangeiras para voltarem ao país e realizarem procedimentos e tratamentos, caracterizando um fenômeno chamado de "migração reversa".

"Outros países vistos como destino do turismo de saúde já enxergaram essa posição estratégica e se estruturaram há alguns anos. Mas o Brasil continua operando sem uma jornada de paciente definida e que inspire confiança a quem está do outro lado do mundo. Esse debate é fundamental para que o Brasil ocupe a posição que merece", pontua o cirurgião Armando Teixeira, especialista em tecnologias de retração de pele, que é associado da BAPS e está atuando como embaixador do Summit para receber os profissionais vindos de outros estados.

Contudo, o cenário ainda esbarra em alguns obstáculos, especialmente no que diz respeito à procura por pacientes nativos de outros países. Como aponta a pesquisa, a fragmentação da jornada do paciente, necessidade de investimento do poder público local e qualificação da rede hoteleira ainda impedem o país de competir de igual para igual com outros destinos como Turquia, Tailândia e México no mercado global de turismo médico.

Um cenário a ser debatido

Porém, embora reúna condições para liderar o turismo de saúde estético global, com o segundo maior número de cirurgiões em atividade no ranking global, conforme mostra o relatório da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), existem pontos legais que precisam ser observados.

Como explica o advogado David Castro Stacciarini, consultor jurídico da BAPS, entre os principais estão o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) na língua do paciente estrangeiro, a documentação do follow-up pós-operatório depois que esse paciente retorna a seu país de origem, e informações jurídicas sobre celebração de contrato bilíngue e recebimento em moeda estrangeira.

"A responsabilidade civil não muda pelo fato de o paciente ser estrangeiro; o que muda é a complexidade prática. Por exemplo, o consentimento informado precisa ser redigido no idioma do paciente ou, no mínimo, com tradução certificada, sob pena de se questionar a higidez da manifestação de vontade. Um TCLE em português assinado por paciente que não fala português é, na prática, papel sem valor probatório", alerta o especialista.

Além disso, o cirurgião Ícaro Samuel, diretor de planejamento da BAPS, reforça a responsabilidade dos profissionais no pós-operatório. "Precisamos lembrar que, quando um paciente vem do exterior para ser operado aqui e volta para casa poucos dias depois, a responsabilidade do cirurgião não termina na sala de cirurgia. Precisamos debater todos os aspectos relacionados à continuidade do cuidado com esse paciente. Por tudo isso, esse encontro é fundamental para que o turismo de saúde brasileiro cresça com segurança, tanto para o paciente quanto para o médico", afirma.

Esses e outros aspectos fundamentais para a evolução do turismo de saúde brasileiro serão debatidos por especialistas e profissionais de todo o Brasil ao longo de três dias no Transamerica Collection Goiânia, com programação diária das 8h às 18h.

Sandro Peixoto

Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

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