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NR-1 transforma saúde mental em risco estratégico

NR-1 transforma saúde mental em risco estratégico
NR-1 transforma saúde mental em risco estratégico

A entrada em vigor da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a exigir a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, está reposicionando a saúde mental como um tema central na agenda de negócios das empresas. Mais do que uma obrigação regulatória, a norma inaugura um patamar de responsabilidade corporativa — com impactos diretos em produtividade, custos e reputação.

"A NR-1 está sendo tratada por muitas empresas como mais uma obrigação de compliance, quando, na prática, ela é uma agenda de negócio", afirma Alline Benfatti, líder de Forensic, Integrity & Dispute Services (FIDS) da Grant Thornton Brasil. "Estamos falando de gestão de risco reputacional, de produtividade e de custo. Ignorar isso hoje é assumir um risco estratégico", acrescenta.

Riscos invisíveis, impactos concretos

Diferentemente dos riscos físicos tradicionalmente associados à segurança do trabalho, os riscos psicossociais são mais difíceis de identificar — e, justamente por isso, mais perigosos. Eles envolvem fatores como metas excessivas, jornadas prolongadas, ausência de suporte, assédio e conflitos interpessoais, podendo gerar estresse, ansiedade, depressão e burnout. Além do impacto humano, esses fatores têm efeitos diretos no desempenho das organizações, com aumento do absenteísmo, rotatividade e perda de produtividade. "O maior erro é tentar tratar esse tema com a lógica tradicional de risco. O risco psicossocial é multifatorial, invisível e profundamente ligado à cultura e à liderança", explica Alline.

O risco do "compliance de fachada"

Um dos principais alertas levantados é a existência de um "teatro de compliance" nas empresas — estruturas formais que não se traduzem em prática real. Segundo a especialista, o risco atual não é apenas não estar em conformidade, mas aparentar estar — sem efetividade. "Hoje, ter um programa bonito no papel não protege a empresa. Pelo contrário, pode aumentar a exposição em auditorias e na percepção de mercado", destaca Alline. "O risco reputacional de um compliance ineficaz é muito maior", completa.

Liderança e dados no centro da transformação

Outro ponto central é que a gestão de riscos psicossociais não pode ser centralizada em uma única área, como RH ou compliance. A norma exige uma abordagem transversal, com envolvimento direto da liderança. Isso porque, na prática, são os líderes que definem os principais vetores de risco — como metas, pressão, autonomia e clima organizacional. "A liderança é o maior fator de risco — ou de solução. Sem trabalhar esse ponto, qualquer iniciativa tende a ser superficial", diz a especialista. Além disso, ela ressalta que as empresas já possuem dados relevantes para iniciar essa gestão — como indicadores de turnover, absenteísmo, canais de denúncia e pesquisas de clima —, mas ainda falham em conectá-los e interpretá-los de forma estratégica.

De obrigação legal a diferencial competitivo

Embora a norma represente um desafio relevante, o Guia Prático da Grant Thornton aponta que sua implementação também abre espaço para ganhos concretos. Entre os principais benefícios estão reduzir passivos trabalhistas — em um cenário que registrou mais de 2,1 milhões de novas ações em 2024 —, além do fortalecimento da cultura organizacional e melhora do ambiente de trabalho. A adequação à NR-1 também pode contribuir para a obtenção do Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, previsto na Lei 14.831/24, reforçando a reputação e a atratividade das organizações. "A empresa que consegue estruturar bem essa agenda não só reduz risco, como melhora engajamento, produtividade e posicionamento de marca. Isso vira vantagem competitiva", pondera Benfatti.

O tempo de adaptação já começou

A nova NR-1 entrou em vigor em maio de 2025, com um período inicial de caráter educativo. A partir de 2026, a fiscalização passa a incluir autuações e penalidades para empresas que não estiverem em conformidade. Para Alline, o momento atual é decisivo para as organizações que querem sair na frente. "Ninguém está completamente pronto, mas o erro hoje não é esse — é não ter começado", frisa. "A NR-NR-1 vai acelerar a maturidade das empresas, como vimos com outras regulações. Quem utilizar esse momento para estruturar bem a agenda vai ganhar vantagem nos próximos anos", conclui.

Sandro Peixoto

Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

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