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Turismo sem alma

buzios-geriba

Por José Carlos Alcântara
“O que pode ser pior: não divulgar, omitir e encobrir, ou ignorar um povo que vê e não liga?”

buzios-geribaA ocupação urbana de Búzios, não priorizou a sua população residente nem houve um planejamento do desenvolvimento da sua atividade turística, que se encarregou de encampar os empreendimentos imobiliários e comerciais nos locais mais nobres da cidade.

Espaços que seriam de uso público, com a falta de urbanização das ruas, calçadas e praças, foram ocupados diante das vistas grossas do poder, com atividades comerciais impróprias a espaços públicos. Búzios priorizou o turismo como a sua principal vertente econômica, graças ao potencial de seus belos recursos naturais.

Essa atividade movimenta a economia local e é o único fator de desenvolvimento da cidade, para a geração de empregos, para o aumento de renda e para a arrecadação de tributos. Entretanto, a exploração das atividades voltadas para o turismo, sempre foi guiada pela iniciativa dos empresários e não pela lógica do planejamento, do desenvolvimento econômico sustentável e da inclusão social.

Para o contexto sócio-cultural e ambiental, os efeitos e os reflexos da evolução ‘espontânea’ do turismo foram incisivos e muito perniciosos. Mas, suas causas nunca foram claramente identificadas como ‘inerentes’ à atividade turística. Essa ocupação escolheu a orla das praias e privilegiou as áreas dos lotes mais nobres, formando um paredão intransponível para as águas das chuvas e para o olhar, sem haver limites lógicos ou ecológicos, repetindo um modelo ultrapassado e comprovadamente auto-degenerativo, que é rejeitado pela demanda do turismo em busca da originalidade de lugares íntegros.

A organização do turismo é dependente de diversos níveis de decisão: do poder público, da iniciativa privada, das entidades de classe e outros setores que não são facilmente coordenáveis. Cada uma dessas entidades representativas deve promover ações interagindo entre si, em função de objetivos comuns – e não com cada um puxando a brasa para sua sardinha – prescindindo de uma participação entre uns e outros, ao criar uma estrutura administrativa instável, que é amadora e improvisada.

As únicas regras e ações que não deveriam ser variáveis, seriam as do poder público. A orientação para o sistema funcionar e o freio de qualquer ação mal orientada, deveria ser pública. Mas, não é o que ocorre aqui. A gestão pública do turismo, deveria estar afeta à tarefa da administrar os fatores ambientais e sobre as condições pelas quais as empresas turísticas prestam seus serviços, incluindo incentivos, a coordenação, o controle, a concessão de licenças, as autorizações e as facilidades para o exercício dessa atividade. Fornecer meios e estabelecer as normas para organizar o turismo é um dever do poder público.

A execução do Plano Diretor do Desenvolvimento Turístico de Búzios, promoveria uma organização espacial urbanística e a implantação da infraestrutura adequada de suporte à essa atividade. O turismo receptivo une o turista a uma cidade, para viver, participar e se inter-relacionar ativamente com uma localidade visitada; descansando, se divertindo e crescendo como um participante que ensina e aprende com seus moradores.

A integridade de uma cidade, a sua originalidade e suas diversas formas de manifestação cultural, formam a base dos atrativos que motivam uma visitação e dão a personalidade: a alma da destinação turística. O modelo adotado de um desenvolvimento ‘espontâneo’ de ocupação, com esta descaracterização paisagística como foi permitida por Búzios, é o mesmo de outras destinações que viram o turismo destruir seus sonhos mais nobres, enchendo-as de vulgaridade e insegurança.

Enquanto os cidadãos, os administradores e os boêmios dormiam, a voracidade dos especuladores devorou e depreciou sua paisagem, sem que nada fosse feito para impedir isso. Pelo contrário, cada vez mais se oferecia como um prêmio, convites para se estabelecer e lhe corroer a alma.

O problema que a sociedade tenta hoje explicar e reverter, tem origem numa visão descompromissada com a cidade, com o cidadão e a negação da possibilidade dele exercer a sua cidadania. Búzios inchou-se e desqualificou-se com a ocupação desordenada. Ações públicas agora se voltam para tentar superar as deficiências nos serviços, isto é, para os efeitos, mas não as causas dos seus problemas urbanos.

Se o turismo é a vertente que potencializa sua economia, deve ser organizado de forma a oferecer as condições, com uma constante preocupação com todos que dela participam e concorrem para valorizar a sua sustentabilidade ambiental, da qual a própria atividade empresarial depende e necessita para poder prosperar.

*José Carlos Alcântara é consultor empresarial e Assessor da Presidência da ACRJ Associação Comercial do Rio de Janeiro

Leia todos os artigos de José Carlos Alcântara no link abaixo

https://prensadebabel.com.br/index.php/jose-carlos-alcantara/

Turismo sem alma

buzios-geriba

Por José Carlos Alcântara
“O que pode ser pior: não divulgar, omitir e encobrir, ou ignorar um povo que vê e não liga?”

buzios-geribaA ocupação urbana de Búzios, não priorizou a sua população residente nem houve um planejamento do desenvolvimento da sua atividade turística, que se encarregou de encampar os empreendimentos imobiliários e comerciais nos locais mais nobres da cidade.

Espaços que seriam de uso público, com a falta de urbanização das ruas, calçadas e praças, foram ocupados diante das vistas grossas do poder, com atividades comerciais impróprias a espaços públicos. Búzios priorizou o turismo como a sua principal vertente econômica, graças ao potencial de seus belos recursos naturais.

Essa atividade movimenta a economia local e é o único fator de desenvolvimento da cidade, para a geração de empregos, para o aumento de renda e para a arrecadação de tributos. Entretanto, a exploração das atividades voltadas para o turismo, sempre foi guiada pela iniciativa dos empresários e não pela lógica do planejamento, do desenvolvimento econômico sustentável e da inclusão social.

Para o contexto sócio-cultural e ambiental, os efeitos e os reflexos da evolução ‘espontânea’ do turismo foram incisivos e muito perniciosos. Mas, suas causas nunca foram claramente identificadas como ‘inerentes’ à atividade turística. Essa ocupação escolheu a orla das praias e privilegiou as áreas dos lotes mais nobres, formando um paredão intransponível para as águas das chuvas e para o olhar, sem haver limites lógicos ou ecológicos, repetindo um modelo ultrapassado e comprovadamente auto-degenerativo, que é rejeitado pela demanda do turismo em busca da originalidade de lugares íntegros.

A organização do turismo é dependente de diversos níveis de decisão: do poder público, da iniciativa privada, das entidades de classe e outros setores que não são facilmente coordenáveis. Cada uma dessas entidades representativas deve promover ações interagindo entre si, em função de objetivos comuns – e não com cada um puxando a brasa para sua sardinha – prescindindo de uma participação entre uns e outros, ao criar uma estrutura administrativa instável, que é amadora e improvisada.

As únicas regras e ações que não deveriam ser variáveis, seriam as do poder público. A orientação para o sistema funcionar e o freio de qualquer ação mal orientada, deveria ser pública. Mas, não é o que ocorre aqui. A gestão pública do turismo, deveria estar afeta à tarefa da administrar os fatores ambientais e sobre as condições pelas quais as empresas turísticas prestam seus serviços, incluindo incentivos, a coordenação, o controle, a concessão de licenças, as autorizações e as facilidades para o exercício dessa atividade. Fornecer meios e estabelecer as normas para organizar o turismo é um dever do poder público.

A execução do Plano Diretor do Desenvolvimento Turístico de Búzios, promoveria uma organização espacial urbanística e a implantação da infraestrutura adequada de suporte à essa atividade. O turismo receptivo une o turista a uma cidade, para viver, participar e se inter-relacionar ativamente com uma localidade visitada; descansando, se divertindo e crescendo como um participante que ensina e aprende com seus moradores.

A integridade de uma cidade, a sua originalidade e suas diversas formas de manifestação cultural, formam a base dos atrativos que motivam uma visitação e dão a personalidade: a alma da destinação turística. O modelo adotado de um desenvolvimento ‘espontâneo’ de ocupação, com esta descaracterização paisagística como foi permitida por Búzios, é o mesmo de outras destinações que viram o turismo destruir seus sonhos mais nobres, enchendo-as de vulgaridade e insegurança.

Enquanto os cidadãos, os administradores e os boêmios dormiam, a voracidade dos especuladores devorou e depreciou sua paisagem, sem que nada fosse feito para impedir isso. Pelo contrário, cada vez mais se oferecia como um prêmio, convites para se estabelecer e lhe corroer a alma.

O problema que a sociedade tenta hoje explicar e reverter, tem origem numa visão descompromissada com a cidade, com o cidadão e a negação da possibilidade dele exercer a sua cidadania. Búzios inchou-se e desqualificou-se com a ocupação desordenada. Ações públicas agora se voltam para tentar superar as deficiências nos serviços, isto é, para os efeitos, mas não as causas dos seus problemas urbanos.

Se o turismo é a vertente que potencializa sua economia, deve ser organizado de forma a oferecer as condições, com uma constante preocupação com todos que dela participam e concorrem para valorizar a sua sustentabilidade ambiental, da qual a própria atividade empresarial depende e necessita para poder prosperar.

*José Carlos Alcântara é consultor empresarial e Assessor da Presidência da ACRJ Associação Comercial do Rio de Janeiro

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