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Cidades

O poder paralelo

Sandro Peixoto

As cidades de Saquarema e Araruama vivem politicamente e administrativamente momentos iguais. Ambas são administradas de direito por prefeitas, mas de fato pelos maridos. A saber: a dentista Manoela Ramos foi eleita para administrar Saquarema, mas quem tem a caneta é seu marido Antônio Peres. Já em Araruama quem se elegeu foi Lívia Bello, mas quem decide tudo é Chiquinho da Educação – seu marido e tutor político, por assim dizer.

Estamos na seguinte situação: um é, porém não parece. O outro parece e não é.Talvez tenha sido um pouco por isso que o eleitorado americano não tenha elegido a Hillary Clinton. O receio era que o marido, ex-presidente Bill desse as ordens no final das contas. Americano não aceita ingerência nessas coisas. Mesmo a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu com a pecha que Lula mandava no governo dela.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Antônio Peres, que já foi prefeito da cidade por duas vezes (2000/2008) se lançou candidato na esperança de reverter a condenação por peculato (Art. 312 do CP – Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio), mas quando viu que era impossível, decidiu lançar a esposa. A justiça proibiu Antônio de concorrer, mas o povo o queria tanto que, mesmo sabendo que votando na Manoela seria ele quem mandaria na cidade lhe deu mais de 60% dos votos. Nesse caso não podemos dizer que ele enganou os eleitores. Estava mais que claro o que aconteceria mesmo porque a mudança foi quase em cima da hora legal.

Em Araruama a situação era idêntica. Proibido de concorrer por condenação na justiça, Chiquinho lançou sua esposa Lívia candidata ao cargo de prefeita. Mas diferente de Peres, Por mais dois anos ensinou tudo que sabia sobre administração pública a esposa, preparando-a para o cargo. No entanto ele é visto e imaginado como o prefeito de fato, afinal, não são poucas as pessoas que o chamam assim. Inclusive na frente da prefeita de direito.

Foto: Divulgação
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A situação é tão cômoda entre o casal que em seus decretos a prefeita assina Lívia Bello e logo abaixo entre aspas pode-se ler “ Lívia de Chiquinho”. Olhando assim tem-se a impressão que não só Lívia é do Chiquinho. A cidade de Araruama também. Mesmo porque ele não cansa de repetir que elege quem bem entender.

O poder paralelo

Sandro Peixoto

As cidades de Saquarema e Araruama vivem politicamente e administrativamente momentos iguais. Ambas são administradas de direito por prefeitas, mas de fato pelos maridos. A saber: a dentista Manoela Ramos foi eleita para administrar Saquarema, mas quem tem a caneta é seu marido Antônio Peres. Já em Araruama quem se elegeu foi Lívia Bello, mas quem decide tudo é Chiquinho da Educação – seu marido e tutor político, por assim dizer.

Estamos na seguinte situação: um é, porém não parece. O outro parece e não é.Talvez tenha sido um pouco por isso que o eleitorado americano não tenha elegido a Hillary Clinton. O receio era que o marido, ex-presidente Bill desse as ordens no final das contas. Americano não aceita ingerência nessas coisas. Mesmo a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu com a pecha que Lula mandava no governo dela.

Foto: Divulgação
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Antônio Peres, que já foi prefeito da cidade por duas vezes (2000/2008) se lançou candidato na esperança de reverter a condenação por peculato (Art. 312 do CP – Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio), mas quando viu que era impossível, decidiu lançar a esposa. A justiça proibiu Antônio de concorrer, mas o povo o queria tanto que, mesmo sabendo que votando na Manoela seria ele quem mandaria na cidade lhe deu mais de 60% dos votos. Nesse caso não podemos dizer que ele enganou os eleitores. Estava mais que claro o que aconteceria mesmo porque a mudança foi quase em cima da hora legal.

Em Araruama a situação era idêntica. Proibido de concorrer por condenação na justiça, Chiquinho lançou sua esposa Lívia candidata ao cargo de prefeita. Mas diferente de Peres, Por mais dois anos ensinou tudo que sabia sobre administração pública a esposa, preparando-a para o cargo. No entanto ele é visto e imaginado como o prefeito de fato, afinal, não são poucas as pessoas que o chamam assim. Inclusive na frente da prefeita de direito.

Foto: Divulgação
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A situação é tão cômoda entre o casal que em seus decretos a prefeita assina Lívia Bello e logo abaixo entre aspas pode-se ler “ Lívia de Chiquinho”. Olhando assim tem-se a impressão que não só Lívia é do Chiquinho. A cidade de Araruama também. Mesmo porque ele não cansa de repetir que elege quem bem entender.

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