O pescador e o navio

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Por Gustavo Henrique Medeiros

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Foto de Gustavo Medeiros

Elcio Custódio é um sujeito de bem com a vida. Sempre animado, muito gozador, dono de muitas histórias vividas, parte na Travessa Alfredo Silva, no centro de Búzios, e a outra no mar,  ou melhor, alto mar. Aos 13 anos, já acompanhava o pai na pescaria e aprendeu, com disciplina, os segredos e macetes de uma boa pesca. Foi dela, que conseguiu criar os três filhos e  sustentar a família. Sua infância, conta, foi de muito trabalho na roça para ajudar a família, estudo e “ bicho de pé “ –  uma doença de pele causada por uma pulga chamada Tunga penetrans, que penetra na pele para alimentar-se de sangue e se reproduzir, provocando muita coceira. Nascido em 1952, hoje com 65 anos, Elcio tem uma disposição de garoto. Anda de lá pra cá, é facilmente encontrado na Travessa Alfredo Silva, onde nasceu, e na Orla Bardort.

 

Além da família, filhos, parentes e amigos, ele se orgulha, sem modéstia, de ter frequentado durante a sua infância a casa de Praia do ex-presidente Juscelino Kubitschek – JK. A partir de 1950, o médico, oficial da Polícia Militar Mineira e político era figura presente em Búzios, hospedado no “ Sollar do Peixe Vivo”, na Orla.

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Consta que JK, sempre bem acompanhado, ocupava uma suíte do casarão do século 18, que pertencia a seu ministro-chefe da Casa Civil, Osvaldo Penido, onde funcionou o restaurante Sollar Búzios, do renomado Chef Danio Braga.

 

– O JK era muito simpático. Sempre nos convidava para “ filar a bóia “. Adorava ficar sentado observando o movimento dos pescadores. Gostava muito de estar em  Búzios – lembrou Elcio, acrescentando que a escultura em homenagem ao ex-presidente da República foi inaugurada em 2006.

 

CELEBRIDADE PAN-AMERICANA

 

Poucos sabem que Elcio foi uma das celebridades que teve o privilégio de participar da solenidade da passagem da Tocha Olímpica em Búzios. Em julho de 2007, 5.633 atletas, representando 42 países, disputaram de 332 eventos esportivos em 47 modalidades esportivas, durante os XV Jogos Pan-Americano, na cidade do Rio de Janeiro. Esse orgulho  Elcio fica feliz em compartilhar com amigos. Na ocasião do evento, o pescador carregou a Tocha e entregou nas mãos da repórter e apresentadora da Rede Globo, Glória Maria, ilustre jornalista que assiduamente estava em Búzios.

 

– Foram momentos inesquecíveis, de forte emoção que jamais vou esquecer em toda a minha vida – disse emocionado o pescador.

 

A passagem da Tocha em Búzios foi uma conquista histórica. Das 5.060 cidades brasileiras, apenas 50 foram selecionadas. Uma multidão compareceu as ruas da cidade para compartilhar esse momento olímpico em clima de forte emoção. Do Pórtico ao centro, num total de 15 quilômetros, a Tocha passou de mão em mão até o centro, onde a repórter Glória Maria acendeu a pira olímpica.

 

O NAVIO

 

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Foto de Gustavo Medeiros

O pescador Elcio reconhece que o turismo de transatlânticos aquece a economia da cidade. A 20ª Temporada de Cruzeiros marítimos teve início em Búzios no mês de novembro do ano passado. Até 14 de abril de 2017, 250 mil turistas de todo o planeta terão desembargado em Búzios, gerando uma economia de aproximadamente R$ 57 milhões – levando em conta que a média de gasto é de R$ 248,00, de acordo com estudo/pesquisa intitulado Impacto Econômico dos Cruzeiros Marítimos em Armação dos Búzios, elaborado pelo Instituto de Matemática e Estatística da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O número de navios diminuiu nos últimos três anos. Búzios já chegou a registrar mais de 150 escalas, enquanto nesta temporada, apenas 75.

 

A grande verdade é que o mercado de cruzeiros nos Brasil navega em mares agitados, perseguidos pela crise econômica e, por outro lado, pelas altas taxas portuárias, agravados pela falta de infra-estruturara e uma legislação maluca que só cria dificuldades para o setor. Armação dos Búzios é o maior destino no país em escalas – embarque e desembarque de cruzeiristas. Com apenas dez navios presentes no Brasil, a temporada de cruzeiros 2015/2016 movimentou R$ 1.911 bilhões de reais, uma queda de 11% à temporada anterior.

 

Do impacto econômico total gerado, R$ 798 milhões correspondem aos gastos das  armadoras com combustíveis, taxas portuárias, impostos, compra de suprimentos, comissionamentos agências e operadoras, além de salários pagos e gastos em marketing. Já 11 bilhões representam os gastos totais de passageiros e tripulantes nas cidades e portos de chegada, saída e trânsito dos itinerários:

 

– Eu amo os navios. Sei que eles trazem divisas para a nossa cidade e os meus amigos podem trabalha, vender seu artesanato, oferecer comida e bebida e isso que mantém os vivos. Precisamos tratar esses turistas com mais carinho, respeito e recebê-los muito bem – ensina Elcio.

 

Porém, as briguinhas políticas da cidade prejudicam o desenvolvimento econômico do setor:

 

– Os dois fazem bem para Búzios – finalizou o experiente pescador.

 

Link do vídeo sobre a passagem da Tocha em Búzios

 

 

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