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Cidades

O paradoxo da Liberdade

Sandro Peixoto foi por 12 anos repórter do semanário O Perú Molhado, é membro da Associação fluminenfluminense de Jornalistas, mora em Búzios, e é um dos fundadores doo Prensa de Babel
Sandro Peixoto foi por 12 anos repórter do semanário O Perú Molhado, é membro da Associação fluminenfluminense de Jornalistas, mora em Búzios, e é um dos fundadores doo Prensa de Babel

 

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Sandro Peixoto é jornalista e empresário, junto com Victor Viana fundou o Prensa. É o principal cronista de Búzios, onde vive

O conceito de Liberdade é bastante diferente para algumas pessoas. Em alguns países como Cuba, por exemplo, liberdade seria poder votar, fazer passeatas, poder viajar para aonde se quiser e assim por diante. No Irã, liberdade seria poder andar sem burca ou escolher a própria religião. No Uruguai, país libertário aonde o aborto é legalizado há anos, liberdade hoje é poder fumar maconha em qualquer lugar. O indiano Mahatma Gandhi disse que a prisão é uma questão de consciência. Para mim, a Liberdade é uma prisão. Liberdade seria na verdade uma grande ilusão. Um quarto pintado com as cores e os cheiros possíveis e imaginários do sobrevivente preso nele.

A dita Liberdade não existe pois não segue um conceito seu e sim, um dogma pré-estabelecido pela sociedade em que se vive. Por isso os exemplos acima. Cada caso é um caso. Querer liberdade política, de moda, de vícios, sexual ou de opinião é muito pouco. A liberdade verdadeira que se deseja é tão profunda que poucos têm a coragem sequer de pensar. É um sonho tão inatingível – mas não impossível- que sequer é tema de debates.

Não é possível ou imaginário tentar explicar a verdadeira liberdade com frases feitas. Ou com tolas opiniões. Muito menos com exemplos banais. A liberdade que eu falo (ou tento me fazer entender) é a que vai te fazer um ser único de verdade. Sem nenhuma comparação. Com esse tipo de liberdade, todo ser humano seria uma paradoxo do outro. Não haveria então, um padrão a se seguir. Lógico que Leis e deveres teriam que haver.

Essa liberdade que imagino teria o poder de nos individualizar de verdade. Eis o principal problema: livres de comparações, perderemos a sensação de pertencimento – que buscamos ao abrir os olhos ao nascer. A necessidade de pertencimento é fundamental para a felicidade humana. No entanto esse pertencimento te leva a armadilhas e aos três anos você já pertence a uma nação, tem um sobrenome, um signo, uma religião e quiçá, se nascer no Brasil, um time e uma escola de samba. Você nunca será livre partindo dessa premissa.

Ora, talvez alguém possa renegar tudo isso mas nem assim será livre de verdade pois todas suas opções será baseada na negação das primeiras, ou seja, haverá um comparativo e você não escolherá ser o que quer e sim, deixará de ser o que não quis. Outro empecilho a liberdade é o controle da sociedade que espera de você o comportamento que imaginaram. Te dão um carimbo e se alguém ousar sair daquela métrica será taxado de louco ou de marginal. Outro controle, e esse é o pior de todos é o religioso. Para muitas pessoas, o fato de ter alguém imaginário assistindo a tudo, julgando cada ato é mais que uma prisão. É a própria negação da liberdade, afinal, abdicar a vida por um prêmio pós morte só seria plausível se a certeza fosse total.

Por Sandro Peixoto

 

 

 

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