Novo diretor-presidente da Prolagos fala sobre transposição do Rio Una

Assunto voltou à tona nos últimos meses e tem movimentado população e ativistas ambientais de Búzios que são contra o projeto

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A Concessionárias de Água e Esgoto da Região dos Lagos, a Prolagos, tem um novo gestor: o diretor-presidente Pedro Freitas. Ele assumiu o cargo no fim de maio deste ano, e tem mais de dez anos de experiência em saneamento e atuação no setor Jurídico Regional da Aegea Saneamento, grupo do qual a empresa faz parte. Pedro Freitas conversou com à Prensa sobre um assunto que voltou à tona nos últimos meses no município de Armação dos Búzios: a transposição do Rio Una.

A possibilidade do remanejamento dos efluentes da Lagoa de Araruama para o Canal da Malhada, no Jardim Esperança, tem causado revolta na população buziana e nos ativistas ambientais do município. O projeto proposto pelo Consórcio Municipal Lagos São João (CILSJ) abre precedente para que os resíduos do Canal da Malhada possam ser levados pela correnteza para o Rio Una, que consequentemente chegariam as praias do balneário, prejudicando, principalmente, o Mangue de Pedra, um dos ecossistemas raros e valiosos da cidade.

Segundo Pedro Freitas, a Prolagos atua na parte operacional do Plano de Saneamento Básico, além de assessorar o Consórcio com indicações de caminhos com pesquisas de impactos ambientais. Ainda de acordo com o diretor-presidente, qualquer solução de escoamento da rede de esgoto precisa ser ajustada conforme esse plano, que, atualmente, está defasado. Pedro esclareceu também que o está norteando as ações de Saneamento é o plano de 2017, que com o crescimento populacional e desenvolvimento das cidades banhadas pela Lagoa de Araruama não se aplica mais. A revisão do plano é quinquenal.

“Um estudo feito pela concessionária aponta que lançar efluentes na calha do Rio Una poderia provocar um extravasamento das águas, o que tecnicamente não é a melhor solução. O que foi levantado foi hidrodinâmica da Lagoa de Araruama. Os efeitos e impactos das transposições de lançamento de efluente das estações de tratamento de esgoto para o Rio Una
viabilidade hidrodinâmica para a implantação de emissário submarino, que seria instalado na Praia Grande, em Arraial do Cabo. Nesse momento estamos trabalhando na definição do Plano de Investimento em Saneamento Básico que será implantado para os próximos anos em  conjunto com o Consórcio e os municípios atendidos pela empresa”, explicou. A Concessionária é responsável pelos serviços de saneamento básico de Cabo Frio, São Pedro da Aldeia, Búzios, Arraial do Cabo e Iguaba Grande.

Enquanto o assunto não é definido, ações em defesa do Rio Una são realizadas. Os prticipantes do movimento “SOS Rio Una” iniciaram uma petição livre para que a população possa se manifestar virtualmente assinando a carta de repúdio contra o projeto. Além disso, debates virtuais  com profissionais da área ambiental e representantes da sociedade civil organizada estão marcadas para esta quinta-feira (17) e sexta-feira (18), a partir das 19h.

Esgotamento sanitário em Búzios

O atual modelo de esgotamento sanitário é coleta em tempo seco, que intercepta a rede de drenagem e leva as contribuições para a estação de tratamento. O fato do município de Búzios não ser banhado pela Lagoa de Araruama tem suas especificidades. Diferente das outras quatro cidades pelas quais os serviços de saneamento básico são realizados pela Prolagos, o balneário é o que mais tem rede separativa com estação de tratamento de efluentes terciária, que tira os nutrientes e resíduos orgânicos,  promovendo melhor qualidade efluente. Esse tipo de tratamento proporciona água de reuso.

Segundo Pedro Freitas, a expansão desta rede separadora ainda não foi possível pela mesma questão que envolve os debates da transposição do Rio Una: a necessidade da elaboração do Plano de Investimento em Saneamento Básico.

“O plano apresentado em 2017 discute substituir 25% da rede em tempo seco por rede separativa nas cinco cidades da área de concessão. A concessionária fez um estudo para implantar 100% rede separadora em todos os municípios, no entanto, a troca completa teria um impacto na tarifa e até no dia a dia das pessoas. Então a proposta é dividir esta obra em etapas.”, disse o diretor-presidente.

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