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Cidades

Nada se perde, tudo se transforma

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Por Sandro Peixoto

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O embaixador Sergio Nogueira Lopes

Anos atrás passei em frente a uma obra de reforma de uma loja no centro de Búzios e resolvi bisbilhotar a caçamba alugada que se encontrava na calçada.  A curiosidade foi provocada porque dias antes vi um senhor catando um monte de madeira e outros materiais numa caçamba igual. Olhando o monturo detectei de imediato uma boa quantidade de produtos reaproveitáveis e outros recicláveis. Lembrei-me da aula que tive um dia sobre lixo urbano. Nada é lixo, tudo pode ser aproveitado. Os materiais só viram lixo quando misturados. Palavras do professor.

Trata-se de uma grande verdade. Madeira, vidro, papel, alface, alumínio, pó de café, casca de frutas, cinzas de charutos, sacos plásticos, casca de ovos, garrafas PET, roupas velhas, papel e papelão. Quase tudo que é descartado pela sociedade do descartável pode e deve ser reutilizada ou reciclada.  É apenas uma questão de querer e fazer. Em Búzios tem uma casa de onde a prefeitura não recolhe um quilograma de lixo ou entulhos. Essa casa tem moradores, visitantes e funcionários. Não é uma casa qualquer. Essa casa é autossustentável ao máximo e pertence ao Embaixador Sérgio Nogueira Lopes.

O brasileiro Sergio Nogueira Lopes é um cidadão exemplar. Embaixador há dez anos da Sociedade Pestalozzi do Brasil, Nogueira Lopes ajuda a cuidar de duas mil crianças por ano na entidade. Paralelo a sua função de empresário bem sucedido, é ainda colunista do Jornal Correio do Brasil. Cargo que também ocupou por anos no saudoso Jornal do Brasil.

Em Búzios, Sérgio Nogueira Lopes tem há décadas, uma linda propriedade no Bairro da Ferradura. No qual ocupa menos de 5%. Abaixo, muito abaixo do que lhe permite a Lei, No local havia uma pequena lagoa. Ele fez outra. Plantou e cuidou (ainda cuida) de centenas de arvores em seu imenso jardim. Plantar uma arvore é simples. É como fazer um filho, difícil mesmo é criar, educar e preparar para a vida. Com uma arvore é a mesma coisa. São anos de dedicação até a pequena muda se transformar numa frondosa árvore.

Mas não estamos aqui para louvar o Jardim Botânico do Embaixador, e sim mostrar como pequenas atitudes podem ajudar a cidade a gastar menos e ao mesmo tempo diminuir o impacto de nossa presença no planeta. É mais que sabido que um dos maiores problemas atuais, tanto econômicos, quanto sociais e ecológicos, é o lixo doméstico. O custo da coleta e da varrição em Búzios, por exemplo, é um absurdo.

A sociedade brasileira produz muito lixo. Menos na casa do Embaixador. Lá a prefeitura não recolhe um quilo por ano. Por determinação do dono da casa, tudo, absolutamente tudo que é sobra, tem um destino certo e obrigatório: cascas de frutas e restos de legumes vão para compostagem; Borra de café, para adubar as plantas; garrafas de vidro e de plásticos separados e levados para reciclagem; pedaços de madeiras são aproveitados em canteiros de flores; água de banho  e de pia são filtradas, decantadas num pequeno lago e em seguida reaproveitadas para regar flores, arbustos e árvores. E assim por diante.

 

Óbvio que a experiência não poderá ser aplicada em todas as casas. Porém, devemos usar o exemplo do Embaixador para buscar soluções práticas e corriqueiras para evitar a produção e o acumulo de lixo. É um ato de covardia matar a sede com uma garrafa de refrigerante e jogar fora a embalagem como se ela não fosse de sua responsabilidade. Não dá para comer a fruta e jogar a casca para outros cuidarem. Essa mania de querer ficar apenas com a parte boa da história é o que nos atrapalha.  Os milhões usados na coleta de lixo fazem falta na saúde e na educação pública.

Louvemos então a decisão do Embaixador e torçamos para que outros sigam seu exemplo. Ocupando menos, sujando menos,  e plantando mais.

 

 

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