
Segundo o MPRJ, eles foram denunciados pelos crimes de concussão (onde um agente público exige vantagem indevida), peculato (desvio de um bem ou valor público por funcionário) e associação criminosa. Em 2016, “Pezão” foi afastado da presidência da Câmara por desvios de até R$ 87 mil.
Segundo o presidente da 63ª Subseção OAB Casimiro, Naildo Macabu, essa audiência inicial é denominada de “instrução de julgamento” e tem como objetivo ouvir as testemunhas de acusação e de defesa, além de interrogar os acusados.
“O advogado de Pezão requereu a revogação da prisão preventiva, mas o juiz negou esse pedido. Isso acontece quando o magistrado entende que a pessoa em liberdade possa interferir na apuração do caso”, analisou o presidente da OAB de Casimiro de Abreu.
Naildo Macabu comenta ainda que as próximas etapas do processo são as alegações adicionais pedidas pelo juiz aos envolvidos. “Terminando isso o processo está preparado para ser julgado em 1ª Instância, ou seja, localmente. Qualquer que seja o resultado, ele está sujeito a apelações.
Entenda o caso
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro realizou em outubro de 2017 a Operação Retorno para cumprir um mandado de prisão preventiva contra Alessandro Macabú Araújo, conhecido como “Pezão”, ex-presidente da Câmara de Casimiro de Abreu, além de quatro mandados de busca e apreensão em casas de pessoas ligadas a ele. A operação aconteceu por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ)
De acordo com a denúncia do Ministério Público, “Pezão” obrigava cinco funcionários contratados do gabinete e repassar parte do salário recebido para ele próprio. Eles recebiam entre R$ 1,2 mil e R$ 5 mil e ficavam com até R$ 700, repassando o restante do valor para o ex-vereador, segundo o MPRJ. O Ministério Público também “requereu o sequestro dos bens móveis e imóveis dos denunciados e o bloqueio de suas contas bancárias em valores acima de R$ 5 mil”.
Na época, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelo Ministério Público nas casas do ex-chefe de gabinete da presidência da Câmara, Jairo Macabú Soares; do ex-assessor especial da presidência, Wilson da Silva Oliveira Neto; e da sogra de Jairo, Divana Saturnino da Silva, que ocupava cargo em comissão na Câmara Municipal de Casimiro de Abreu.
Ainda de acordo com a denúncia, Jairo e Wilson eram responsáveis por recolher mensalmente parte da remuneração dos funcionários e repassar ao ex-vereador. Divana foi denunciada porque, segundo as investigações, não exercia qualquer função na Câmara, recebendo o salário sem trabalhar.









