José Maria Rangel, coordenador da FUP, abre o debate político e fala sobre as Eleições 2018

Zé Maria conversou com o Prensa nas redes sociais e trouxe sua opinião sobre o cenário político atual

José Maria Rangel, presidente da FUP
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José Maria Rangel é coordenador da FUP (Federação Única dos Petroleiros) e conversou com o Prensa de Babel sobre Eleições 2018, política, direitos trabalhistas, Petrobrás e o possível cenário político futuro, numa transmissão ao vivo através das redes sociais.

Zé Maria, que concorreu ao cargo de candidato federal pela primeira vez pelo Partido dos Trabalhadores obteve a expressiva votação de 20.591 votos, e mesmo não tendo logrado se eleger demonstrou ser uma força política em nosso estado. Foi uma experiência nova, conta, que deu a ele a oportunidade de conhecer melhor o país: “O nosso maior objetivo era não só o de ganhar a eleição mas de dialogar com a população, mostrar às pessoas as conquistas que o país obteve ao longo dos Governos dirigidos pelo PT e também reconhecer os erros cometidos”.

Marcel Silvano e Zé Maria nas ruas de Macaé durante a campanha

Durante a campanha, criou uma parceria com o candidato à deputado estadual Marcel Silvano, percorrendo todo o Estado do Rio de Janeiro. “Foi uma experiência muito positiva. Tanto ele quanto eu promovemos o debate de ideias dentro do Estado e estamos decididos a prosseguir nesta caminhada de luta, na defesa dos direitos trabalhistas e da Petrobrás” comentou.

Como representante de classe trabalhista, Zé Maria demonstrou preocupação com o saldo do primeiro turno das eleições: “O Congresso elegeu uma bancada parlamentar ainda mais reacionária do que a anterior, e isto é motivo de preocupação. Se o brasileiro já está sofrendo um retrocesso nas conquistas sociais e na própria relação capital-trabalho, o quadro pode ficar muito pior nos próximos quatro anos”. Mais de 70% dos parlamentares eleitos possuem orientação econômica liberal ou são representantes da classe empresarial, e certamente será difícil negociar com estes para a retomada de geração de empregos e direitos trabalhistas, explica.

A Reforma Trabalhista movida por Temer, completa, tem no seu pilar central retirar os direitos já consolidados na CLT (apesar dos problemas que esta tinha) dando as garantias agora aos empresários. A nova Lei trabalhista possibilita a demissão em massa dos trabalhadores, terceirização das atividades fim, promovendo a precarização da relação trabalhista. “A minha visão é que os efeitos, à curto e médio prazo, serão devastadores” lamenta.

“As eleições 2018, na verdade, não começaram há 45 dias atrás. Elas se iniciaram após a derrota do candidato do PSDB, Aécio Neves, que não aceitou o resultado nas urnas e começou a questionar a legitimidade do pleito, pedindo recontagem de votos, gerando uma grande instabilidade social. Após este fato temos a eleição à Presidência da Câmara  do deputado Eduardo Cunha que entupiu, por assim dizer, o Congresso Nacional com votação de pautas-bombas. Foi-se criando assim o cenário para o impeachment da Presidenta eleita Dilma por um crime de responsabilidade fiscal, as chamadas pedaladas fiscais, oficializadas posteriormente por Temer e praticadas por este três vezes pior” opina Rangel.

Após o impeachment o dado que mais contribuiu para as eleições se apresentarem desta forma foi, num processo de celeridade única, o julgamento do ex-presidente Lula como nunca antes visto no país: “Ao meu ver, uma condenação injusta. Lula foi condenado pela posse de um triplex que não é seu. Isso ocorreu porque a direita sabia que se o Presidente Lula estivesse solto, provavelmente, ele ganharia as eleições” comenta. “Sinto ainda que aqui no Estado do Rio de Janeiro criou-se uma onda, quase que um tsunami anti-petista, em que o eleitorado foi jogado contra o Partido dos Trabalhadores demonstrando isso nas votações. Estamos, internamente, tentando compreender o que houve” confessa.

“Nós do Partido dos Trabalhadores participamos do movimento das mulheres Ele não, e mesmo com toda a rejeição o Bolsonaro, candidato do PSL, cresceu assustadoramente nas pesquisas. O próprio atentado e a facada contribuíram para que ele ganhasse mais votos. Vemos agora a comprovação de agentes externos contribuindo financeiramente na sua campanha eleitoral, patrocinando a criação das fake news contra o Haddad e a propagação de boatos. Eu vejo com muita preocupação o que ocorre no país, temos uma rela possibilidade do país retornar a um tempo de trevas políticas, até pela representação da chapa do PSL que traz no papel de vice-presidente, um General” conta Zé Maria.

“No seu programa de governo estão a proposta de venda de estatais, a retirada de mais direitos trabalhistas” explica. É muito perigoso que se utilize a saída da violência para resolução de conflitos internos, conta: “O dialogo com a população não está sendo fácil, sinceramente, mas precisamos persistir e mostrar as pessoas as possíveis consequências desta escolha e reverter o processo de retrocesso que pode ocorrer”.

José Maria Rangel

Como coordenador da FUP, Zé Maria explicou que o pré-sal foi a maior descoberta petrolífera nos últimos períodos, representando algo em torno de 300 bilhões de barris de petróleo. “Não tenho dúvidas de que este foi um dos principais motivos para o golpe de 2016. O mundo está à procura de novas fontes de energia mais limpa, mas por enquanto o petróleo ainda é a maior fonte de matéria energética pelos próximos 30 ou 40 anos” revela.

O Partido dos Trabalhadores tinha como objetivo central, conta, que a destinação dessas riquezas obtidas com o recurso do pré-sal fosse destinada aos setores sociais como saúde, educação e geração de empregos. “Sentimos que essa conquista está escorrendo pelos nossos dedos e sendo quase que doada às empresas internacionais. No último leilão de petróleo que ocorreu no Brasil o preço do barril foi vendido a 0,30 centavos, quando o preço no mercado internacional é de R$ 240 reais. Posso dizer que a entrega do pré-sal é uma perda infinitamente maior do que foi desviado nos casos de corrupção da Petrobrás” lamenta Rangel.

Numa possível vitoria do Haddad, explica ainda, o seu principal objetivo será pacificar o país, que se encontra dividido politicamente, e acabou permitindo que o ódio ganhasse espaço. “É necessário também rever as medidas adotadas pelo governo golpista do Temer de maneira urgente, como a revogação da PEC dos gastos públicos que congela as receitas destinadas à educação e saúde pelos próximos 20 anos. É necessário voltar a investir no conhecimento do povo brasileiro, na indústria de óleo e gás, na reconstrução dos estaleiros no Rio de Janeiro, que se encontram na sua maioria desativados. Há muito o que se fazer, mas considero fundamental a reconstrução do pais” opina.

José Maria Rangel retornou suas atividades na Federação Única dos Petroleiros no último dia 8 e revela que estão todos empenhados na eleição do candidato Haddad, com o objetivo de derrotar o fascismo. “As pessoas precisam tomar a real consciência do que tem acontecido e do que pode acontecer com o país. Comparando as duas candidaturas percebemos que o processo eleitoral no Brasil tem sido levado pela emoção e não pela racionalidade. Bolsonaro não tem proposta de governo, apenas fala de família e Deus de forma contraditória, porque ao mesmo tempo destila preconceito aos negros, índios e LGBTs em seus discursos. Um deputado que na votação do impeachment homenageou ao Ustra, torturador da ditadura, não pode de maneira alguma citar Deus” opina. “Ele não tem proposta de nada e por isso corre dos debates. Acho que todos os representantes de classe trabalhistas e entidades sociais deveriam unir forças neste momento” completa.

“Ao longo destes anos de gestão do PT ocorreram erros, logicamente, mas durante 13 nós geramos mais de 20 milhões de empregos e mais de 40 milhões de pessoas foram tiradas da extrema pobreza. Nossas empresas estatais foram fortificadas que impulsionaram o desenvolvimento nacional, melhorando muito a qualidade de vida do brasileiro. Os erros que o PT cometeu não justifica que se eleja um candidato fascista, que em mais de 26 anos de vida pública não fez nada de expressivo para o país. Precisamos defender um país de liberdade políticas e ideológicas” concluiu Zé Maria, motivado pela esperança de reestruturação econômica, política e democrática do país.

 

 

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