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Cidades

Isac morreu na praia

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Por *José  Carlos Alcantâra

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Há um ano atrás Búzios se despedia de Isac Tillinger, seu eterno timoneiro do turismo. Atuando desde os primeiros momentos da emancipação, ele ajudou a estruturar essa atividade na cidade, conduzindo-a com inteligencia, profissionalismo e ajudando-a a dar os primeiros passos, disso que hoje conhecemos como a indústria do turismo de Armação dos Búzios.

Antes dele, não havia nada aqui que pudesse ser classificado como atividade de promoção e divulgação do turismo. Apenas uns poucos pousadeiros e donos de restaurantes, é que atraiam a atenção dos veranistas, interessados em conhecer as decantadas belezas das praias da aldeia de pescadores que era o 3º Distrito de Cabo Frio.

Isac fez tudo o que era necessário para cultivar uma boa imagem de Búzios no turismo internacional, visando atrair o turismo Classe A para a cidade, cujo charme nasceu antes mesmo dela existir. Graças à celebridades internacionais como Brigitte Bardot e Mick Jagger, muitos artistas, intelectuais e empresários de sucesso, trocavam seu fim de semana no Rio pela badalação no balneário e saiam depois pelo mundo afora divulgando a existência daquele pequeno paraíso distante do Rio de Janeiro.

Ele soube formatar bem essa característica única que revestia Búzios de uma magia e configurou um produto especial para o trade turístico, apresentando-o com dignidade e profissionalismo, através de feiras, eventos e da mídia impressa e eletrônica, no Brasil e no exterior. Soube aproveitar também o timing para divulgar como ninguém, aqueles tempos gloriosos das festas inesquecíveis nas casas sofisticadas e nas discotecas, com direito à presença luxuosa de convidados famosos desfilando na Ruas das Pedras e pelas praias da cidade.

Lembrava-se daquele tempo que não volta mais, ao perenizar aqueles momentos de glamour em suas entrevistas: “Seguramente Brigitte foi quem deu visibilidade a Búzios. Sem ela seria diferente, o que não quer dizer que necessariamente a cidade não atingiria este grau de visibilidade. A diferença entre as outras cidades da região, foi basicamente os investimentos feitos pela iniciativa privada em hotelaria, gastronomia e serviços turísticos. Sem esta infra estrutura seríamos no máximo um balneário chic, mas não um destino turístico.”

Temendo profeticamente a temerária invasão que estava prestes a se consumar, expressava com clarividência as iniciativas que deveriam ser tomadas para evitar as consequências do descaso: “Turismo é uma questão de planejamento, investimento e hospitalidade ( envolvimento da população na recepção ao turista). O melhor ponto de partida é a formatação de um Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico, liderado pela iniciativa privada com a participação da prefeitura. È claro que este plano depois de aprovado seja executado mediante o acompanhamento de uma diretoria executiva. Talvez até criar uma OCIP para esta finalidade. Seria uma forma de garantir que as ações propostas não sejam interrompidas cada vez que houver uma troca de administração municipal. Um plano para os próximos 10 anos, com ações de curto, médio e longo prazo, com avaliações anuais.”

Os anos se passaram, nada foi feito nesse sentido e o desenvolvimento do turismo em Búzios parece estar condenado a morrer na praia. A mesma praia que abraçou carinhosamente o corpo cansado de nosso querido Isac, naquela manhã ensolarada de 14 de Novembro de 2015. Eu, Mirinho, Clarice e Dr. Joaquim, mais alguns amigos, ficamos a manhã inteira ao lado do seu corpo, que jazia dentro de um saco plástico preto, estendido na areia da Praia de Geribá e ao sol de Búzios.

Foi uma despedida triste. O carro de remoção demorou a chegar e alguns turistas que observavam à distância, se questionavam sobre a indiferença do poder público em não tomar as devidas providências para levar o corpo daquele homem que passara anos de sua vida trabalhando para trazer aqueles turistas que desfrutavam da beleza da praia, incomodados com a sua ‘presença’.

Mas, um ano depois, até o céu de Búzios se lembrou de sua partida e pranteou sua despedida com lágrimas abundantes. Choveu o dia todo! Faz um ano hoje que lhe carregamos até o topo da colina da Igreja de Santana… Era um dia de sol! O mesmo sol que voltou a brilhar hoje. Guardo com muito carinho a lembrança dos nossos papos e a sua resposta ao meu artigo “O Turismo sem Alma”:

Professor: Muito bom o artigo, porém a teoria na pratica é outra. Tanto do lado da classe politica, como dos empresários, que buscam o lucro fácil e imediato. Não soubemos administrar nossa marca, e foi privilegiado o turismo de massa – o que sempre fui contra. Agora não tem mais jeito, a nossa única saída é gerir com competência este novo mercado, sob pena de perdermos o restinho do turismo de bom nível que é formador de opinião, e nos possibilita continuar tirando onda de classe A.

Sem cuidar da cidade, não há solução. e para isto precisamos durante 8 anos investir ( sem muita roubalheira)  pelo menos 25% a 30% do nosso orçamento. Sem isso, é ser cabide de emprego e assumir a corrupção constante que o sistema exige.

Saudações nordestinas

Isac

 

*José  Carlos Alcântara é consultor empresarial e Assessor da Presidência da ACRJ Associação Comercial do Rio de Janeiro 

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