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ENTREVISTA – PROFESSOR PAULO EMILIO DE MIRANDA

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Paulo Emílio Valadão de Miranda, da Coppe-UFRJ, e uma das maiores autoridades sobre hidrogênio no país -
Diretor-presidente da Associação Brasileira de Hidrogênio, Paulo Emílio de Miranda fala com exclusividade para a Prensa sobre a recente descoberta no município e das possibilidades de uso de nova matriz energética no Brasil

“No futuro próximo, Maricá pode ter fonte produtora de hidrogênio renovável em seu subsolo”,

Paulo Emílio Valadão de Miranda

Um anúncio surpreendeu os estudiosos, empresários e autoridades que participaram da terceira edição do Congresso Nacional de Hidrogênio, realizado no fim de maio, em Maricá: o município da Região Metropolitana possui fontes naturais de hidrogênio (que não é originado da transformação a partir de outra substância) em concentrações que o colocam entre os maiores do Brasil e do mundo.

Características geológicas especiais do município propiciaram a origem do elemento químico, fato que foi comprovado no último mês de abril por uma equipe de especialistas, entre eles, o diretor-presidente da Associação Brasileira de Hidrogênio (ABH2), Paulo Emílio Valadão de Miranda, da Coppe-UFRJ, e uma das maiores autoridades do assunto.

Em entrevista a Prensa, o professor explica o significado da descoberta da fonte de hidrogênio para o município de Maricá, para o estado do Rio e para o Brasília, além de esclarecer as vantagens ambientais e econômicas na adoção de uma nova matriz energética na indústria para o desenvolvimento.

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“É possível que haja gases de alto valor agregado associados ao hidrogênio natural de Maricá, o que contribuirá para rentabilidade do processo. O mundo e o Brasil vivem atualmente uma transição energética desde os combustíveis fósseis para a energia do hidrogênio e energias renováveis, num esforço de descarbonização e de controle das condições climáticas do planeta”, declarou o especialista.

Prensa de Babel – Como se deu o trabalho para a descoberta de fonte de hidrogênio em Maricá? Já se sabia dessa existência ou a descoberta é recente?

Paulo Emílio de Miranda – Eu já tinha conhecimento sobre hidrogênio natural, mas não em Maricá. Num livro que publiquei em 2019 incluí uma descrição sobre o tema. Eu fiz avaliações prévias sobre as características do território do município e achei que valeria a pena averiguar a eventual presença de hidrogênio natural. No dia 12 de novembro de 2022, eu fiz uma expedição à cidade com esse objetivo. Realizei perfurações para medidas da efusão de gases do subsolo em vários lugares, até que identifiquei a presença de hidrogênio natural, principalmente ao longo de uma falha geológica resultante de movimentação tectônica ocorrida há muitos anos. Foi nessa expedição que descobri o hidrogênio natural em Maricá. Isso foi comprovado no mês de abril de 2023 por colegas franceses a meu pedido.

Prensa – Qual a dimensão dessa descoberta para o município de Maricá e, de modo geral, para o estado do Rio e o Brasil?

Paulo Emílio – A descoberta de hidrogênio natural em Maricá é muito relevante por diversas razões. O hidrogênio natural é renovável. Isso abre a oportunidade de, eventualmente, no futuro próximo, Maricá vir a ter uma fonte produtora de hidrogênio renovável já disponível no seu subsolo, não requerendo, portanto, que seja produzido a partir de alguma matéria prima e fonte de energia como ocorre convencionalmente hoje. A existência de hidrogênio natural em Maricá poderá ser indicativa que ele também exista em outras regiões do território do estado do Rio de Janeiro. A produção de hidrogênio natural poderá se fazer a um custo baixo, podendo ser mesmo mais barato que o hidrogênio produzido a partir da reforma a vapor do gás natural. Este último é o hidrogênio de menor custo de produção atual, sendo cerca de cinco vezes mais barato que o hidrogênio produzido a partir da eletrólise da água. O desenvolvimento da produção de hidrogênio natural em Maricá poderá induzir a sua produção em outros locais do território brasileiro. É possível que haja gases de alto valor agregado associados ao hidrogênio natural de Maricá, o que contribuirá para rentabilidade do processo. O mundo e o Brasil vivem atualmente uma transição energética desde os combustíveis fósseis para a energia do hidrogênio e energias renováveis, num esforço de descarbonização e de controle das condições climáticas do planeta. A existência de fontes de obtenção de hidrogênio é muito favorável nesse momento e poderá facilitar a transição energética brasileira e contribuir para a reindustrialização baseada no hidrogênio.

Prensa – Basicamente, em quais setores, o hidrogênio poderá ser aplicado e quais as principais vantagens em relação aos principais tipos de combustível atualmente utilizados?

Paulo Emílio – O hidrogênio pode ser usado como um combustível, como hoje são usados os combustíveis convencionais, e também como um vetor energético, como a eletricidade é utilizada atualmente. Por isso, ele é muito versátil e tem a capacidade de conectar setores da sociedade que hoje são baseados só em combustíveis com outros que são baseados só em eletricidade e, por isso, atuam de forma estanque. Assim sendo, além dos seus usos industriais atuais, convencionais, o hidrogênio pode ser usado para a propulsão de veículos, para a geração móvel ou estacionária de eletricidade, para fornecer energia elétrica e calor à indústria, a residências, a prédios comerciais usado em pilhas a combustível e na produção de produtos descarbonizados com hidrogênio, o que inclui a produção de fertilizantes, de aço cujo minério de ferro é reduzido com hidrogênio, dentre outros. O hidrogênio, contrariamente aos combustíveis atuais, descarboniza os ambientes em que é utilizado por não agregar carbono.

Prensa – Em quanto tempo é possível estimar até que se faça a utilização de fontes de hidrogênio em larga escala?

Paulo Emílio – O hidrogênio para fins industriais já é usado hoje em larga escala. O mundo produz, armazena, transporta e consome mais de 100 milhões de toneladas de hidrogênio por ano. Em 2050 esse número deverá ser da ordem de 540 milhões de toneladas anuais. Esses são usos convencionais, industriais. O que se abre agora é um mercado para energia do hidrogênio. Ou seja, para o uso energético do hidrogênio; de tal forma que o hidrogênio que hoje é “cativo”, isto é, essencialmente produzido e consumido localmente, e de uso industrial, passará a ser “mercantil”, sendo produzido em um lugar e utilizado em outros para os quais será transportado, para usos industriais e energéticos.

Prensa – Qual a posição do Brasil no mundo em relação ao uso de tecnologias baseadas na utilização do hidrogênio? A descoberta dessa fonte altera esse patamar?

Paulo Emílio – O Brasil faz uso industrial do hidrogênio em larga escala, como ocorre em outros lugares do mundo. Mas, tem um potencial único no mundo para a produção de hidrogênio a partir de fontes variadas, tais como a partir de combustíveis fósseis, preferivelmente com sequestro de carbono; a partir da eletrólise da água, usando energia elétrica renovável de fontes hidráulica, solar e eólica; a partir de biomassas, com a perspectiva alvissareira de atingir emissões negativas de CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico) e, ainda, possui fonte de hidrogênio natural. O país já desenvolveu tecnologias para o uso veicular de hidrogênio, principalmente em veículos pesados, assim como para a geração de eletricidade e calor em pilhas a combustível de óxido sólido e pilhas a combustível com eletrólito de membrana polimérica; é um grande consumidor de fertilizantes baseados em amônia e possui redes de tubulações de gás natural às quais pode ser adicionado hidrogênio com vantagens.

Prensa – Além do anúncio dessa descoberta, quais os principais pontos o senhor destaca durante a realização desse terceiro Congresso Nacional de Hidrogênio?

Paulo Emílio – O 3º Congresso Brasileiro do Hidrogênio, realizado pela Associação Brasileira do Hidrogênio nos dias 29 a 31 de maio de 2023 em Maricá, dedicou um dia à transição energética, outro à descarbonização com hidrogênio e outro à reindustrialização com hidrogênio. O evento inovou ao iniciar-se com a revelação da descoberta de hidrogênio natural em Maricá; trouxe vários profissionais de renome do Brasil e do exterior para apresentar e discutir inovações do setor; teve a apresentação de cerca de uma centena de artigos científicos e satisfez a curiosidade de vários milhares de visitantes a uma pujante exposição empresarial, onde tiveram destaque a apresentação do Mirai, o automóvel a hidrogênio da Toyota, e o ônibus a hidrogênio desenvolvido pelo Laboratório de Hidrogênio da Coppe/UFRJ e a empresa Tracel em projeto financiado por Maricá.

Rodrigo Branco

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