Entrevista com vereador mais votado na história de Búzios

Rafael Aguiar conversa com a Prensa sobre a votação histórica, o vereador que pretende ser e outros temas de interesse  geral

Com 31 anos de idade, nascido no Rio de Janeiro, mas vindo para Búzios ainda no colo dos pais, o vereador e vice-prefeito eleito Miguel Pereira e Maria Aparecida, mais exatamente no bairro Cem Braças, Rafael Aguiar é o vereador mais votado da história do município, com 1.277 votos.

Casado com Mariane Quintanilha e pai de uma menina de cinco anos, é morador da tradicional Rua Brasil. Antes de eleito vereador atuava como servidor público nas duas últimas gestões do prefeito André Granado, onde assumiu cargos de liderança no setor da saúde, o mais recente como coordenador da Policlínica de Manguinhos. Rafael mantem um discurso que evoca conciliação e participação popular, muito parecido com o discurso oficial do prefeito eleito Alexandre Martins, grupo do qual fez parte durante a campanha.

Durante a conversa Aguiar evita avançar, ao menos no momento, em polêmicas, afirma estar tranquilo sobre quem será o escolhido para assumir a presidência da Câmara, mas não esconde seu desejo de assumir essa função e comporta-se como o líder entre os 9 vereadores que compõe a Câmara Municipal de Búzios.

A Prensa entrevistou o vereador eleito por conta da votação histórica e a configuração atual que o coloca em evidência pela idade, ser filho do vice-prefeito e a cotação quase certa para assumir a presidência da Casa Legislativa.

Prensa de Babel: Em relação a quantidade de votos, as pesquisas mostravam você sempre na frente, junto com o vereador Josué, então já havia um cenário desenhado da vitória de ambos. Mas ainda assim, sua votação surpreendeu pela quantidade. Então, a que você atribui esta votação tão expressiva? A maior da história, não?

Rafael Aguiar: Foram 1.277 votos. Eu até recebi uma ligação do jornal O Dia para fazer uma entrevista porque pela porcentagem que eu tive de votos, eu fui o vereador mais votado entre os municípios do estado do Rio de Janeiro, no caso proporcional com a quantidade de moradores.

Eu acho que para esta votação, quando você trabalha para com amor, carinho, verdade e humildade, o retorno vem. Eu vi duas fases da minha vida: A primeira, que as pessoas me conheciam como Rafael brincalhão, gente boa, que é amigo de todo mundo. E aí, depois eu tive a honra de ter o voto de Clemente (Magalhães), por exemplo, e de pessoas da terra. Eu tive mais de 250 votos de nativos, como Tia Heloísa, Zilah. E por que eles gostaram de mim? Pelo trabalho que eu fiz na policlínica e no postinho de saúde, onde puderam me ver como gestor.

Por exemplo, eu peguei um postinho no Cem Braças, onde tinha um clínico geral junto com a equipe, e naquela época nós conseguimos fazer um trabalho de excelência. E naquela ida e volta dos prefeitos eu recebi o convite para ser o coordenador da policlínica (Manguinhos). Tinha vindo de um mês que deu a maior fila da História de Búzios, o que para mim foi uma turbulência muito grande.

Então, para mim, com a forma de marcação da policlínica e de coordenação, eu acabei com aquela fila. Uma coisa que eu descobri lá, é que o médico ortopedista que é contratado para fazer 40 horas tem que atender 60 pessoas por semana, e ele atendia 30.

Prensa: Então você conseguiu identificar este problema e fazendo com que eles fizessem?

Rafael: Aos poucos nós fomos acabando com a fila. Eu tirei a sala da gerência, que era lá em cima e coloquei na porta do banheiro. Eu atendia todo mundo, minha porta era aberta, então eu falava com todo mundo que chegava. Ou seja, as pessoas me viam ali como um gestor.

Prensa: Então você acredita que isso foi o que fez com que você ganhasse o voto da população comum de Búzios. Você citou o Clemente (proprietário do Porto da Barra), e para que você ganhasse o voto do empresariado, o que você considera que fez para que esta outra camada da sociedade votasse em você?

Rafael: O Clemente tem o plano de saúde mais caro do Brasil, que é o Bradesco. Ele foi marcar um exame, quando ele caiu e se machucou, de raio-x de clavícula, que demorava 15 dias para marcar. Ele estava em Búzios naquele dia e conseguiu a marcação no mesmo dia no Hospital municipal. Então ele identificou a qualidade do setor público na área da saúde.  Mas Eu tive muita gente da hotelaria, aí  muito pelo carinho e confiança que eles tem no meu pai. Tive também de muita gente, esse processo é algo muito dinâmico e muito gostoso ao mesmo tempo, porque a gente não espera isso.

Prensa: Essa presença do seu pai e a história dele na cidade, desde como profissional da construção civil até secretário, vereador, você acredita que isto também colaborou?

Rafael: Muita coisa. Meu pai não tem vaidade, ele é muito humilde. Eu acho que nunca vai acontecer em Búzios isso, pelo que eu estudei nunca aconteceu, de ter um vereador que foi o segundo mais votado no município, fazer o trabalho, sair para serviço e eleger um filho como o vereador mais votado da cidade. É difícil, porque são duas pessoas diferentes. Miguel é um cara de cabeça branca, maduro, e eu tenho 31 anos, sou mais jovem. As pessoas votarem nele e depois em mim é muito difícil.

Prensa: Você considera que conseguiu ficar nessa posição com votos que o seu pai migrou para você e dos que você mesmo conquistou?

Rafael: Foram muitos votos. Durante a campanha eu fiz um estudo e o bairro que mais crescia era a Rasa. Muitas pessoas vieram morar na Rasa, com casas de aluguel, pessoas de fora que trocaram o título, vieram morar para cá. Então são moradores que não conheciam essa galera porque vieram morar aqui depois. Portanto que o governo ainda teve votação por isso, porque quem veio de fora achava que o governo estava sendo bom.  Porque são moradores que vieram por exemplo, de Realengo, Caxias, lugares em que não se consegue nada. Aí vem para cá e consegue exame com um mês. Para a gente que mora aqui, é um absurdo esse tempo todo. Mas para quem veio de fora, acha que é bom. Então é um pessoal que ainda falava que o governo atual estava bom. Então eu conheci essa galera porque eu sou muito de rua. Eu passava quase 24 horas na rua.            

Prensa: Esta foi a dinâmica da sua campanha? Como foi o seu dia a dia nesta conquista de votos?

Rafael: Eu saía de casa 7h, e tinha uma família política que sempre me acompanhou e uma liderança que sempre marcava as visitas. Ás vezes eu saía a pé, sozinho, indo de casa em casa batendo na porta me apresentando.

Olhando nos olhos das pessoas teve algo que me marcou muito. Tive uma reunião em Maria Joaquina, eu nunca vou esquecer, tinham quase 150 pessoas em um quintal, lotado, e o pessoal me perguntou o que eu iria fazer pelo bairro. E eu respondi: Nada. As pessoas só lembram de Maria Joaquina em época de eleição, vocês não tem nenhum benefício enquanto setor público, são pessoas que votam em Búzios, trabalham em Búzios, fazem tudo lá e a gente não consegue dar o mínimo de dignidade possível que é a limpeza de fossa, iluminação, etc. Mas eu, enquanto amigo, se Deus me permitir ser vereador, vocês podem contar comigo na saúde e educação. Porque, vocês tendo título de eleitor, a Constituição te permite esse direito.

Quando eu encerrei a população ficou me olhando e falaram para mim: Eu nunca vi uma pessoa falar a verdade, porque os políticos vêm aqui e mentem, falam que vão fazer isso e aquilo e não fazem. Então o que eu fiz virou um diferencial.

Prensa:  Com isso, você pode dizer então que como vereador eleito, assim que você assumir, você consegue ter esse compromisso com a Maria Joaquina que é garantir que eles tenham acesso à educação e saúde em Búzios?

Rafael: Com certeza, porque o SUS é para todo mundo. A única coisa que vamos ter que fazer perante eu junto com os nove vereadores, que temos que tentar unir em uma base bacana, é resolver o grande problema de hoje, que é o pós da consulta. Por exemplo, hoje alguém vai no ortopedista, a pessoa tem o direito do hospital. Porém o médico passa uma ressonância, então nós vamos ter que ver este mecanismo para que as pessoas tenham os exames específicos também.

O estudo que nós fizemos na época que eu era coordenador de todos os módulos, que peguei Cabo Frio por 15 dias, eu já tinha ido em Maria Joaquina, já tinha achado um espaço lá e o que o povo queria era eletro, cardiologista, ortopedista e obstetra. Isso é o que mais o povo de lá pede, porque são muitas mães, gestantes, muitas senhoras que precisam de ortopedista, e gente que toma remédio de pressão. Ás vezes a pessoa quer ir ao cardiologista para renovar a receita para comprar o remédio e não consegue.

Não é uma demanda muito difícil. É um trabalho que, se colocar um polo lá, matava a demanda de saúde de Maria Joaquina.

Prensa: Mas esta é uma coisa que não era possível de fazer porque é inconstitucional. Então você consegue garantir como vereador que, quem tiver o título de eleitor, que vote ali tenha acesso a uma parte do atendimento, que é a que a constituição já prevê. Isso?

Rafael: Sim.

Prensa: Uma coisa que é importante de perguntar é, se você foi o mais votado, se você começa a pensar que talvez você tenha a possibilidade de ser o presidente da Câmara? Claro que há uma eleição para isto, mas, geralmente é de praxe que o vereador que teve a votação mais expressiva acabe conseguindo ser o presidente. Você tem este desejo?

Rafael: Eu não tenho vaidade nenhuma em ser presidente. A votação que eu tive expressiva, Deus me concedeu pela humildade e habilidade que eu tenho com os demais colegas, eu sou amigo de todo mundo. Inclusive, eu quero aqui parabenizar os vereadores que conseguiram voltar, Dom de Búzios (PROS), Niltinho de Beloca (PROS), Josué Pereira (PRTB), porque é muito difícil você conseguir fazer a reeleição. Queria deixar registrado também o vereador Gugu de Nair (DEM), que estava há ¹oito anos longe do cenário político e o Lorram (PRTB), pelo o que passou na vida dele, em conseguir voltar, quero parabenizá-los, porque é realmente difícil, além do Victor Santos (Republicanos) que é meu irmão de bancada e o Aurélio Barros (Patriota) que é um guerreiro.     

Prensa: Você e o Victor são do mesmo bairro, inclusive moram bem próximos. Teoricamente, vocês até teriam disputado os votos do colégio eleitoral principal de, que vocês, que eria no bairro que vocês moram, a Cem Braças. Você acha que isso atrapalhou? Como vocês lidaram com isso, ainda mais sendo do mesmo partido?

Rafael: O Victor é um irmão, parceiro. A gente sentou na época e pensamos: Temos que trabalhar pelo bairro, sem vaidade. Ele é um garoto maravilhoso. Deus me deu a honra de ser o mais votado no bairro do Cem Braças, com 206 votos, o ²vereador Dida o segundo, e o Victor em terceiro.

A gente se dá super bem. Na quarta-feira depois da eleição, a gente já estava sentado na padaria, conversando, batendo papo.

Prensa: Você acabou não respondendo diretamente se gostaria de ser o presidente da Câmara.

Rafael: Gostaria, vou brigar pelo pleito, com muita humildade.

Prensa: Com esse seu perfil de rua, você acha que vai ser bom para o seu trabalho como vereador ser o presidente da Câmara?  É uma função que deixa o vereador muito na parte burocrática, administrativa, na organização do poder legislativo, sendo mais a parte interna do trabalho do vereador.  Você acha que vai conseguir manter esse trabalho de rua de estar pelos bairros, saber as demandas da população?

Rafael: Então, nós precisamos dar uma repaginada geral em Búzios. Esta eleição de vereador, tem pessoas que foram eleitas que as pessoas diziam que nunca iriam ganhar. A gente participou de uma política de inverdades o tempo todo. Como eu disse, nós tínhamos pesquisas acompanhando tudo, bairro por bairro, toda semana tinha pesquisa e as pessoas pregavam inverdades que fulano, sicrano estavam na frente, e não era nada disso.

A gente tinha a União como guia, o quanto que ia de percentual para cá, para lá, o quanto de ganho. E esta questão de eu ser presidente e estar na rua eu acho que já é a diferença. Se a gente tiver uma equipe técnica boa, que eu acho que já temos, de pessoas que agregam no legislativo, eu acho que a gente consegue fazer o papel do vereador, que é estar sempre na rua.

Mas eu tenho um pensamento diferente. Eu acho que teríamos que fechar uma van, e os nove vereadores vão fiscalizar, ter nove nas pautas da cidade, porque isso mostra que somos unidos, que temos um pensamento diferenciado.

Prensa: Seria quase levar as sessões para os bairros. Ao invés de a população ir até a Câmara, o órgão vai, em colegiado, até a população.

Rafael: A gente vai pegar uma cidade completamente nova no administrativo, se vê que não tem ninguém remanescente. O prefeito eleito, Alexandre Martins, que é meu amigo, já disse que vai ampliar e continuar o benefício de R$ 200 para os 8.156 estudantes, de R$1.000 para os professores buzianos. Então, ele realmente está preocupado em montar uma cidade para todo mundo.

E hoje tem gente que, 18 dias após a eleição, está torcendo para o avião cair. O Alexandre é piloto de um avião que está todo mundo na embarcação, e já estão pensando na queda.

Prensa: Você acredita que vai conseguir fazer um trabalho como vereador que chame a atenção da população, mesmo trabalhando na base do governo?  Com o Alexandre como prefeito, você vai estar ali como vereador da base, você acha que consegue fazer a fiscalização do governo? Por exemplo, muitas vezes a gente vê uma deficiência nisso com relação aos municípios, o legislativo fica muito como aquela parte de propor as leis, mas esquece da parte de fiscalização, que é fundamental.  

Rafael: Vamos fazer uma gestão que realmente fiscalize para resolver, não uma gritaria para você se aparecer. Porque, o que a população espera quando ela chega com uma denúncia ou manifestação de alguma coisa que não está funcionando, quando ela leva isso para a mim ou qualquer outro dos vereadores, ela espera que você pegue a demanda, fiscalize e resolva.

Isso é o que meu pai fez, e eu fiz na saúde. Ontem, por exemplo, mesmo depois de eleito, eu estava no hospital para ajudar a transferir o Alessandro Pompeo, lá de Maria Joaquina. Nem cartão do SUS ele tinha. Conseguiu pela identidade, e está hoje lá em Araruama. A família inteira dele me agradeceu, e eles nem votam em Búzios. Uma família que é tradicional de Maria Joaquina.

Isso é o que a população espera. É muito difícil a pessoa ganhar a eleição e voltar para agradecer. Eu estou voltando em todas as casas, olho por olho, um por um. Eu falo: Eu sei que você não votou em mim, mas eu não sou vereador só de quem votou, eu sou vereador de Búzios.

Prensa: As pessoas trabalham com bandeiras específicas para o mandato deles, você tem alguma bandeira específica que você acha que é o carro chefe do seu trabalho como vereador?

Rafael: Eu vou trabalhar muito com a questão da saúde, está é uma bandeira que eu amo, por amar cuidar das pessoas. Eu aprendi muito na saúde como funciona o fundo municipal de saúde, o que é unir, ter uma pessoa na regulação, entender de encaminhamentos, riscos cirúrgicos. Esta é uma bandeira que eu vou trabalhar, e a outra é o serviço público e social, que eu já levantei a bandeira há muito tempo.

Prensa: Agora, falando sobre os bairros. A gente falou do bairro do Cem Braças, local em que você teve uma votação bem expressiva. Búzios hoje tem uma problemática no bairro, que é o tráfico de drogas, uma questão que tem aumentado muito. Durante a campanha, teve muita informação de que o tráfico aproveitou o momento em que estava todo mundo focado nas eleições e teve uma grande extensão de jovens que foram autuados, que morreram. Infelizmente perdemos muitos jovens. Nós não vimos nenhum vereador tratar desse assunto como se fosse uma ação do legislativo. Geralmente se fala que esta é uma demanda da polícia, e não necessariamente é, porque pode serem criadas políticas públicas para isso.

Rafael: Eu falei isso no palanque. Hoje, o tráfico de drogas não é a polícia, é oportunidade. Eu moro lá há 31 anos. O bairro hoje é um lugar onde você pode deixar sua bicicleta na porta da sua casa, onde você não tem problema ter uma mulher que vai chegar de madrugada. O que está faltando ali é uma gestão do legislativo, executivo, do poder público atuar enquanto parceria. Hoje, as pessoas não tem mais campo de futebol para jogar, como na minha época tinha, não tem um emprego para o jovem aprendiz. 

O Guimarães (Super Mercado), no Cem Braças, gera 21 empregos, nenhum é do bairro. Todo mundo é do Tangará, Jardim Esperança. Se poderia se colocar ali oito jovens aprendiz de 17 ou 16 anos, com um salário.

Nós temos o Aretê, com quase 400 empregos, qual é a mão de obra local que a gente tem de lá? Hoje você entra lá, a mesma festa que é feita no centro de Búzios e no Cem Braças, olha a forma que a polícia chega nas duas festas. Será que a mesma maneira?

Prensa: Nesse caso você está tratando uma parte mais complexa que envolve como o Estado se manifesta em diferentes lugares do município, uma questão social.

Rafael: Não apenas em Cem Braças mas também em Baía Formosa, José Gonçalves, Vila Verde, Arpoador, Cruzeiro, no próprio Centro, Vila Caranga, você vê que são lugares que, de repente, falta oportunidade. Eu conheço muitos jovens que estão na vida errada porque não tem uma oportunidade de vida, de emprego.

Particularmente, eu tenho um projeto de reassociação que eu quero implementar. Hoje, o jovem é preso por alguma coisa, porque não pagou pensão, ou estava com habilitação falsa, por alguma coisa que ele errou, e olha como ele sai da cadeia. Eles já saem com uma discriminação, não têm acompanhamento psicológico, às vezes têm briga interna em casa com os pais, ou não têm os próprios pais.

A minha realidade é diferente de muitos por aí. Como eu moro ali há muitos anos, eu conheço todo mundo. Essa causa nós temos que tratar com oportunidade, em ouvir, em ter um mecanismo nos bairros para ser a voz dos lugares.

Prensa: Como está a sua visão de vereador com relação à sociedade civil organizada, com as associações de moradores e conselhos, que aliás, a cidade tem um sistema de conselhos muito bem elaborado que é até um modelo para outros municípios, mas não quer dizer que todos funcionem.  Na história de Búzios, muitos vereadores, prefeitos, trabalharam de forma contrária a estes conselhos, uma vez que eles são uma forma de controle social da população quanto ao legislativo e executivo. Você vai ser um vereador que vai ter proximidade com estes mecanismos de regulação social, onde a população consiga saber e estar junto à decisões que vêm do legislativo?

Rafael: Com certeza. Na próxima quarta-feira (9) eu vou estar com o governador e o deputado Rodrigo Bacellar (Solidariedade). Eu vou tentar conseguir testes de Covid-19. Não vejo ninguém preocupado com isso. Se cada um conseguir um pouquinho, a gente consegue ajudar muito, mas é o que eu falo, sem vaidade e servir todos os seguimentos.

No estudo, vimos que nós temos 390 salões de cabeleireiros, e não tem uma associação de saúde. Este é um segmento bacana? sim. Com um salão, hoje se pode pagar tudo, informação boa, ruim, a que dá certo a que não dá certo. Hoje, temos um segmento de pesca com quase 325 pescadores que vivem da atividade. Os caras não receberam o  auxílio.

Quando meu pai era vereador, eu participava do segmento de segurança pública. Você podia ouvir as pessoas dando informações, mas não se via ações do que era tratado nas reuniões. Porque não é só falar, você precisa agir, e hoje, ninguém quer agir. Porque quando se age, há um desgaste e isso ninguém quer fazer. A população espera de mim, como jovem, como uma pessoa que se dá bem com todo mundo, que eu realmente tenha as atitudes que eles esperam e que eu preguei na campanha, de estar ouvindo.

Eu quero até fazer uma reunião no bairro do Cem Braças, vou convidar todos os comerciantes, para dizer para eles que eu não quero nada deles, mas sim que eles me ajudem a ser um vereador atuante. Que eles me digam onde tem lâmpada queimada, bueiro entupido, buraco para calçar, isso já é uma forma diferente. Se criar um grupo de WhatsApp, deixa o meu telefone, o comandante da polícia que seja, dá para ter um controle.

Ás vezes, o cara está em um comércio lá na Rua Clotildes, tem três lâmpadas apagadas e não tem aonde pedir e fica dois, três meses assim. Existem comerciantes no bairro que não conhecem o vereador, que não tem o contato do secretário de serviços públicos, não tem o mecanismo de pedir.

Então precisamos facilitar e encurtar isso em todos os bairros. Por exemplo, precisamos cada vereador pegar os contatos nos bairros e estar se comunicando 24 horas. Hoje, as pessoas estão brigando por espaço, sendo que são 30 mil habitantes, então não precisa ficar brigando um com o outro, é preciso ser adepto um ao outro, mas ter união com todo mundo. É o que eu sempre preguei na minha campanha.

Prensa: Você sofreu com Fake News, essas informações falsas, teve muita coisa nesse sentido?

Rafael: Eu fui o que mais apanhei na campanha, eu acho. Eu tenho um caráter próprio, sou muito verdadeiro, não tenho empresário por trás que me banca, fiz a minha campanha com meu grupo de amigos e meu grupo político que acredita em mim, com meu pai, e com a ajuda do nosso amigo, prefeito Alexandre Martins, na composição de partido, então eu não tenho compromisso com ninguém e sou muito à vontade de falar isso. O que é o Fake News? É quando se prega inverdades. Se a pessoa ainda faz um Fake News que é verdade, a gente aceita. Agora fazer inverdades? Poxa, a gente apanhou muito. Tem gente que é dono de blog de 150 páginas, e só sabe falar mal das pessoas, que prega o mal.

Eu quero até deixar aqui, que eu fiz uma denúncia na cidade da polícia, fui o primeiro e único vereador lá, e levei um dossiê dentro de um envelope, com endereço, IP de computador, página encontrada, e telefone. O delegado me ligou e falou que isso é crime cibernético, e que irão dar seguimento e prender uns três em Búzios para servir de exemplo.

Prensa: São IPs e páginas que estão ligadas à informações falsas?

Rafael: Sim, a polícia vai investigar e a gente entregou tudo. Tem gente que mora na Vila Verde, que fala que é ambientalista e tinha quatro computadores para falar inverdades dos outros. Eu não tenho nada a esconder de ninguém e todo mundo me conhece.

Eu fiz uma campanha limpa, de verdade, não falei mal de ninguém, só falei de propostas o tempo todo, de creche em tempo integral no verão, que as mães me pediram. Enquanto eles estavam preocupados em bater na gente com Fake News, a gente estava trabalhando.

Prensa: Falando de mães, você está falando de mulheres. Nenhuma mulher foi eleita. Elas podem se sentir representadas em todas estas demandas na Câmara de Vereadores?

Rafael: Com certeza. Eu tenho uma boa amizade com todas as mulheres. da A Kiki, a Érica, que levantava a bandeira contra a pedofilia, que é um tema maravilhoso, Bianca do Pró-Vida, Bia, representando a saúde, Cláudia Valéria, da causa animal, uma causa maravilhosa.

Prensa: Eu estou falando diretamente de casos que envolvem a mulher. Por exemplo, em Búzios existe um alto índice de sub-notificação de estupro e violência doméstica. São demandas muito sérias que são sempre mal tocadas por ter uma gestão sempre muito masculinas, até machista mesmo. Tivemos duas mulheres na Câmara, que fizeram a parte delas também. Mas agora não terá nenhuma, e isto é um pouco preocupante. Este tipo de preocupação vai estar no radar da Câmara neste quatro anos?

Rafael: Sim, com certeza. Eu me comprometo. O prefeito eleito irá criar uma secretaria da mulher, que já está em pauta para atender este anseio da população. Eu acho que outros municípios nunca tiveram uma secretaria da mulher, com psicólogo, mulheres que são assediadas, será para atender estes casos.

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