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Cidades

A Crise do Papel

José Carlos Alcântara é consultor empresarial e Assessor da Presidência da ACRJ Associação Comercial do Rio de Janeiro
José Carlos Alcântara é consultor empresarial e Assessor da Presidência da ACRJ Associação Comercial do Rio de Janeiro

Por José Carlos Alcântara

jose-carlos1A primeira edição do Jornal da Tarde circulou no dia 4 de Janeiro de 1966. O JT foi idealizado por Mino Carta, com a ajuda do jornalista e publicitário Murilo Felisberto. A família Mesquita deu-lhes a tarefa de conceber um novo modelo de jornal no país, mais ousado, além de inspirado nas mudanças culturais e de comportamento, refletindo as transformações dos anos 60.

Ele foi distribuído como um jornal vespertino de 1966 até 1988, quando se tornou um jornal matutino. Sob o comando desses jornalistas, o JT tornou-se a voz da oposição ao regime militar, contrapondo-se ao conservador “Estadão”, do mesmo grupo empresarial. Na época do seu lançamento, sua redação era formada pela nata dos jovens talentosos jornalistas do Brasil.

“Eu tenho boas lembranças daquele tempo e de quem trabalhou comigo. Nós revolucionamos, tanto na paginação quanto no texto. Acreditávamos que o jornalismo era uma forma de literatura, coisa que se perdeu no jornalismo brasileiro. Achávamos que a investigação era fundamental, que reportagens bem trabalhadas e profundas eram fundamentais para o êxito do jornal”, declarou Mino Carta.

Além de ousadia gráfica e da paginação original, as capas do JT se tornaram em ícones do jornalismo impresso, como aquela do menino chorando a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 1982 na Espanha, que deu a Reginaldo Manente o Prêmio Esso de Fotografia daquele ano.

Em 16.11.1985, eu me lembro que estava no Posto 9 em Ipanema, quando um paulista provocou a turma que ficava debaixo da bandeira do PT na Barraca do Uruguai, ao erguer a capa do JT com a notícia da eleição do novo Prefeito de São Paulo que mostrava o Jânio Quadros com a boca aberta e os olhos revirados como um zumbi. O Jards Macalé levantou-se, arrancou-lhe o jornal, rasgando-o para delírio da galera que aplaudia e gritava: Foraaaa!

Mas, isso era no tempo em que o jornal impresso era semelhante a uma bandeira que se agitava para demonstrar indignação. Hoje em dia, como não há mais interação cultural com a imprensa, os grandes jornais, agora lidos com desconfiança e desprezo, saem de cena e nós nem mesmo sentimos mais falta deles.

Criada há quase 80 anos a revista semanal Newsweek deixará de ser impressa no início de 2013 e passa a ter apenas a edição digital. Com problemas financeiros, a publicação lançada em 17.02.1933 era desde então uma das mais importantes revistas americanas e internacionais. A última edição impressa chega às bancas em 31.12.2012.

Em 2003, com uma tiragem de 4 milhões de exemplares semanais, a Newsweek seguiu a mesma tendência de publicações impressas que passaram a enfrentar sérios problemas financeiros com a expansão das mídias digitais. Ela não conseguiu imprimir mais do que 1,5 milhão de exemplares no primeiro semestre deste ano. Já havia sido vendida ao jornal The Washington Post em 1961 que vendeu-a ao site jornalístico The Daily Beast em 2010 pelo valor simbólico de um dólar. O seu novo portal se chamará Newsweek Global e buscará ampliar seu público através de investimentos em tablets e smartphones.

Assim como o JB Jornal do Brasil em 31.08.2010, o JT Jornal da Tarde deixou de ser impresso em 31.10.2012, indicando que, com a crise do papel, fica claro que o acesso ao noticiário eletrônico através das mídias digitais será o formato preferencial da leitura jornalística no futuro. E estaremos tão indignados que nos perguntaremos: — Mas e agora, como é que nós vamos embrulhar o peixe no dia seguinte?

A Crise do Papel

José Carlos Alcântara é consultor empresarial e Assessor da Presidência da ACRJ Associação Comercial do Rio de Janeiro
José Carlos Alcântara é consultor empresarial e Assessor da Presidência da ACRJ Associação Comercial do Rio de Janeiro

Por José Carlos Alcântara

jose-carlos1A primeira edição do Jornal da Tarde circulou no dia 4 de Janeiro de 1966. O JT foi idealizado por Mino Carta, com a ajuda do jornalista e publicitário Murilo Felisberto. A família Mesquita deu-lhes a tarefa de conceber um novo modelo de jornal no país, mais ousado, além de inspirado nas mudanças culturais e de comportamento, refletindo as transformações dos anos 60.

Ele foi distribuído como um jornal vespertino de 1966 até 1988, quando se tornou um jornal matutino. Sob o comando desses jornalistas, o JT tornou-se a voz da oposição ao regime militar, contrapondo-se ao conservador “Estadão”, do mesmo grupo empresarial. Na época do seu lançamento, sua redação era formada pela nata dos jovens talentosos jornalistas do Brasil.

“Eu tenho boas lembranças daquele tempo e de quem trabalhou comigo. Nós revolucionamos, tanto na paginação quanto no texto. Acreditávamos que o jornalismo era uma forma de literatura, coisa que se perdeu no jornalismo brasileiro. Achávamos que a investigação era fundamental, que reportagens bem trabalhadas e profundas eram fundamentais para o êxito do jornal”, declarou Mino Carta.

Além de ousadia gráfica e da paginação original, as capas do JT se tornaram em ícones do jornalismo impresso, como aquela do menino chorando a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 1982 na Espanha, que deu a Reginaldo Manente o Prêmio Esso de Fotografia daquele ano.

Em 16.11.1985, eu me lembro que estava no Posto 9 em Ipanema, quando um paulista provocou a turma que ficava debaixo da bandeira do PT na Barraca do Uruguai, ao erguer a capa do JT com a notícia da eleição do novo Prefeito de São Paulo que mostrava o Jânio Quadros com a boca aberta e os olhos revirados como um zumbi. O Jards Macalé levantou-se, arrancou-lhe o jornal, rasgando-o para delírio da galera que aplaudia e gritava: Foraaaa!

Mas, isso era no tempo em que o jornal impresso era semelhante a uma bandeira que se agitava para demonstrar indignação. Hoje em dia, como não há mais interação cultural com a imprensa, os grandes jornais, agora lidos com desconfiança e desprezo, saem de cena e nós nem mesmo sentimos mais falta deles.

Criada há quase 80 anos a revista semanal Newsweek deixará de ser impressa no início de 2013 e passa a ter apenas a edição digital. Com problemas financeiros, a publicação lançada em 17.02.1933 era desde então uma das mais importantes revistas americanas e internacionais. A última edição impressa chega às bancas em 31.12.2012.

Em 2003, com uma tiragem de 4 milhões de exemplares semanais, a Newsweek seguiu a mesma tendência de publicações impressas que passaram a enfrentar sérios problemas financeiros com a expansão das mídias digitais. Ela não conseguiu imprimir mais do que 1,5 milhão de exemplares no primeiro semestre deste ano. Já havia sido vendida ao jornal The Washington Post em 1961 que vendeu-a ao site jornalístico The Daily Beast em 2010 pelo valor simbólico de um dólar. O seu novo portal se chamará Newsweek Global e buscará ampliar seu público através de investimentos em tablets e smartphones.

Assim como o JB Jornal do Brasil em 31.08.2010, o JT Jornal da Tarde deixou de ser impresso em 31.10.2012, indicando que, com a crise do papel, fica claro que o acesso ao noticiário eletrônico através das mídias digitais será o formato preferencial da leitura jornalística no futuro. E estaremos tão indignados que nos perguntaremos: — Mas e agora, como é que nós vamos embrulhar o peixe no dia seguinte?

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