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	<title>Arquivo de Sandro Peixoto - Prensa de Babel</title>
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	<description>Portal de Notícias da Região dos Lagos</description>
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	<title>Arquivo de Sandro Peixoto - Prensa de Babel</title>
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		<title>A epopeia dos cem reais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 14:24:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
		<category><![CDATA[100 reais]]></category>
		<category><![CDATA[Búzios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tempos atrás eu tinha uma loja de conveniência na Praça Santos Dumont, a Glamour Zero. Um dia, o funcionário me ligou e perguntou se eu não poderia ficar um pouco na loja pois ele teria que fazer um depósito bancário para pagar a mensalidade da faculdade do filho. Óbvio que disse sim, pois um pai [&#8230;]</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1917035335"><div id="prens-2698810216"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="QUADRADO HOME 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/QUADRADO-HOME-2.png" alt=""  width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Tempos atrás eu tinha uma loja de conveniência na Praça Santos Dumont, a Glamour Zero. Um dia, o funcionário me ligou e perguntou se eu não poderia ficar um pouco na loja pois ele teria que fazer um depósito bancário para pagar a mensalidade da faculdade do filho. Óbvio que disse sim, pois um pai que cuida da educação do filho deve ser ajudado por menor que seja a ajuda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Era quase duas da tarde e eu, de banho tomado me preparava para um cochilo. A cama estava preparada, o ar-condicionado ligado e eu pronto para cair nos braços de Morpheu. Coloquei bermuda, uma camiseta qualquer, desci a escada e fui em direção a loja que ficava 20 metros adiante.<br>Ao chegar o funcionário estava do lado de fora fumando um cigarro. Ao me ver, como se pedisse desculpas, tirou o dinheiro do depósito do bolso e me mostrou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Vou no Bradesco e volto rápido .</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem nada responder entrei na loja, me posicionei frente ao balcão e assumi a responsabilidade de atender a clentela mas estávamos na baixa temporada e o movimento, fraco. Peguei o celular e comecei a rolar a tela em busca de algo interessante quando uma moça se aproximou do balcão e me mostrou uma nota de cem reais.<br>Eu tive a impressão que ela estava com nojo da cédula pois a segurava por uma das extremidades usando o polegar e o indicador.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2774273598"><div id="prens-3315463524"><a href="https://www.instagram.com/tourshopbuzios/" target="_blank" aria-label="Jornal Prensa de Babel (1)"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Jornal-Prensa-de-Babel-1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Jornal-Prensa-de-Babel-1.png 1200w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Jornal-Prensa-de-Babel-1-300x37.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Jornal-Prensa-de-Babel-1-1024x127.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Jornal-Prensa-de-Babel-1-768x95.png 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" width="1200" height="149"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">-Achei aqui no chão. Alguém deve ter perdido e pode ser que volte. Você pode guardar?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu disse que sim e coloquei o dinheiro em cima do mostruário de cigarros, para não misturar com os da loja. Ela foi saindo devagar e atentei para um detalhe: e se ninguém aparecesse?<br>A chamei e pedi que ela voltasse mais tarde, pois se não houvesse reclamação, o dinheiro seria dela afinal, ela o encontrou.<br>Sem nada responder ela concordou com um acenar de cabeça e seguiu seu destino.<br>Nesse momento passei a observar melhor a pessoa.<br>Era uma jovem mulher, que parecia ter pouco mais de 30 anos, carregava um capacete de moto numa das mãos e uma bolsa no ombro esquerdo. Devia trabalhar em lojas ou restaurantes do Centro imaginei. Tinha esse perfil.Quando o funcionário voltou do banco, mostrei os cem reais e contei a história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Se alguém aparecer entrega, pedi enquanto voltava pra casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um detalhe: até aquele momento, só a moça, eu e ele sabíamos do achado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cheguei enfim em casa e fui tentar dormir um pouco pois as seis da tarde eu iria trabalhar. Era folga do funcionário da noite. Mal prego os olhos e meu celular toca. Era o funcionário de novo.<br>Desta vez ele queria apenas falar e começou se desculpando. Disse que não sabia bem como começar e que estava até constrangido em me ligar.<br>No entanto foi direto ao assunto e falou que quando chegou ao caixa eletrônico para fazer o depósito, percebeu que faltava cem reais e provavelmente o dinheiro achado era dele</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Você lembra que contei a grana na tua frente? Acho que quando fui colocar no bolso de trás da bermuda uma nota caiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu lembrava muito bem da cena e sim, ele estava falando a verdade. O autorizei a pegar a grana e ele disse que como não tinha certeza se realmente lhe pertencia, iria esperar um pouco até alguém reclamar ou não. Achei muito correta a atitude e concordei.Alguns minutos depois o celular volta a tocar e era o funcionário novamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Me fudi!, foram suas primeiras palavras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Chegou um cara aqui dizendo que perdeu cem reais. É cliente nosso, dirige buggy. Aliás o carro está embaixo de tua janela e ele está acabando de sair.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Levantei rápido da cama, abri um lado da janela e apenas ouvi o barulho típico dos motores de fusca comumente usados nos Buggys se afastando.<br>Ainda com o celular ligado, lamentei o azar do funcionário e voltei a ( tentar) descansar.<br>Mas não pude. Meia hora depois ele ligou de novo contando uma história que só por ela, resolvi escrever esse texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Você não vai acreditar: o cara do Buggy voltou e me devolveu o dinheiro. Disse que na verdade havia perdido 50 reais mas que ao ouvir a história, ele apresentou como o dono. Só que ao chegar em casa contou a verdade a esposa e ela se revoltou e o mandou me devolver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tentativa de golpe só se deu porque o funcionário de maneira ingênua, perguntou a alguns clientes se algum deles havia perdido cem reais. Certamente o cara do Buggy ouviu. A loja ficava numa esquina e era possível escutar sem ser visto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a tentativa do golpe só deu errado porque entrou uma mulher decente no caso e aqui vem a parte boa dessa história. Ela só teve um final feliz porque começou e acabou com mulheres decentes.<br>Dito isso, finalizo com um pedido: vamos amar e respeitar mais as mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em tempo: a moça que achou o dinheiro passou depois na loja. Contei a história de maneira sintetizada e ela sorriu. E sempre que eu a encontrava, perguntava se não havia achado dinheiro outras vezes. E ela apenas balançava a cabeça negativamente.</p>
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		<title>As placas</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/placas-comportamento-urbano-cronica-sandro-peixoto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 13:53:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A proibitiva A história das placas informativas remetem ao Império Romano, e começou na verdade em colunas de pedras colocadas as longo das estrada informando a distância em relação a cidade de Roma &#8211; o centro do mundo à época. Com o tempo, elas evoluíram e passaram a ter características próprias, como as placas regulamentação, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1917035335"><div id="prens-1859982273"><a href="https://www.sophiaeditora.com.br/o-homem-que-vomitava-sapos-de-victor-p-viana" target="_blank" aria-label="300 (1)"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-1.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-1-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"><strong>A proibitiva</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A história das placas informativas remetem ao Império Romano, e começou na verdade em colunas de pedras colocadas as longo das estrada informando a distância em relação a cidade de Roma &#8211; o centro do mundo à época.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o tempo, elas evoluíram e passaram a ter características próprias, como as placas regulamentação, advertência, indicação, promoção, vendas, etc.Em geral, as placas são usadas como ferramentas de comunicação ráppida e ess<br>2⁰enciais para sinalizar, orientar e identificar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gosto muito de ler e leio de tudo. De bulas de remédios à placas informativas e algumas não esqueço.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2774273598"><div id="prens-468481129"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="BANNER 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png 1069w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-300x72.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-1024x247.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-768x185.png 768w" sizes="(max-width: 1069px) 100vw, 1069px" width="1069" height="258"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Lembro bem o dia em que, acompanhando do ilustre Cabelada, conheci o tradicional Bar Petisco da Vila, na esquina da Avenida 28 de Setembro com a Rua Visconde de Abaeté no bairro de Vila Isabel, onde morei por uns meses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vila Isabel, terra de Noel Rosa com suas calçadas de pedras portuguesas com partituras musicais. E bares como o Petisco eram lugares preferidos de cantores, compositores e amantes da boa música.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto sorvia um geladissimo chope Brahma escuro, olhavam curioso o entorno em busca de alguém famoso, como Martinho da Vila, velho frequentador da casa. Enquanto alimentava minha curiosidade e matava minha sede, Cabelada seguia falando com todos que passavam. Ele era uma espécie de astro do lugar pois havia vencido por dez anos seguido o Concurso do 171 do bairro. Era tão favorito que virou Hors- concours, ou seja, proibido de concorrer. Não, ser 171 no caso, não era ser literalmente estelionatário, mas apenas um sujeito experto, um malandro carioca que dava um jeito em tudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto o Cabelada contava suas histórias eu seguia olhando tudo e qual não foi minha surpresa ao ver no perfil inferior da mão francesa que sustentava o toldo uma pequena placa retangular de madeira onde se lia: proibido batucar nas mesas.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="183" height="275" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/download-32.jpg" alt="" class="wp-image-164012"/><figcaption class="wp-element-caption">Cabelada. </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Confesso que achei estranho. Ora, aquele era um templo sagrado da boêmia e da música carioca. A maior referência de um dos bairros mais musicais do Rio de Janeiro. Um lugar perfeito para puxar um sambinha numa roda de amigos. Segurei minha curiosidade a esperei meu companheiro de mesa e de copo parar de falar.<br>Quando enfim ele ficou sozinho, eu revelei minha curiosidade.<br>Cabelada virou o copo de chope, levantou a mão para um garçom pedindo mais dois e como se falasse para uma criança, me explicou em voz baixa e quase que separando as silabas.<br>&#8221; Nesse bairro todo mundo canta, todo mundo toca algum instrumento, todos têm motivos para comemorar seja o que for. Se liberar, isso aqui vai virarvum inferno&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O garçom chehou e colocou os chopes na mesa. Peguei o meu, dei um belo gole e concluir que eu era um idiota.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Liberal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra placa inesquecível eu vi no saudoso Restaurante Brigitta’s , que ficava na Rua das Pedras , quando a famosa rua ainda tinha Glamour. Para quem não teve o privilégio de comer naquele templo gastronômico, vou tentar traduzir o ambiente.<br>Originalmente havia um bar na parte que dava frente pra rua e na calçada, umas 4 ou 5 mesas onde sentavam pessoas que queriam ver, e serem vistas. O restaurante na verdade, ficava na parte interna, acessada por um estreito corredor que se abria para um salão com vista para o mar.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img decoding="async" width="400" height="300" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Rio-de-Janeiro-053.jpg" alt="" class="wp-image-164013" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Rio-de-Janeiro-053.jpg 400w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Rio-de-Janeiro-053-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption class="wp-element-caption">Brigitta’s, no centro da foto, a propietário do restauranre épico </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Uma churrasqueira espalhava cheiros de lagostas, peixes e churrasco pelo ambiente e uma imensa cama de ferro numa área mais reservada e meio protegida por cortinas de voil completava a caótica e ao mesmo tempo singular, decoração ambiente.<br>Detalhe: se um casal desejasse, podiam serem servidos na cama e se a mulher ficasse de topless, a conta teria 50% de desconto. E sim, algumas mulheres ousaram pagar menos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O salão principal era composto de mesas e cadeiras coloridas, quadros floridos pelas paredes, plantas tipo trepadeiras nas colunas e lâmpadas de cores psicodélicas completavam o cenário. E lá no fundo, rente a janela que dava vista para o mar, uma mesa de tipo bristô, para apenas um casal, era uma das mais concorrida da casa. Tudo porque havia uma placa onde se lia &#8220;PERMITIDO FUMAR&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A inútil</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="746" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor-1024x746.jpg" alt="" class="wp-image-164011" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor-1024x746.jpg 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor-300x219.jpg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor-768x559.jpg 768w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Uma noite, fui convidado por um amigo para jantar na Pizzaria Lumberjack, que ficava no bairro dos Ossos. Não gosto de pizza, por escolha, jamais comeria alguma mas no caso, eu tinha que ir. O amigo era fraterno e a pizza, uma das melhores de Búzios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A noite estava perfeita e as margens da lagoa ao lado, barracas de madeira ofereciam vários tipos de comida. Estávamos no segundo final de semana do Festival de Gastronomia e a Pizzaria estava lotada. Pedimos umas cervejas, uma pizza brotinho cortada a francesa e a conversa começou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minutos depois, tive vontade de ir ao banheiro. Chegando lá, o mesmo estava ocupado e com calma, esperei minha vez. A porta abriu e saiu um amigo. Nos cumprimentamos com um boa noite e fui me aliviar.<br>Ao terminar,esperei com calma o último pingo que sempre cai na cueca e vi a placa que me trouxe até aqui. Era uma placa até bonita. Fundo branco com letras azuis e em três idiomas. Português, espanhol e inglês. Oʻe<br>Dava um recado simples, mas ao meu modo de ver, inútil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CUIDE BEM DESSE BANHEIRO. LEMBRE-SE QUE DEPOIS DE VOCÊ, OUTRA PESSOA O USARÁ.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quase rindo cometei comigo mesmo.<br>E desde quando o ser humano se preocupa com os outros?<br>Mesmo sabendo que vai voltar naquele lugar, a pessoa nem se preocupa consigo mesmo, que dirá com estranhos que virão depois. Xixi no chão mais que na privada é a regra nos banheiros masculinos. E nem descargas a maioria dá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Penso que uma placa mais simples,ao menos nos banheiros dos homens, faria mais sentido. Bastava escrever assim:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Chegue mais perto, ELE não é tão grande quanto você imagina.</strong></p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="565" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg" alt="" class="wp-image-160955" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg 565w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado. </figcaption></figure>
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		<title>Três vezes não</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/tres-vezes-nao-historia-carro-roubado-buzios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 10:41:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
		<category><![CDATA[Búzios]]></category>
		<category><![CDATA[Carro]]></category>
		<category><![CDATA[Roubo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Três vezes não Éramos mais que amigos. Quase irmãos. Ele repetia aos quatro cantos que só estava em Búzios por minha causa.O conheci em 1997, na saudosa Pousada/Bar A Estalagem, na Rua das Pedras, que havia arrendado do Bruce Henry um ano antes. Se apresentou como contrabandista (a palavra é essa mesma) de whisky, bebidas [&#8230;]</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1917035335"><div id="prens-2886773059"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg 656w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"><strong>Três vezes não</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Éramos mais que amigos. Quase irmãos. Ele repetia aos quatro cantos que só estava em Búzios por minha causa.<br>O conheci em 1997, na saudosa Pousada/Bar A Estalagem, na Rua das Pedras, que havia arrendado do Bruce Henry um ano antes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se apresentou como contrabandista (a palavra é essa mesma) de whisky, bebidas em geral e cigarro Gudang Garam. Tudo made in Paraguai.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, ele vendia whisky falsificado, mas também tinha produtos originais. Ficava ao sabor do cliente. Eu comprava pouco, mas usei minha influência e o apresentei a outros comerciantes — o que fez aumentar suas vendas.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2774273598"><div id="prens-468481129"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="BANNER 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png 1069w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-300x72.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-1024x247.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-768x185.png 768w" sizes="(max-width: 1069px) 100vw, 1069px" width="1069" height="258"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">E assim, passou a morar em Manguinhos e, entre uma e outra ida à Praia de João Fernandes para entregar mercadorias, conheceu um argentino decepcionado com a cidade e passou a alugar os caiaques que o gringo acreditava que o fariam rico. Meu amigo herdou uma dívida, vários caiaques e um bugre. E, em pouco tempo, virou referência na praia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Carioca do bairro do Méier, sempre gostou de jogos e, por algum tempo, comandou as mesas de baralho no Morro do Alemão. Preparava as mesas, servia cafezinho, controlava as apostas e, claro, ficava com parte do rateio. Sendo assim, sempre ganhava. A casa sempre ganha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Teve infância e adolescência fartas graças ao pai, que trabalhava na melhor loja de produtos alimentícios importados da época. Por causa da ascendência paterna, tinha acesso ao que havia de melhor da cultura italiana — o que favoreceu seu paladar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quebrado em Búzios, tentava de tudo para se reerguer e voltar a ser o que foi um dia: um bon vivant afeito a bons whiskies, cigarros importados e comidas de primeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parou de vender bebidas e se dedicou totalmente ao negócio da praia, e viu a vida melhorar: comprou carros, barco, criou um bolão com jogos de futebol e ficou tão famoso que alguns amigos tentaram levá-lo para a política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recusou de primeira. Dizia que políticos eram todos corruptos, ladrões etc. Mas ele mesmo não era nenhum exemplo de bom cidadão. Quase sempre vestido com uma jaqueta camuflada, repetia que, na época da ditadura militar, o Brasil era melhor. Porém, nada fazia para melhorar a pátria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não gostava de pagar as contas. Comprou a prazo dois carros usados de amigos, pagou algumas prestações e depois se fingiu de morto. Fez o mesmo com o dono do barco, outro amigo que lhe perdoou a dívida. Costumava alugar casas por um valor específico e, com o passar dos dias, começava a colocar defeitos nos imóveis para pedir descontos. Um senhorio menos atento poderia acabar pagando em vez de receber.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cara era terrível. Dirigia bêbado e com habilitação vencida. Tinha sempre que podia “gato” na água e na luz. Internet, sugava da vizinhança.<br>“Nunca dei um cheque bom”, era esse seu bordão. O famoso 171 brasileiro.<br>Mas era um sujeito bom, apesar de tantos defeitos. Vivo hoje, seria mais bolsonarista que o próprio Bolsonaro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma noite, esse amigo de quem tenho saudades bebeu demais no meu bar — coisa que fazia com frequência. Teimou em voltar dirigindo e tentei evitar. Como último recurso, propus dirigir o carro até sua casa e voltar de táxi. Ele aceitou e fomos até a rua onde o carro estaria, uma quadra adiante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como não respeitava quase nenhuma regra, estacionava seu carro numa das duas vagas do Ministério Público, coisa que quase ninguém ousava. Chegamos lá e, para nossa surpresa, o veículo não estava. Nem o tradicional flanelinha da rua para nos dar alguma informação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rebocado não foi, pois esse serviço não havia na cidade. Só podia ter sido roubo — afinal, estávamos no verão, época em que esse tipo de crime aumenta. Ele ficou puto, falou que ia ligar para um amigo delegado, para um general etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu, mais tranquilo, acreditava mesmo que o carro deveria estar em outro lugar. Chamei um táxi e pedi para levar o bêbado até sua casa. Por instinto, lhe pedi as chaves do veículo. Voltei ao bar e, horas depois, o fechei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com as ruas quase vazias, saí em busca do tal carro roubado e o encontrei uns duzentos metros de onde deveria estar. Levei até a rua onde morava e o deixei defronte à janela do meu quarto, num sobrado onde vivi por 25 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por causa do trabalho, dormia e acordava tarde, mas meu amigo, dono de barraca de praia, acordava cedo. Refeito da bebedeira, lembrou onde havia deixado seu Fiat Palio com B.A., a famosa busca e apreensão por falta de pagamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chamou seu funcionário de maior confiança, lhe entregou a chave reserva e indicou o local onde deixou o bem. O funcionário, ao chegar ao local, não encontrou o veículo. Tentou avisar ao patrão, mas ele já estava na praia e, lá, o sinal do celular não funcionava bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse lapso de tempo é muito importante nessa história, e peço que prestem bem atenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O amigo, sem informações, trabalhando na praia; eu, dormindo; e o funcionário indo em direção à casa lotérica. E foi nessa caminhada que ele passou em frente à minha casa, encontrou o carro e, sem ter como avisar ao patrão, o levou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minutos depois, meu amigo me liga e, antes que eu fale qualquer coisa, lamenta:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Poxa, Sandro, roubaram meu carro mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Não, amigo. Você não o deixou em frente ao MP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Eu sei. Lembrei de manhã e mandei o Gerê ao lugar certo, e o carro não estava lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu estava em pé e, antes de informar que o carro estava em frente à minha casa, abri a janela e&#8230; cadê? O mesmo não estava lá.<br>E então foi a minha vez de errar:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Roubaram mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E foi assim que, por algum tempo, o mesmo carro havia sido roubado três vezes — e nenhuma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi somente quando o funcionário chegou à praia que o mistério foi resolvido</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="565" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg" alt="" class="wp-image-160955" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg 565w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sandro Peixoto, jornalista e cronista, em Búzios foi repórter por mais de uma decáda de O Perú Molhado. </figcaption></figure>
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		<title>Pernas pra que te quero</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/perna-cabeluda-cemiterio-dos-ossos-buzios-memoria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Feb 2026 21:54:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A perna cabeluda Em 1977, ano em que se situa o filme O Agente Secreto do Diretor Kleber Mendonça Filho,eu tinha 12 anos e morava numa cidade cerca de 60 quilômetros do Recife. Era uma cidade canavieira na Zona da Mata Norte de Pernambuco e ainda bastante tranquila. O Brasil vivia um momento brutal politicamente [&#8230;]</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1917035335"><div id="prens-2812616471"><a href="https://www.amazon.com.br/Crian%C3%A7a-Debaixo-Do-Guarda-chuva/dp/6558751399" target="_blank" aria-label="300"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"><strong>A perna cabeluda</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1977, ano em que se situa o filme O Agente Secreto do Diretor Kleber Mendonça Filho,eu tinha 12 anos e morava numa cidade cerca de 60 quilômetros do Recife. Era uma cidade canavieira na Zona da Mata Norte de Pernambuco e ainda bastante tranquila. O Brasil vivia um momento brutal politicamente falando. O general Ernesto Geisel era o ditador da hora e seu governo estava rachado pois o mesmo havia começado o que se chamou de abertura política &#8221; lenta, gradual e segura&#8221; o que desagrada os militares de linha dura, que queriam manter não só as mamatas, como também aumentar a brutalidade de terror contra o povo que não aceitava calado o regime ditatorial. É bom lembrar que nessa época a resistência armada já havia sido derrotada, os maiores líderes estavam mortos, presos ou refugiados e havia uma ainda incipiente reação com os movimentos estudantis, a reorganização sindical e as greves no ABC Paulista, onde surgiu o que viria ser a maior liderança política de esquerda da América Latina . Luis Inácio Lula da Silva.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="275" height="183" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/download-20.jpg" alt="" class="wp-image-162139"/><figcaption class="wp-element-caption">repodrução de jornal da época </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Se no Rio em São paulo a repressão era comandada pelos cabeças, no Recife quem promovia o terror e a carnificina eram, por assim dizer, os guardas da esquina. Policiais de merda que se achavam representantes dos golpistas da casa grande.<br>E não foi por falta de aviso: em 1968, durante o comando do general Costa e Silva, o então vice Pedro Aleixo ( um civil colocado na vice-presidência para fingir normalidade democrática) se negou a assinar o AI-5, ato institucional que endurecida ainda mais as regras do regime.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">-não temo o poder do alto comando, o que me assusta é o poder que daremos ao guarda da esquina.<br>Em outras palavras, foi mais ou menos isso que ele falou.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2774273598"><div id="prens-810794157"><a href="https://prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="Retangulo 10 anos"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos.png 1200w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-300x131.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-1024x447.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-768x335.png 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" width="1200" height="524"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Esses &#8220;guardas de esquinas&#8221; tocavam o terror no estado de Pernambuco e eram temidos por todos. Um dia, surgiu a lenda urbana de uma perna masculina decepada e cabeluda que saltitando pelas ruas,perseguiam as pessoas dando-lhes chutes, rasteiras e pasmem, até tapas. E o que era comentado nas mesas de bares, filas de supermercados, roletas de ônibus a saídas de missas ganhou as páginas dos jornais. Algumas vezes os casos da perna eram usados para tapar buracos da edição quando alguma matéria caia por causa da censura. Quem acreditava na lenda se deliciava com os textos bem escritos pelos jornalistas e quem tinha um pouco de juízo entendia que a censura havia escondido algo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Distante da capital, a perna cabeluda demorou a chegar em minha cidade. Mas num domingo após o almoço, quando saía de casa para jogar futebol com uns amigos num campinho de terra batida, fui aconselhado por uma senhora a voltar.<br>-Volta pra casa meu filho. A perna cabeluda foi vista na Estrada Nova. Está todo mundo trancando as casas.<br>Ouvi com respeito e segui meu caminho. Aquilo não fazia sentido. Se eu não acreditava em Deus, como poderia acreditar numa perna que saltita sem rumo?  E essa foi a única vez que eu estive próximo de ver a assombração.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A outra perna</strong></p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="275" height="183" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/download-19.jpg" alt="" class="wp-image-162138"/><figcaption class="wp-element-caption">O Cemitério de Sant&#8217;Anna ou apenas &#8220;dos Ossos&#8221;</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Anos depois em Búzios, repórter do <strong>O Perú Molhado</strong>, fui designado pelo Editor Marcelo Lartigue para fazer pela enesima vez, a cobertura do dia de Finados no Cemitério dos Ossos. Nome mais correto para um cemitério não existe.<br>O mês de novembro geralmente faz calor mas nesse dia a coisa estava pior ainda. Antes de subir a ladeira em direção da última morada, fiz um pit-stop no Capitans Bar. Eu adoro aquele cantinho mas gostava mais quando tinha a companhia do meu amigo Ivan.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tomei um drink, peguei uma água e fui fazer meu trabalho. Era pouco mais de duas da tarde e chegando lá encontrei o cemitério vazio e apenas um rapaz sentado numa cadeira em frente a uma mesa com um bloco de anotações. Dei boa tarde e caminhei um pouco entre os becos pensando o que iria escrever. Para quem não conhece, o cemitério de Búzios fica atrás da igreja da Sant&#8217;Anna no bairro dos Ossos, e é do tipo armário, ou seja, paredes com gavetas e os caixões são lacrados. Quando volto a entrada encontro uma senhora já bem idosa bastante curiosa com aquela construção. Ao saber que era o cemitério a mesma fez um comentário bastante singelo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-que organizado. Bem limpinho. Dá vontade de morrer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ficamos eu e o rapaz calados enquanto a senhora caminhava entre os mortos. Olhei para um lado e vi algumas latinhas de cervejas jogadas próximo ao muro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>-algumas pessoas entram sem querer e quando percebemos que é um cemitério se constrangem e jogam fora.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Lembrei que o Dia de Finados é feriado e aquele caminho liga a praia da Armação à Praia dos Ossos e muitos turistas passam ali. Perguntei ao rapaz o que fazia ,e ele me disse tinha a lista dos túmulos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>-Recebemos visitas de amigos e parentes que não sabem ou não lembram onde o ente querrido foi enterrado. Aqui nesse caderno tem os nomes e o local.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Nesse momento entra um jovem rapaz com um capacete de moto no cotovelo, camiseta regata e vários cordões de aço inox no pescoço. Ele perguntou onde estava o caixão da mãe e o atendente perguntou nome e data do sepultamento. Ao receber as informações ele disse que não poderia ajudar pois a empresa que atualmente administrava o cemitério e para qual trabalhava, só havia assumido ha dois anos e o cadastro dos sepultamentos anteriores estava na prefeitura.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Satisfeito com a resposta o motoqueiro fez outra pergunta que me chamou bastante a atenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>-E o meu túmulo está aonde?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Se a perguntou me perturbou, a resposta elucidou. Mas me deixou perpexlo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>-É membro inferior né?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Foi somente então que vi que o jovem tinha uma prótese de metal do joelho para baixo da perna direita.<br>E descobri que quando uma pessoa perde um órgão, o hospital cuida do descarte, mas quando se trata de membros, tem que haver um sepultamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não precisa ter funeral com velório ou cortejo, nem o dono precisa ir, mas o membro precisa ser depositado em local determinado por lei. E eu, coveiro de profissão, não sabia desses detalhe e enquanto o dono da perna seguia o caminho indicado fiquei a pensar: o que ele irá dizer frente a gaveta onde repousa seu membro. &#8220;Saudades de você&#8221;? Quanto tempo faz que a gente não bate uma bolinha&#8221;?.  Melhor deixar pra lá, deduzi. Já tinha uma história para contar e pensamentos intrusivos começaram a me perturbar no caminho de volta pra casa. Coisas macabras me vinham à mente. Eu teria que escrever uma história para o jornal com início meio e fim. E se possível, uma pitada de humor (e sem zombar da situação) para fazer juiz a história do jornal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensei numa situação hipotética: uma pessoa com diabetes e morando em Vitória, no Espírito Santo, teve que amputar uma perna por necrose no pé e o membro sepultado lá. Anos depois essa mesma vem morar em Cabo Frio e por desgraça do destino perde a outra perna e a enterrado aqui. Como ela faria para visitar seus membros no Dia de Finados. A palavra <em>finados</em> significa como &#8221; algo que findou &#8220;, e nesse caso a pessoa em questão estaria findando aos poucos. Outra questão: será que as funerárias dão desconto? Afinal o coitado seria enterrado no mínimo três vezes. E se o destino fosse mais cruel e ele perdesse um braço já morando em outro estado?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Chegando em casa tomei um banho frio e ao sentar frente ao computador resolvi contar uma história menos macabra. E foi assim que por duas vezes tive uma perna como personagem na minha história.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="565" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg" alt="" class="wp-image-160955" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg 565w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sandro Peixoto, cronista, escritor, foi repórter de O Perú Molhado. </figcaption></figure>
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		<title>Quase crime</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2026 22:22:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vinte anos atrás eu trabalhava no Perú Molhado. Uma dia, estava no bairro dos Ossos bebericando uma caipivodka de maracujá no Capitans Bar quando recebi uma chamada no meu celular. Era meu amigo Cláudio, que anos depois viria ser meu sócio Ele me contou uma história estranha. Uma pessoa conhecida dele, havia encontrado um cadáver [&#8230;]</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1917035335"><div id="prens-1859982273"><a href="https://www.sophiaeditora.com.br/o-homem-que-vomitava-sapos-de-victor-p-viana" target="_blank" aria-label="300 (1)"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-1.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-1-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Vinte anos atrás eu trabalhava no Perú Molhado. Uma dia, estava no bairro dos Ossos bebericando uma caipivodka de maracujá no Capitans Bar quando recebi uma chamada no meu celular. Era meu amigo Cláudio, que anos depois viria ser meu sócio Ele me contou uma história estranha. Uma pessoa conhecida dele, havia encontrado um cadáver próximo ao ponto final onde a empresa 1001- que muita gente chama de rodoviária, tem seu ponto final. De imediato fiquei surpreso pois se trata de uma área com bastante fluxo de pessoas e perguntei se a polícia já não havia sido informada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu amigo disse que &#8221; o corpo&#8221; estava dentro do mato e que o amigo que achou queria que eu visse e noticiasse no Perú Molhado &#8211; do qual era leitor. Meio encabrunhado avisei que iria ver o tal cadáver mas que demoraria um pouco pois estava num momento de lazer. Após terminar a chamada, olhei na tela de celular e vi 15:45.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conscientemente sorvia meu drink sem pressa pois não tinha grana para o segundo e Ivan, o dono do Bar não vendia fiado.<br>mas meu inconsciente insistia no assunto.<br>E se for uma boa história? E se for uma pessoa conhecida?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Retirei o canudo do copo e engoli o que restava sem cerimônia. Engoli gelo e sementes sem medo. Voltei com passos apressados pela Orla Bardot em direção a Praça Santos Dumont &#8211; onde meu amigo Cláudio tinha comércio. Chegando lá, o vi com um velho ( em todos os sentidos) conhecido. Homem de poucas virtudes e com muitos casos não resolvidos.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2774273598"><div id="prens-1036902734"><a href="https://www.instagram.com/novotempo.lab/" target="_blank" aria-label="banner_laboratorio_1212x165"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165.png 1200w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-300x41.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-1024x139.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-768x104.png 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" width="1200" height="163"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">-Que roubada, pensei baixinho.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Sandro-Peixoto-crime-683x1024.png" alt="" class="wp-image-161779" style="width:401px;height:auto" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Sandro-Peixoto-crime-683x1024.png 683w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Sandro-Peixoto-crime-200x300.png 200w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Sandro-Peixoto-crime-768x1152.png 768w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Sandro-Peixoto-crime.png 1024w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /><figcaption class="wp-element-caption">Entre o silêncio da mata, a pressa do furo jornalístico e a sombra de um crime, o repórter se vê diante de um dilema ético que mistura medo, estratégia e adrenalina. <strong>Ilustração / Agência Prensa de Babel</strong></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Meu amigo no entanto, exalava entusiasmo. Sua emoção era visível, seus olhos brilhavam e ele nem conseguia explicar direito o caso. Foi o outro, o tal de poucas virtudes e por quem eu não tinha nenhum apreço que começou a falar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Entre a escola Paulo Freire e a parada da 1001 tem uns terrenos ainda com mata nativa, com algumas trilhas que são usadas por trabalhadores da região da Ferradura. Eles usam o atalho para chegar mais cedo e um cara achou uma pessoa morta debaixo de uma árvore. Quer ir lá ver?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Disse que sim, e seguimos os três até o local indicado Estávamos no inverno e o sol já estava indo acordar os japoneses. Chegamos a rua onde ficava o tal terreno e entramos por uma trilha estreita. Uns dez minutos de busca e nada de nada. Pensei, até com um pouco de preconceito: é mais uma alucinação desse velho louco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Saímos do mato calados e eu desconfiando que havia caído numa balela. meu amigo Cláudio cabisbaixo pensando talvez o mesmo e o velho olhando para frente fazendo cálculos. De repente grita:<br>Entramos na trilha errada! A entrada é mais adiante.<br>E seguimos atrás do guia, por assim dizer, até outra entrada na vegetação primária da Mata Atlântico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terra girou mais um pouco e a iluminação solar se foi. Mas ainda havia um tiquinho de luminosidade quando encontramos a árvore onde o tal cadáver repousava.<br>Era uma árvore de porte médio, com copa larga com galhos chegando até o chão &#8211; parecendo uma oca indígena.<br>Entramos com certa dificuldade afastando os galhos mais finos a ao chegarmos embaixo da copa não havia cadáver algum. Apenas um esqueleto, totalmente limpo, sem nenhum vestígio de carne, músculos ou cabelos. Apenas ossos limpos, todos em seus lugares como se apenas pequenos animais como répteis ou insetos tivessem comido aquele mórbido ( ao menos aos meus olhos). banquete.<br>O senhor que indicou o lugar estava tranquilo, o amigo Cláudio meio nervoso e eu, ex- coveiro de profissão, não titubeei e comecei a fotografar o que restava do corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Usava uma câmera Leica digital, coisa do Marcelo Lartigue, que sempre procurou ter no jornal o que havia de melhor em fotografia e computação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Satisfeito com os registros, sai da cena bem devagar, arrastando os pés para apagar as marcas do meu sapato ( os outros estavam de Havaianas), e em minutos chegamos na rua.<br>Eu tranquilo, meu amigo extasiado e o senhor que havia descoberto o esqueleto se vangloriando , como tivesse se redimindo das tantas vezes que mentiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Eu não falei! Viu? Agora vamos chamar a polícia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu ia avisar a polícia. Era o certo. Mas havia um problema. O Perú Molhado, jornal mais tradicional da cidade pela primeira vez tinha um concorrente. Que apesar de só sair de terça à sábado se dizia diário. Estávamos numa terça-feira, o Perú fechava a edição na quinta e o jornal só chegava às ruas na sexta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se eu avisasse a polícia, o jornal Primeira Hora daria a notícia antes e todo meu trabalho seria inútil. Em verdade eu iria trabalhar para o concorrente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Convenci meu amigo e o amigo dele a segurar a informação, fui para casa escrever a matéria e no outro dia informei tudo ao meu editor Marcelo Lartigue. Ele riu, concordou com minha estratégia e depois de baixar as fotos no computador, enviei para o diagramador fazer os tratamentos de luz .<br>Toda a redação do jornal sabia do furo de reportagem e eu, aguardava ansioso o momento de informar a polícia. Tinha que ser na quinta, preferencialmente no fim do dia. Enquanto ainda houvesse iluminação natural ( minhas fotos me dedurariam) mas tarde o suficiente para o Primeira Hora não ter tempo de cobrir. Diferente do Perú Molhado (que era uma bagunça onde não respeitávamos hierarquia, horários ou até mesmo as regras gramaticais), o PH tinha hora para fechar a edição e eu sabia que eles não passavam das seis da tarde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu no entanto tinha um problema: como explicar a descoberta da ossada? A polícia poderia me perguntar afinal, a mesma estava dentro do mato, longe dos olhos de todos.<br>-,Aguém me ligou, pensei em responder.<br>Meu medo era ser acusado de ocultação de cadáver. Afinal se eu sabia há alguns dias que havia uma pessoa morta e mesmo assim nao reportei a polícia, poderia ter cometido um crime.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comprei um cartão de telefone público, fui até um Orelhão que havia na Rua das Pedras e liguei para meu celular. Atendi, e por óbvio fiquei calado contando os segundos que seriam suficientes para uma conversa sobre a descoberta de um cadáver e sai tranquilo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu álibi estava pronto. Sou repórter de um jornal conhecido, alguém me ligou de maneira anônima e sim, achei o que restou do corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em tempo: nessa época não havia como rastrear os celulares e nem câmeras de vídeo em todas as ruas e esquinas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais tranquilo, caminhei até a rua onde estava a trilha e ao chegar perto gelei. Meu plano tinha um furo.<br>E se alguém, ou até mesmo um cachorro tivesse mexido no morto? Minhas fotos mostravam um esqueleto deitado de frente, com o que restava de uma mochila de escola embaixo do crânio e perfeitamente completo. Parecia a primeira vista que a pessoa deitou para dormir e faleceu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não! Eu teria que voltar ao local, e desta vez sozinho e refazer outras fotos. Foi o que fiz e para minha sorte tudo estava do jeito de deixamos. Dessa vez deixei de propósito as marcas do meu sapato número 45/46.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ato seguinte, liguei para o 190.<br>Foram cinco tentativas em vão e quase desisti. Na sexta alguém atendeu e eu tentei explicar o fato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Mas o corpo está aonde?, perguntou o policial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Não tem corpo, são só ossos?</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Você tem certeza que é de humano?</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">-Sim! Tem crânio, úmeros, costelas, fêmur, patela, e até falanges. É humano sim. Já fui coveiro e sei reconhecer um esqueleto humano.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Aliás, quem quem está falando, perguntou o policial.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse momento lembrei que nem havia me anunciando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Desculpe, meu nome e Sandro Peixoto e trabalho no jornal O Perú Molhado. Alguém me ligou informando que havia uma pessoa morta dentro do mato. Vim até o local e achei um esqueleto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O policial pediu para eu ficar aonde estava e disse que iria mandar uma viatura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O celular marcava 17:45hs.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ansioso para me livrar do caso, fui até a esquina esperar a chegada da polícia. Minutos depois vejo uma viatura se aproximando mas ela passa direto. Minutos depois enfim aparecem duas viaturas e sem me surpreender, chega também uma equipe de jornalismo, com repórter e fotógrafo do Primeira Hora. Ao que parece havia uma boa relação entre a polícia e o jornal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Indiquei aos policiais o local do &#8221; corpo &#8221; e ao me afastar fui inquirido pela jornalista do Primeira Hora. Ela queria saber como estava a situação. Já estava escurecendo e eu, ainda temeroso em perder a notícia, taquei o terror.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Amiga, é uma coisa horrível, estou até agora querendo vomitar. Fosse vocês não iria lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A jornalista fez cara de enjoo, o fotógrafo não se pronunciou e assim foram embora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais tranquilo, fiquei sozinho esperando a volta dos PMs. Quando enfim voltaram me disseram que iriam chamar os peritos da Polícia Civil, em Cabo Frio.<br>Eu sabia que iriam demorar e então fui embora satisfeito e feliz por minha estratégia ter dado certo. Mas minha paz durou pouco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao tentar atravessar a Estrada da Usina, um amigo que trabalhava numa loja de turismo no Shopping Tatui veio em minha direção e perguntou o porquê de tanta polícia naquela área.<br>Contei que tinha alguém morto naquele local e para minha surpresa ele respondeu:</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Eu vi você com o Cláudio e outro senhor entrando no mato terça-feira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rapidamente inventei uma desculpa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Verdade. Uma pessoa ligou pro jornal falando que havia alguém morto naquele lugar. Naquele dia viemos procurar mas não achamos. Hoje o cara ligou de novo e eu achei e chamei a polícia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E sai de fininho em direção à Redação do jornal onde a edição daquela semana estada sendo fechada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PS: dias depois fiquei sabendo que o morto era um funcionário de um famoso restaurante da cidade, e que foi morto com dois tiros. Os peritos ao resgatarem os ossos encontraram na parte de trás do crânio marcas da saída de duas balas de revólver</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="565" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg" alt="" class="wp-image-160955" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg 565w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sandro Peixoto é escritor e cronista de Búzios. Foi reporter de O Perú Molhado. </figcaption></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>Diário do Fim do Mundo #13-por Sandro Peixoto (impressões)</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/diario-do-fim-do-mundo-13-por-sandro-peixoto-impressoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2020 22:52:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Praça  Santos Dumont que fica no centro de Búzios nunca teve um histórico de violência. Seu abandono (canteiros com mais lixo que flores, sujeira  e pouca iluminação ) passou a atrair um certo tipo de frequência. Moradores de ruas e seus cachorros e alguns pequenos traficantes de drogas que vendiam basicamente maconha para turistas e viciados da cidade.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/04/8de12f18de8d65d49dd4ac1c0a51528f-800x533.jpg" alt="" class="wp-image-46458"/><figcaption>Praça Santos Dumont/ Reprodução </figcaption></figure>



<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1917035335"><div id="prens-2698810216"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="QUADRADO HOME 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/QUADRADO-HOME-2.png" alt=""  width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">A Praça&nbsp; Santos Dumont que fica no centro de Búzios nunca teve um histórico de violência. Seu abandono (canteiros com mais lixo que flores, sujeira&nbsp; e pouca iluminação ) passou a atrair um certo tipo de frequência. Moradores de ruas e seus cachorros e alguns pequenos traficantes de drogas que vendiam basicamente maconha para turistas e viciados da cidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais que causar riscos, a alta concentração de vendedores de drogas causava espanto afinal, há menos de 100 metros existe um posto da Polícia Militar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses traficantes, a maioria,  eram filhos de nativos. Nascidos na quarta geração <em>pós-fim</em> da aldeia de pescadores, e o dinheiro dos aluguéis já não chegavam a eles, nem tampouco estudaram. Também não conseguiram empregos  na prefeitura. Sem expectativa  e com pouca capacidade intelectual, alguns se perderam no mundo do crime.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As vezes, a situação era até engraçada de se ver.  Dez, 15 traficantes, e nenhum comprador.  Parecia aqueles vendedores de lojas de roupas que ficam na porta esperando o próximo cliente.  Como a maioria cresceu  junto, se respeitavam e não havia briga de facção. Conversavam, compravam os produtos, e de vez em quando partiam em direção à  Praia do Canto para fazer  uso  de parte do que não vendiam. </p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2774273598"><div id="prens-2889350798"><a href="https://prensadebabel.com.br/category/polis-notas-politicas/" target="_blank" aria-label="polisCABEÇALHO-800&#215;107"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/polisCABECALHO-800x107-1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/polisCABECALHO-800x107-1.png 800w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/polisCABECALHO-800x107-1-300x40.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/polisCABECALHO-800x107-1-768x103.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" width="800" height="107"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Cada traficante trazia uma namoradinha a tira-colo. Não se tratava de amor&nbsp; ou companheirismo. Eram elas quem escondia as pequenas porções de drogas e a arrecadação do dia dentro do sutiã ou da calcinha. Policial masculino não as revistavam. A Lei não permitia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de muita reclamação&nbsp; por parte dos comerciantes da área, o Estado&nbsp; colocou dois PMs em ronda ostensiva&nbsp; num carrinho elétrico. Em cima do veículo&nbsp; havia uma policial feminina que passou a fazer abordagens contínua nas ditas namoradas. A qualquer instante. Em uma semana tudo mudou e a Praça ficou livre do movimento do tráfico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Os dias foram passando, nada para a polícia fazer e então&nbsp; jogaram todo o trabalho fora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já&nbsp; que não havia o que reprimir, já que o tráfico havia minguado era hora&nbsp; de acabar com a ronda e deixar o carrinho elétrico na garagem. A impressão&nbsp; que se tinha era que a presença&nbsp; da policia não&nbsp; tinha mais razão de ser. Sem a presença do Estado no entanto,o tráfico voltou rapidinho e nunca mais saiu. Está lá até hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conto essa triste história para fazer um alerta. É bastante provável que, quanto mais e melhor esse confinamento obrigatório funcionar, &#8216;mas desnecessário&#8217;, alguns idiotas dirão, ninguém vai morrer. E se ninguém morrer em nossa cidade por causa da Covid19, alguns acéfalos bradarão  nas esquinas: &#8220;viram! Não morreu ninguém. Não precisava nada daquilo. Agora o comércio está  quebrado. Quero ver quem vai pagar nossa conta.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso sabedoria para entender o momento. Não preciso sofrer na pele, perder amigos e parentes para acreditar que por enquanto o isolamento é de suma importância para se  evitar um contágio  sem controle. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos aprender  observando os erros e acertos dos outros ou por experiência própria. A primeira opção é  a mais inteligente. As experiências  mundo afora nos mostram que para diminuir o contágio exacerbado a melhor opção é deixar a população em casa. Ao menos os que podem se dar a esse luxo. </p>



<div class="wp-block-group has-luminous-vivid-amber-background-color has-background"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"> E<strong>ste é um artigo de opinião de responsabilidade do seu autor e não representa necessariamente a opinião do Jornal.</strong> </p>
</div></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignleft size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="231" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/04/c8c193b0dca492a6e01a6710a53441d6-1-1.gif" alt="" class="wp-image-46383"/><figcaption> <em>*Sandro é articulista e cronista de Búzios e com seu humor peculiar narra sua aventura de ver Búzios de uma forma até então nunca vista/ Prensa</em> </figcaption></figure></div>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jornal-prensa-de-babel"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://prensadebabel.com.br/index.php/2020/04/04/diario-do-fim-do-mundo-12-por-sandro-peixoto-coitos-interruptos/
</div></figure>
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		<title>Diário do Fim do Mundo #6 &#8211; por Sandro Peixoto (solidão)</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/diario-do-fim-do-mundo-6-por-sandro-peixoto-solidao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2020 00:04:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região dos Lagos]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Búzios 26 de março de 2020-03-25 Não sei quanto ao resto da cidade &#8211; estou respeitando a determinação de não circular pelas ruas sem necessidade &#8211; mas aqui no meu quadrilátero o silêncio impera. Mesmo durante o dia é difícil ver alguém caminhando sem necessidade. Apenas uns poucos moradores de rua que restaram e dois [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1917035335"><div id="prens-2698810216"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="QUADRADO HOME 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/QUADRADO-HOME-2.png" alt=""  width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Búzios 26 de março de 2020-03-25 </p>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignleft size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-26-at-21.25.21-450x600.jpeg" alt="" class="wp-image-45875" width="288" height="384"/><figcaption>Sandro e a solidão da noite, e a solidâo da rua/ Prensa de Babel </figcaption></figure></div>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Não sei quanto ao resto da cidade &#8211; estou respeitando a determinação de não circular pelas ruas sem necessidade &#8211; mas aqui no meu quadrilátero o silêncio impera. Mesmo durante o dia é difícil ver alguém caminhando sem necessidade. Apenas uns poucos moradores de rua que restaram e dois ou três traficantes de drogas. Esses não somem nem em época de pandemia. Vez por outra passa um taxi, um caminhão de entregas e algum carro particular. Mas logo somem e o sossego toma conta de tudo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas noites a solidão das ruas é ainda maior. Nem táxi, nem
carros particulares e muito menos caminhões de entrega. Só alguns poucos
moradores de rua e os oito traficantes de drogas de sempre. &nbsp;De noite eles se multiplicam. Para quem eles
vendem, me pergunto? &nbsp;A noite de ontem
estava tão vazia que nem lua havia. O céu nublado escondia até as luzes
coadjuvantes das estrelas. “<em>A solidão dos
astros, a solidão das ruas, a solidão da noite, a solidão da lua”</em>. Tudo
lembrava meu conterrâneo Alceu Valença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moro sozinho e tenho tecnicamente todas as condições de
passar por uma quarentena sem grandes atropelos. Como pouco, tenho ao lado de
casa hortifrúti, mercado, padaria, restaurantes, banco, açougue e sorveteria.
Minha rotina deveria ser tranquila, mas a vida nem sempre é tão simples assim.
Sou uma figura pública numa aldeia de pescadores. Não estou dizendo que sou
famoso. Não me entenda mal. Sou muito conhecido e, portanto, tem sempre alguém
batendo à minha porta. Mesmo querendo e precisando ficar sozinho às vezes não
posso. </p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2774273598"><div id="prens-810794157"><a href="https://prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="Retangulo 10 anos"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos.png 1200w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-300x131.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-1024x447.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-768x335.png 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" width="1200" height="524"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Não que ache a situação ruim. Não sou uma ilha. Preciso do
contato com outras pessoas para exercitar minha humanidade. &nbsp;Aliás, o ser humano só se realiza como humano
frente um semelhante. &nbsp;Coloque um homem
num campo de futebol junto a macacos, cavalos, antas, gatos, ratos, cachorros,
hipopótamos, abelhas, girafas e mande-o gritar que ele é um ser humano
inteligente, uma criação divina, um filho de Deus. Será constrangedor. &nbsp;Não lhe darão ouvidos. Será mais um animal
junto aos outros animais. Se for eleitor de Bolsonaro então, comerá grama assim
que chegar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia do coroavírus irá afetar de maneira profunda algumas
pessoas. Ao menos as que pensam. Não é que nada será como antes. Tudo voltará a
ser como antes. Muitos não assimilam nem as tragédias cotidianas que fazem
parte de sua suas vidas. Riem de tudo.&nbsp; A
maioria, principalmente aqueles que não sofrerem direta ou indiretamente com a
doença pouco ou nada se lembrarão do que passamos ou iremos passar. Faz parte
da necessidade de sobrevivência apagar da consciência memórias ruins. Essa á a
historia da sociedade. </p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;O registro fica a cargo de alguns. Por isso a importância de livros, jornais, televisão, cinema e de pessoas que decidam doar seu tempo para que os acontecimentos virem história. É como numa partida de futebol. Quando acaba, cabe aos comentaristas darem conteúdo ao que passou. A torcida vai para casa reclamando ou comemorando.&nbsp; Quem perder algum parente depois dessa guerra biológica irá sofrer. Quem passar incólume dirá: graças a Deus eu não tive nada. Garçom, mais uma cerveja!</p>



<div class="wp-block-group has-luminous-vivid-amber-background-color has-background"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"> E<strong>ste é um artigo de opinião de responsabilidade do seu autor e não representa necessariamente a opinião do Jornal.</strong> </p>
</div></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="557" height="557" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-21-at-20.08.11-1.jpeg" alt="" class="wp-image-45538" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-21-at-20.08.11-1.jpeg 557w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-21-at-20.08.11-1-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-21-at-20.08.11-1-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 557px) 100vw, 557px" /><figcaption> <em>*Sandro é articulista e cronista de Búzios e com seu humor peculiar narra sua aventura de ver Búzios de uma forma até então nunca vista/ Prensa</em><br><br> </figcaption></figure>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jornal-prensa-de-babel"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://prensadebabel.com.br/index.php/2020/03/25/diario-do-fim-do-mundo-5-por-sandro-peixoto-silencio/
</div></figure>
<p>O post <a href="https://prensadebabel.com.br/diario-do-fim-do-mundo-6-por-sandro-peixoto-solidao/">Diário do Fim do Mundo #6 &#8211; por Sandro Peixoto (solidão)</a> apareceu primeiro em <a href="https://prensadebabel.com.br">Prensa de Babel</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Diário do Fim do Mundo #5  por Sandro Peixoto (silêncio)</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/diario-do-fim-do-mundo-5-por-sandro-peixoto-silencio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2020 20:37:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região dos Lagos]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Búzios, 25 de março de 2020 O Som ao Redor, do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho (o mesmo de Aquarius e Bacurau) é um dos filmes mais interessantes que já assisti. Apesar de ter sido incluído na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, nem vou [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://prensadebabel.com.br/diario-do-fim-do-mundo-5-por-sandro-peixoto-silencio/">Diário do Fim do Mundo #5  por Sandro Peixoto (silêncio)</a> apareceu primeiro em <a href="https://prensadebabel.com.br">Prensa de Babel</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1917035335"><div id="prens-3508753858"><a href="https://institutodominus.com.br/" target="_blank" aria-label="ANÚNCIO DOMINUS - QUADRADO LATERAL - 600x400px"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px.jpg" alt="ANÚNCIO DOMINUS - QUADRADO LATERAL - 600x400px"  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px.jpg 601w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 601px) 100vw, 601px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"> Búzios, 25 de março de 2020 </p>



<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph"><strong>O Som ao Redor</strong>, do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho (o mesmo de Aquarius e Bacurau) é um dos filmes mais interessantes que já assisti. Apesar de ter sido incluído na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, nem vou perder meu tempo indicando-o, pois infelizmente o brasileiro comum prefere assistir pela enésima vez um filme americano com cachorros falantes  na Sessão da Tarde que uma boa produção nacional. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/comércios-centro-800x450.jpeg" alt="" class="wp-image-45673"/><figcaption>Turíbio de Fárias, centro de Búzios/ Sandro Peixoto </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Som ao Redor</strong>&nbsp;conta a história de um bairro classe média do Recife, de rotina simples. Um dia, um homem&nbsp;aparece e passa a oferecer aos moradores serviço&nbsp;de vigilância com ronda diurna e noturna.&nbsp;A câmera mais que focar no visual&nbsp;e nos personagens se apega, como poucas vezes vista no cinema mundial, nos ruídos que cercam os moradores locais.&nbsp;O abrir e fechar de portas e portões, latidos de cachorros, o ranger dos pneus dos carros no asfalto abrasivo, vozes soltas ao acaso, o vai e vem das ondas do Atlântico quebrando sobre os arrecifes&nbsp;da praia de Boa Viagem, e assim por diante.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/centro2-800x450.jpeg" alt="" class="wp-image-45675"/><figcaption>Turíbio de Fárias. centro/ </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">É um filme de poucos diálogos e muita introspecção. Uma história de solidão comunitária. O silêncio eloquente dos personagens frente às novas situações revela mais que qualquer fala. Não se&nbsp;trata de um filme qualquer. É&nbsp;quase um estudo sociológico.&nbsp;</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2774273598"><div id="prens-1036902734"><a href="https://www.instagram.com/novotempo.lab/" target="_blank" aria-label="banner_laboratorio_1212x165"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165.png 1200w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-300x41.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-1024x139.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-768x104.png 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" width="1200" height="163"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Alguém&nbsp;me disse um dia que o cinema é&nbsp;a única indústria&nbsp;de protótipos do mundo.&nbsp;Cada filme fala por si&nbsp;só.&nbsp;O Som ao Redor é um deles.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez essa regra não valha para filmes da Marvel, por exemplo.&nbsp;Mas aquilo é quase um&nbsp;<em>não-cinema</em>&nbsp;como bem lembrou o diretor Martin Scorsese.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente Búzios lembra muito o ambiente do O Som ao Redor. Ontem a noite sai pelas ruas do Centro e parecia que fazia parte de um filme mudo. Só faltou o preto e branco típico da época.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/praias5-800x600.jpeg" alt="" class="wp-image-45529"/><figcaption>Praias de Búzios vazias/ Prensa de Babel </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nada se ouvia. Nem sequer o barulho das folhas, pois nem vento havia. Percorri a Rua das Pedras de ponta a ponta. Fui até&nbsp; o cais ver o mar. Ele também estava calado. Paisagem Flat. Mar de almirante como costumam dizer os navegadores.&nbsp;Já pela manhã, o único barulho presente era provocado pelos vassourões dos funcionários da empresa de limpeza pública. Três senhores circunspectos com máscaras na boca seguiam com a rotina ordinária de recolher o lixo alheio. Mas nem isso havia. Apenas flores e folhas caídas e aqui ali uma ponta de cigarro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sempre que alguém me pergunta o porquê&nbsp;de nunca ter entrado na política respondo que só faria se fosse para ser candidato a prefeito.&nbsp;Caso eleito, primeira medida seria baixar um decreto mandando todos os moradores da cidade embora. Inclusive eu. Esse paraíso há&nbsp; tempos merece uma sociedade melhor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ontem à noite olhando as ruas vazias achei por um momento que meu desejo havia se realizado.&nbsp;Hora de fazer as malas, pensei.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-21-at-20.08.11-1.jpeg" alt="" class="wp-image-45538" width="414" height="414" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-21-at-20.08.11-1.jpeg 557w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-21-at-20.08.11-1-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-21-at-20.08.11-1-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 414px) 100vw, 414px" /><figcaption> <em>*Sandro é articulista e cronista de Búzios e com seu humor peculiar narra sua aventura de ver Búzios de uma forma até então nunca vista/ Prensa</em> </figcaption></figure>



<div class="wp-block-group has-luminous-vivid-amber-background-color has-background"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"> E<strong>ste é um artigo de opinião de responsabilidade do seu autor e não representa necessariamente a opinião do Jornal.</strong> <br></p>
</div></div>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jornal-prensa-de-babel"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://prensadebabel.com.br/index.php/2020/03/24/diario-do-fim-do-mundo-4-por-sandro-peixoto-saudade/
</div></figure>
<p>O post <a href="https://prensadebabel.com.br/diario-do-fim-do-mundo-5-por-sandro-peixoto-silencio/">Diário do Fim do Mundo #5  por Sandro Peixoto (silêncio)</a> apareceu primeiro em <a href="https://prensadebabel.com.br">Prensa de Babel</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Diário do fim do mundo #4 -por Sandro Peixoto (Saudade)</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/diario-do-fim-do-mundo-4-por-sandro-peixoto-saudade/</link>
					<comments>https://prensadebabel.com.br/diario-do-fim-do-mundo-4-por-sandro-peixoto-saudade/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2020 22:34:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Região dos Lagos]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>24 de março de 2020 Estamos sós. Mais sós que nunca. Descobri que dependo de estranhos para ser feliz. A palavra “estrangeiro” vem do francês étranger, estranho. Dependo de pessoas que nunca vi ou que jamais verei para pagar as contas. Para comer,&#160; beber, vestir, morar, tomar banho, etc. Descobri isso há muito tempo. Agora [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://prensadebabel.com.br/diario-do-fim-do-mundo-4-por-sandro-peixoto-saudade/">Diário do fim do mundo #4 -por Sandro Peixoto (Saudade)</a> apareceu primeiro em <a href="https://prensadebabel.com.br">Prensa de Babel</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"></p>



<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1917035335"><div id="prens-2812616471"><a href="https://www.amazon.com.br/Crian%C3%A7a-Debaixo-Do-Guarda-chuva/dp/6558751399" target="_blank" aria-label="300"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">24 de março de 2020</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-24-at-15.52.41-2-800x415.jpeg" alt="" class="wp-image-45731"/><figcaption>Foram-se os turistas ficaram os chinelos (chinelos e não chilenos)/ Sandro Peixoto </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Estamos sós. Mais sós que nunca. Descobri que dependo de estranhos para ser feliz. A palavra “estrangeiro” vem do francês <em>étranger</em>, estranho. Dependo de pessoas que nunca vi ou que jamais verei para pagar as contas. Para comer,&nbsp; beber, vestir, morar, tomar banho, etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Descobri
isso há muito tempo. Agora porém, a agonia se fez mais latente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cheguei a  Búzios no inicio dos anos 90. Era setembro, mês do meu aniversário.  Me acomodei no bairro dos Ossos e aluguei, com um amigo argentino, um quiosque na praia de João Fernandes; O Chiringuito- que então pertencia  a empresária Graciela Vismari.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2774273598"><div id="prens-3234975852"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png 1080w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-300x53.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-1024x182.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-768x137.png 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" width="1080" height="192"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Entre outubro e dezembro pouco me movi além da ponta da península. Quando precisava ir ao bairro&nbsp;de Manguinhos seguia pela estrada da Usina na ida e na volta.&nbsp; Fui conhecer a praia dos Ossos apenas dois meses depois. Na Rua&nbsp; das Pedras fui apenas uma vez e de dia. Estava vazia como hoje. Meu sócio me olhando de soslaio falou: nas noites de verão, para caminhar&nbsp; aqui <em>hay&nbsp; que&nbsp; pedir&nbsp; permission.</em> Achei exagero.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignleft size-large"><img decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-24-at-16.29.15-292x600.jpeg" alt="" class="wp-image-45732"/><figcaption>Quem vai pagar o pato?  Búzios voltou no tempo/ Sandro Peixoto </figcaption></figure></div>



<p class="wp-block-paragraph">O verão chegou ainda em dezembro. Éramos o destino preferido da classe média argentina (que com a vantagem cambial, onde 1 peso valia 1 dólar) compravam tudo em dobro. Era a época do <em>&#8220;dá-me dos!&#8221;</em> </p>



<p class="wp-block-paragraph">Na primeira noite tomei um susto! A rua estava intransitável.  Parecia uma invasão. Lembro bem de uma noite que estava no  início da Rua das Pedras  vindo dos Ossos e precisava chegar ao final da rua, no recém-inaugurado Shopping Nuber One. Depois de dar três passos em dez minutos resolvemos eu e minha namorada pegar um atalho pela praia. Até hoje não sei por que não seguimos pela  Turíbio de Farias, até  então uma rua quase periférica apesar de ser vizinha da Rua das Pedras.  </p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Turíbio era a rua dos nativos que se juntavam no Bar do Fernando. Um misto de deposito/sinucaria/bar. O pessoal se juntava no meio da rua mesmo. Cada um com uma garrafa  de cerveja nas mãos. Latas ou <em>Long Neck</em> não  estavam na moda ou nem existiam. O Bairro dos Ossos, outrora epicentro  do movimento turístico  entrava em decadência por culpa (a palavra culpa não é a ideal, mas não me vem nada melhor à cabeça no momento) da creperia Chez Michou, que virou a mais perfeita tradução do Espírito buziano. Alegre, moderna, cosmopolita e integrada a a creperia  paisagem logo se transformou no point da península. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes da última reforma  da Rua das Pedras, quando as calçadas foram padronizadas,  uma pessoa que estivesse caminhando era possível que entrasse no Chez Michou sem querer. A rua literalmente entrava na casa. Poucos lembram desse detalhe. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Voltemos ao que interessa. O movimento do verão me deixou extasiado. Mesmo trabalhando das 7 às 19 horas todos os dias no comando do bar, não deixava de ir a Rua das Pedras. Verdade que voltava cedo para casa, mas usava a volúpia do verão para me entusiasmar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Rua das Pedras cheia a noite era sinônimo de praia cheia no dia seguinte. Quando o verão acabou confesso que brochei feio. O inverno longo me amargou por demais. O setor hoteleiro era baseado em pequenas pousadas que em sua maioria esperava o cliente chegar ao balcão perguntando se havia vagas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mundo girou e outro verão chegou tão grandiloquente como o que havia passado. Tudo cheio. Faltava água, luz, gelo, pão e até cerveja.  Já  não gostei tanto quanto antes. Havia me apaixonado pela Búzios vazia dos buzianos. Sem engarrafamentos, barulho, brigas e preços exorbitantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Torci para o verão acabar e todos os estranhos&nbsp; irem embora. Queria Búzios só para mim, vazia como se encontra agora. Hoje, no entanto, sinto&nbsp; falta dos estranhos. Sinto falta de ouvir um idioma diferente, um sotaque estranho. Me sinto só e as contas não param de chegar. </p>



<p class="wp-block-paragraph"> </p>



<div class="wp-block-group has-luminous-vivid-amber-background-color has-background"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<div class="wp-block-image"><figure class="alignleft size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-21-at-20.08.11-1.jpeg" alt="" class="wp-image-45538" width="262" height="262" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-21-at-20.08.11-1.jpeg 557w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-21-at-20.08.11-1-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-21-at-20.08.11-1-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 262px) 100vw, 262px" /><figcaption> *<em>Sandro é articulista e cronista de Búzios e com seu humor peculiar narra sua aventura de ver Búzios de uma forma até então nunca vista/ Prensa</em>  </figcaption></figure></div>



<p class="wp-block-paragraph"> <strong>Este é um artigo de opinião de responsabilidade do seu autor e não representa necessariamente a opinião do Jornal.</strong> </p>
</div></div>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jornal-prensa-de-babel"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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		<item>
		<title>Como dois e dois são cinco</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/como-dois-e-dois-sao-cinco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Jun 2018 19:48:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Meu amigo Paul (o sapateiro que trabalha na Praça Santos Dumont) trouxe outro dia um assunto impertinente. Apesar da imagem simples que passa para alguns, Paul é na verdade um intelectual. Discursa sobre juros, eleições americanas, crise árabe, intervenção federal no Rio, Copa do Mundo e valor do dólar americano com mais autoridade que muito [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1917035335"><div id="prens-2812616471"><a href="https://www.amazon.com.br/Crian%C3%A7a-Debaixo-Do-Guarda-chuva/dp/6558751399" target="_blank" aria-label="300"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-26894 size-large" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2018/06/WhatsApp-Image-2018-06-09-at-16.13.31-1-450x600.jpeg" alt="" width="450" height="600" />Meu amigo Paul (o sapateiro que trabalha na Praça Santos Dumont) trouxe outro dia um assunto impertinente. Apesar da imagem simples que passa para alguns, Paul é na verdade um intelectual. Discursa sobre juros, eleições americanas, crise árabe, intervenção federal no Rio, Copa do Mundo e valor do dólar americano com mais autoridade que muito comentarista de jornal e TV. Paul lê jornal (mais de um) todos os dias há mais de 40 anos. Livros também. Quando resolve opinar sobre algo, aprofunda a discussão. Argumentos lhes sobram. Mesmo que às vezes cometa alguns deslizes históricos.</p>
<p>O assunto que me trouxe a este texto é simples por concepção, e profundo por reflexão.  Como de costume, ele transformou um assunto complexo (o salário mínimo brasileiro) em algo trivial, usando a matemática mais pura para demonstrar o abismo em que vive grande parte da sociedade brasileira. Milhões de brasileiros ganham menos de mil reais por mês. Estatística aonde, felizmente, meu amigo Paul não se encontra, pois trabalha para si mesmo.</p>
<p>Paul vive de maneira franciscana. Gasta com parcimônia. Não por ser mesquinho e sim, por ter gostos frugais. Pode gastar mais, mas, por opção consome apenas o necessário.  E mesmo assim sua vida custa mais de 1.500 reais por mês. Ele não paga aluguel, água, luz, IPTU, IPVA ou coisa parecida. Nem mulher e filhos têm. Outro dia fez uma conta que não o deixou dormir.</p>
<p>Lembrou que para financiar seu dia precisa de 1.500 por mês. A saber: seis reais do café da manhã; cinco do cigarro mais barato; 10 reais da quentinha do almoço e mais 5 reais para um lanche noturno. Tudo mais barato possível. Somados esses pequenos gastos diários já seria necessário 780 reais por mês. Paul paga ainda o café da manhã, o almoço e a diária do seu ajudante. Seis mais 10, mais 15 que soma 31 reais diários, ou seja, 930 reais mensais.  Mil setecentos e dez reais para viver da maneira mais simples possível sem pagar aluguel, água, luz, material de higiene, gás de cozinha, remédios, sair para jantar, beber, comprar roupa da moda, fazer chapinha no cabeleireiro, sem manicure ou barbeiro. Quase dois mil reais para o básico.</p>
<p>&#8211;<strong><em>Só um mágico pode viver de salário mínimo, Eu às vezes não consigo dormir pensando nessa conta. Estou acostumado com coisas simples, mas me espanto ao ver pessoas que ganham pouco ostentando celulares caros e tomando cerveja todos os dias. Tem gente que toma Heineken!  Quatro Heineken custa 20 reais na praça onde é mais barato. Só nessa conta são seiscentos reais por mês.  Sinceramente não entendo de economia-</em></strong> declarou o sapateiro sem chegar à conclusão alguma.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2774273598"><div id="prens-3234975852"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png 1080w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-300x53.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-1024x182.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-768x137.png 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" width="1080" height="192"   /></a></div></div>
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<p><figure id="attachment_6562" aria-describedby="caption-attachment-6562" style="width: 150px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-thumbnail wp-image-6562" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2016/12/WhatsApp-Image-2016-12-23-at-14.44.35-150x150.jpeg" alt="" width="150" height="150" /><figcaption id="caption-attachment-6562" class="wp-caption-text">Sandro Peixoto foi por 12 anos repórter do semanário O Perú Molhado, é membro da Associação fluminenfluminense de Jornalistas, mora em Búzios, e é um dos fundadores doo Prensa de Babel</figcaption></figure></p>
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