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Cidades

Capitão Caverna, o ator

 

Por Victor Viana

Se você chegar a Búzios e perguntar por Donizete ninguém conhece, mas se disser que quer ver o Caverna será difícil alguém não te apontar um restaurante com esse nome, onde poderá achar o proprietário que atende pelo mesmo apelido. Na verdade, Caverna só é encontrado no restaurante de segunda à quinta, de sexta a domingo ele estará no Bar do Sossego, um tradicional boteco pé-sujo de Búzios, sua segunda casa, como ele mesmo gosta de dizer.

“Eu sempre sonhei vir morar em Búzios. Eu era muito rico porque tinha uma cadeia de lojas de discos, a ‘Pro-Som’, a maior de todo o oeste-mineiro. Mas eu quebrei porque na vida de cachaçada que levava não achei que esse negócio de CD ia pegar (risos). Eu só vendia vinil.

Quando decidi que iria morar em Búzios dei um mergulho no asfalto para comemorar. Me machuquei todo”, me disse Caverna em entrevista para o Jornal “O Perú Molhado” certa vez (sim, eu trabalhei no amalucado “O Perú Molhado”).

Caverna também me revelou como é rigoroso o processo de seleção para trabalhar em seu restaurante: “Se preciso de cozinheiro ou de ajudante, o que seja, eu ponho um cartaz na porta, só isso. A pessoa vem aqui e diz que é chefe de cozinha, eu assino a carteira no mesmo dia e ponho pra trabalhar. Não peço referência, nada. Se ela diz que é chefe de cozinha eu assino a carteira como chefe de cozinha. Não peço currículo porque não acredito em currículo. Não tem esse negócio de experiência não. Passaram dois argentinos aqui uma vez e disseram que eram chefes de cozinha. Colocamos eles pra trabalhar, e nem um ovo sabiam fritar (rindo). Ficaram três dias e não voltaram nem para receber”. Perguntado se esse método é funcional, Caverna comenta: “De cada cem que a gente contrata ficam uns dois”.

A comida no Restaurante do Caverna é muito boa, está entre as melhores de Búzios, mas a cerveja é cara e quente. Por quê? O próprio Caverna explica: “Uma das coisas que mais tive problema em Minas foi garçom ladrão, cerveja gelada, e música ao vivo. Nunca mais teremos essas três coisas. A cerveja aqui é cara e quente, nem eu tenho coragem de beber. Por quê? Porque eu não quero um cliente igual a mim, que vai ficar bebendo o dia inteiro aqui, uai (risos)”.

“Garçom também não quero nunca mais. Aqui você pesa e você mesmo leva pra mesa. Aqui também a mesa não tem toalha, evito tudo que dê muito trabalho. Se tiver forro na mesa e o cliente vir uma manchinha vai pedir para trocar. Esses dias alguém perguntou sobre a nossa carta de vinho e eu disse que nunca ouvi falar disso. Caipirinha eu digo logo que a gente não sabe fazer. A pessoa vem, almoça, e vai embora feliz com a comida, com o suco, o refrigerante. Aquele negócio da pessoa chegar aqui e ficar o dia inteiro, igual eu fico no Bar do Sossego, não quero. A pessoa chega aqui toma essa cerveja que eu vendo aqui, e não pede outra. É cara e quente (risadas)”.

Mas não é só o empreendedorismo inusitado para a gastronomia que chama a atenção e torna Caverna um dos principais personagens do balneário mais conhecido do Rio de Janeiro. Caverna é também ator!

Empenhado em realizar um sonho de menino, fez um curso em Cabo Frio, e começou sua busca incessante de ser um ator da TV Globo, “só serve Globo”, ele mesmo disse. Em sua primeira tentativa, participou de duas pontas de novelas gravadas em Búzios: seu braço apareceu entregando um copo de água a alguém, e em outra estava desfocado atrás de um padre e uma imagem de São Pedro em uma cena de procissão marítima.

Mas Caverna não desistiu – interpretou Nelson Rodrigues no Teatro Municipal de Cabo Frio e escreveu até esquete. Mas o sonho era aparecer na Globo. Correu atrás, tirou seu DRT (registro profissional) de ator e conseguiu cadastro no Projac.

Ano passado interpretou um bêbado em uma das últimas novelas da Globo. No primeiro capitulo apareceu por cinco segundos dançando. Em seguida seu personagem levou um tiro e morreu, com isso foi encerrada sua participação no folhetim televisivo.  Também atuou em na minissérie “Liberdade,Liberdade”, onde cruzou olhar com a veterana Lilia Cabral, segundos depois levou um tiro e morreu sem falar nada.  Sua última aparição foi em na  minissérie estilos  Reality Show macabro, “Supermax”, onde surgiu em uma taverna “bebendo  com umas  putas”, como ele mesmo conta. Após a câmera focar nele por alguns segundos ele é metralhado e morre mudo.  Até hoje, assim como Rodrigo Santoro no inicio de sua carreira internacional,  Caverna não emitiu um grunido em suas aparições na Globo, no entanto, em Búzios, isso bastou para que agora curta a merecida fama de pop star.

Capitão Caverna, o ator

 

Por Victor Viana

Se você chegar a Búzios e perguntar por Donizete ninguém conhece, mas se disser que quer ver o Caverna será difícil alguém não te apontar um restaurante com esse nome, onde poderá achar o proprietário que atende pelo mesmo apelido. Na verdade, Caverna só é encontrado no restaurante de segunda à quinta, de sexta a domingo ele estará no Bar do Sossego, um tradicional boteco pé-sujo de Búzios, sua segunda casa, como ele mesmo gosta de dizer.

“Eu sempre sonhei vir morar em Búzios. Eu era muito rico porque tinha uma cadeia de lojas de discos, a ‘Pro-Som’, a maior de todo o oeste-mineiro. Mas eu quebrei porque na vida de cachaçada que levava não achei que esse negócio de CD ia pegar (risos). Eu só vendia vinil.

Quando decidi que iria morar em Búzios dei um mergulho no asfalto para comemorar. Me machuquei todo”, me disse Caverna em entrevista para o Jornal “O Perú Molhado” certa vez (sim, eu trabalhei no amalucado “O Perú Molhado”).

Caverna também me revelou como é rigoroso o processo de seleção para trabalhar em seu restaurante: “Se preciso de cozinheiro ou de ajudante, o que seja, eu ponho um cartaz na porta, só isso. A pessoa vem aqui e diz que é chefe de cozinha, eu assino a carteira no mesmo dia e ponho pra trabalhar. Não peço referência, nada. Se ela diz que é chefe de cozinha eu assino a carteira como chefe de cozinha. Não peço currículo porque não acredito em currículo. Não tem esse negócio de experiência não. Passaram dois argentinos aqui uma vez e disseram que eram chefes de cozinha. Colocamos eles pra trabalhar, e nem um ovo sabiam fritar (rindo). Ficaram três dias e não voltaram nem para receber”. Perguntado se esse método é funcional, Caverna comenta: “De cada cem que a gente contrata ficam uns dois”.

A comida no Restaurante do Caverna é muito boa, está entre as melhores de Búzios, mas a cerveja é cara e quente. Por quê? O próprio Caverna explica: “Uma das coisas que mais tive problema em Minas foi garçom ladrão, cerveja gelada, e música ao vivo. Nunca mais teremos essas três coisas. A cerveja aqui é cara e quente, nem eu tenho coragem de beber. Por quê? Porque eu não quero um cliente igual a mim, que vai ficar bebendo o dia inteiro aqui, uai (risos)”.

“Garçom também não quero nunca mais. Aqui você pesa e você mesmo leva pra mesa. Aqui também a mesa não tem toalha, evito tudo que dê muito trabalho. Se tiver forro na mesa e o cliente vir uma manchinha vai pedir para trocar. Esses dias alguém perguntou sobre a nossa carta de vinho e eu disse que nunca ouvi falar disso. Caipirinha eu digo logo que a gente não sabe fazer. A pessoa vem, almoça, e vai embora feliz com a comida, com o suco, o refrigerante. Aquele negócio da pessoa chegar aqui e ficar o dia inteiro, igual eu fico no Bar do Sossego, não quero. A pessoa chega aqui toma essa cerveja que eu vendo aqui, e não pede outra. É cara e quente (risadas)”.

Mas não é só o empreendedorismo inusitado para a gastronomia que chama a atenção e torna Caverna um dos principais personagens do balneário mais conhecido do Rio de Janeiro. Caverna é também ator!

Empenhado em realizar um sonho de menino, fez um curso em Cabo Frio, e começou sua busca incessante de ser um ator da TV Globo, “só serve Globo”, ele mesmo disse. Em sua primeira tentativa, participou de duas pontas de novelas gravadas em Búzios: seu braço apareceu entregando um copo de água a alguém, e em outra estava desfocado atrás de um padre e uma imagem de São Pedro em uma cena de procissão marítima.

Mas Caverna não desistiu – interpretou Nelson Rodrigues no Teatro Municipal de Cabo Frio e escreveu até esquete. Mas o sonho era aparecer na Globo. Correu atrás, tirou seu DRT (registro profissional) de ator e conseguiu cadastro no Projac.

Ano passado interpretou um bêbado em uma das últimas novelas da Globo. No primeiro capitulo apareceu por cinco segundos dançando. Em seguida seu personagem levou um tiro e morreu, com isso foi encerrada sua participação no folhetim televisivo.  Também atuou em na minissérie “Liberdade,Liberdade”, onde cruzou olhar com a veterana Lilia Cabral, segundos depois levou um tiro e morreu sem falar nada.  Sua última aparição foi em na  minissérie estilos  Reality Show macabro, “Supermax”, onde surgiu em uma taverna “bebendo  com umas  putas”, como ele mesmo conta. Após a câmera focar nele por alguns segundos ele é metralhado e morre mudo.  Até hoje, assim como Rodrigo Santoro no inicio de sua carreira internacional,  Caverna não emitiu um grunido em suas aparições na Globo, no entanto, em Búzios, isso bastou para que agora curta a merecida fama de pop star.

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