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Foto: Divulgação
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Sandro Peixoto

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O personagem Jackson Five, um motoboy paulistano criado pelo comediante Marco Luque tenta explicar a relação das pessoas, dos carros e das motos numa cidade. Ele brinca que os carros teimam em brigar pelo espaço com os motoboys. Já os motoboys sonham com uma cidade sem carros. Na inocência de Jackson Five, a cidade vista de cima é uma ferida aberta na crosta terrestre. As avenidas e as ruas seriam veias e artérias. Os carros seriam glóbulos vermelhos e os motoboys, lactobacilos vivos. Brincadeiras a parte, todos que fazem parte de um engarrafamento teimam em observar a cena de fora como se não tivesse culpa de nada. Até o pedestre que atravessa fora da faixa e atrasa a fluxo é culpado pelo congestionamento.

Outro dia brinquei numa rede social que quase toda pessoa que reclama de congestionamento está dentro de um carro. Um amigo melhorou minha postagem e tascou: correto, você não está num engarrafamento, você é o engarrafamento. Muito se tem falado sobre os constantes congestionamentos que teimam em deixar a cidade parada todos os dias. Mesmo fora da alta temporada. A Aldeia de Pesadores acabou e Búzios virou uma cidade brasileira iguais a tantas e com todos os problemas nacionais. Nesse janeiro a cidade engarrafou em todos os bairros e não temos como abrir mais ruas. E se abrirmos, elas capitularão.

O carro virou um problema também em Búzios por vários motivos. O primeiro é o incipiente, para não dizer inexistente, transporte público. Os ônibus da Salineira não dão conta da demanda e as vans, ah! As vans, elas são o que há de pior em se tratando de transporte público. Ainda enganam um pouco por serem muitas e passarem a toda hora. Criou-se a falsa impressão de agilidade e conforto, quando não passa de falta de organização e de fiscalização. Os motoristas das vans saem do ponto quando querem, param aonde querem, andam na velocidade que querem e trabalham quando querem. Como se auto-regulam, pior para os passageiros.

As vans surgiram em Búzios (e acredito no Brasil) por dois motivos: o crescimento dos serviços no país gerou uma movimentação maior dos cidadãos. As empresas de transporte coletivos, imensas e burocráticas não atenderam a demanda em tempo hábil. No capitalismo não existe vácuo. Se o espaço para ganhar dinheiro está em aberto, pode apostar que vai surgir alguém para ocupá-lo. Some-se isso a covardia das autoridades de plantão. Percebido a carência no transporte público caberia ao prefeito exigir da empresa que detém a concessão mais ônibus.

Mas não. De olho no voto e apenas nos votos, os prefeitos foram deixando a coisa crescer e hoje temos duas cooperativas que não resolveram o problema do transporte público e uma empresa que detém a concessão da rota que não fode nem sai de cima, ou seja, não entrega o butim nem compram mais coletivos. E não compra por um simples motivo. Empresa nenhum flerta com o prejuízo. Num ambiente sem regras claras nem controle seria loucura comprar ônibus, contratar motoristas e cobradores apenas para transportar idosos e estudantes.

Somemos então as vans, os ônibus, os caminhões de entrega, os ônibus de turismo, carros de policia, bombeiros, da prefeitura, motos e teremos um problema a resolver. Isso sem falar na poluição que todos os escapamentos geram. No Brasil ter carro é um luxo para alguns. Escrevi carro, no singular mas hoje as pessoas têm carros. Mais de um por casa. Já são quase 1 para cada 5 brasileiros. Nosso Plano Diretor definiu depois de inúmeras discussões que a cidade deve ser preparara para o pedestre, em seguida para os ciclistas, para o transporte público e por final o carro.

A Estrada da Usina está sendo preparada para essa realidade. A idéia do governo é que o estilo siga pela Avenida Bento Ribeiro Dantas de ponta a ponta. Alguns dirão que o transito ficará mais lento. Eu digo que ficará mais humanizado. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad reduziu  em quase nada e as mortes por atropelamento, principalmente de motoboys caíram de maneira impressionante. Com a redução de 90 para 70 km/h nas avenidas expressas e de 60 para 50 KM/h nas centrais, muita coisa mudou. Um ano antes, as marginais dos rios Pinheiro e Tietê tinham mais de 600 acidentes por semestre. Seis meses depois da diminuição do ritmo, esse numero caiu para pouco mais de 350.

Chegar rápido é bom. Chegar vivo é mais importante.

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