Pensar localmente, agir em comunidade

Diante das sugestões de eixos para se discutir a Região do Lagos a partir de nosso município, entender o nosso espaço e nosso poder de mobilização se torna fundamental. E como faríamos isso? Bom, identificar valores, ideias comuns das pessoas é um começo e o texto em questão é uma tentativa. Tentaremos provocar reflexões e naquela pretensão de um cidadão, uma mobilização com mais cidadãos.

Sempre observo a Lagoa de Araruama como princípio de tudo. Nosso maior patrimônio natural e seu manejo ao longo dos anos é um reflexo de como estamos em nossos municípios. A Lagoa de extensão absurda que poderia ser o vetor de geração de renda e riqueza regional, é o local em que se joga de maneira indiscriminada o esgoto in natura.

Esgoto in natura jogado na lagoa denuncia falta de planejamento com relação ao saneamento básico e escancara uma política habitacional indiscriminada, sem controle, como consequência o desordenamento urbano e a alocação de recursos sem nenhum planejamento a longo prazo.

Pense, uma região atrativa no ponto de vista migratório, devido a alocação de recursos vultosos vindo da exploração de petróleo na bacia de campos e também pela fuga da condição de violência da metrópole, precisaria no mínimo de projeções mais inteligentes de investimentos. Crescimento populacional, ordenamento urbano, educação, saúde e segurança deveriam ser preocupações constantes, com recursos sempre disponíveis.

Ordenamento urbano implica circulação das pessoas no território. Centro – Periferia e seus condicionamentos. Implica transporte público de qualidade, implica um centro urbano inclusivo, implica uma periferia minimamente organizada, com postos de saúde, equipamentos de lazer, escolas e creches em número suficiente para atender a demanda, além desses serviços não serem interrompidos de nenhuma maneira.

Além disso, a educação básica deveria ser um instrumento prioritário de bom funcionamento, com escolas bem estruturadas e funcionais, além da regulação do funcionário público, sem atraso de salário e com o cumprimento de todos os direitos. Mesma coisa com a saúde, com a ampliação de atendimento e funcionamento a pleno vapor, dos postos de bairro, Unidades de Pronto Atendimento e hospitais. A demanda crescente não pede menos, não admite falhas. Falhas essas que custam vidas e custam cabeças.

E quando se fala de cabeças, por que até hoje não se tem polos de universidades públicas de maneira mais efetiva na Região? Por que deixam os jovens da região migrarem pras metrópoles mil e perdemos cabeças pensantes e consequente mão de obra qualificada? E aí as outras questões vem no atropelo: deterioração do espaço público, perda do patrimônio material e imaterial da Região, juventude sujeita a precariedade física e financeira.

Podemos propor um caminho diferente do que acontece? Sim, podemos, e é além de votos. Sabe aquela história de um lugar que precisava de uma ponte, ela foi orçada em 200 mil, a população do lugar se reuniu, orçou em 5 mil reais, juntaram o dinheiro e construíram uma ponte funcional e duradoura? É o que precisamos fazer aqui, se possível, com a Lagoa de Araruama como referência.

Tem jeito? Acredito que sim e o você, o que pensa?

*Fabio Emecê é professor da Rede Estadual de Ensino, mc, poeta e ativista antirracista

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