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	<title>Arquivo de Crônica - Prensa de Babel</title>
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	<description>Portal de Notícias da Região dos Lagos</description>
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	<title>Arquivo de Crônica - Prensa de Babel</title>
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	<item>
		<title>A epopeia dos cem reais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 14:24:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
		<category><![CDATA[100 reais]]></category>
		<category><![CDATA[Búzios]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tempos atrás eu tinha uma loja de conveniência na Praça Santos Dumont, a Glamour Zero. Um dia, o funcionário me ligou e perguntou se eu não poderia ficar um pouco na loja pois ele teria que fazer um depósito bancário para pagar a mensalidade da faculdade do filho. Óbvio que disse sim, pois um pai [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3951652158"><div id="prens-1607607535"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="QUADRADO HOME 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/QUADRADO-HOME-2.png" alt=""  width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Tempos atrás eu tinha uma loja de conveniência na Praça Santos Dumont, a Glamour Zero. Um dia, o funcionário me ligou e perguntou se eu não poderia ficar um pouco na loja pois ele teria que fazer um depósito bancário para pagar a mensalidade da faculdade do filho. Óbvio que disse sim, pois um pai que cuida da educação do filho deve ser ajudado por menor que seja a ajuda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Era quase duas da tarde e eu, de banho tomado me preparava para um cochilo. A cama estava preparada, o ar-condicionado ligado e eu pronto para cair nos braços de Morpheu. Coloquei bermuda, uma camiseta qualquer, desci a escada e fui em direção a loja que ficava 20 metros adiante.<br>Ao chegar o funcionário estava do lado de fora fumando um cigarro. Ao me ver, como se pedisse desculpas, tirou o dinheiro do depósito do bolso e me mostrou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Vou no Bradesco e volto rápido .</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem nada responder entrei na loja, me posicionei frente ao balcão e assumi a responsabilidade de atender a clentela mas estávamos na baixa temporada e o movimento, fraco. Peguei o celular e comecei a rolar a tela em busca de algo interessante quando uma moça se aproximou do balcão e me mostrou uma nota de cem reais.<br>Eu tive a impressão que ela estava com nojo da cédula pois a segurava por uma das extremidades usando o polegar e o indicador.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2340254501"><div id="prens-1083748252"><a href="https://prensadebabel.com.br/category/polis-notas-politicas/" target="_blank" aria-label="polisCABEÇALHO-800&#215;107"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/polisCABECALHO-800x107-1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/polisCABECALHO-800x107-1.png 800w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/polisCABECALHO-800x107-1-300x40.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/polisCABECALHO-800x107-1-768x103.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" width="800" height="107"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">-Achei aqui no chão. Alguém deve ter perdido e pode ser que volte. Você pode guardar?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu disse que sim e coloquei o dinheiro em cima do mostruário de cigarros, para não misturar com os da loja. Ela foi saindo devagar e atentei para um detalhe: e se ninguém aparecesse?<br>A chamei e pedi que ela voltasse mais tarde, pois se não houvesse reclamação, o dinheiro seria dela afinal, ela o encontrou.<br>Sem nada responder ela concordou com um acenar de cabeça e seguiu seu destino.<br>Nesse momento passei a observar melhor a pessoa.<br>Era uma jovem mulher, que parecia ter pouco mais de 30 anos, carregava um capacete de moto numa das mãos e uma bolsa no ombro esquerdo. Devia trabalhar em lojas ou restaurantes do Centro imaginei. Tinha esse perfil.Quando o funcionário voltou do banco, mostrei os cem reais e contei a história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Se alguém aparecer entrega, pedi enquanto voltava pra casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um detalhe: até aquele momento, só a moça, eu e ele sabíamos do achado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cheguei enfim em casa e fui tentar dormir um pouco pois as seis da tarde eu iria trabalhar. Era folga do funcionário da noite. Mal prego os olhos e meu celular toca. Era o funcionário de novo.<br>Desta vez ele queria apenas falar e começou se desculpando. Disse que não sabia bem como começar e que estava até constrangido em me ligar.<br>No entanto foi direto ao assunto e falou que quando chegou ao caixa eletrônico para fazer o depósito, percebeu que faltava cem reais e provavelmente o dinheiro achado era dele</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Você lembra que contei a grana na tua frente? Acho que quando fui colocar no bolso de trás da bermuda uma nota caiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu lembrava muito bem da cena e sim, ele estava falando a verdade. O autorizei a pegar a grana e ele disse que como não tinha certeza se realmente lhe pertencia, iria esperar um pouco até alguém reclamar ou não. Achei muito correta a atitude e concordei.Alguns minutos depois o celular volta a tocar e era o funcionário novamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Me fudi!, foram suas primeiras palavras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Chegou um cara aqui dizendo que perdeu cem reais. É cliente nosso, dirige buggy. Aliás o carro está embaixo de tua janela e ele está acabando de sair.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Levantei rápido da cama, abri um lado da janela e apenas ouvi o barulho típico dos motores de fusca comumente usados nos Buggys se afastando.<br>Ainda com o celular ligado, lamentei o azar do funcionário e voltei a ( tentar) descansar.<br>Mas não pude. Meia hora depois ele ligou de novo contando uma história que só por ela, resolvi escrever esse texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Você não vai acreditar: o cara do Buggy voltou e me devolveu o dinheiro. Disse que na verdade havia perdido 50 reais mas que ao ouvir a história, ele apresentou como o dono. Só que ao chegar em casa contou a verdade a esposa e ela se revoltou e o mandou me devolver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tentativa de golpe só se deu porque o funcionário de maneira ingênua, perguntou a alguns clientes se algum deles havia perdido cem reais. Certamente o cara do Buggy ouviu. A loja ficava numa esquina e era possível escutar sem ser visto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a tentativa do golpe só deu errado porque entrou uma mulher decente no caso e aqui vem a parte boa dessa história. Ela só teve um final feliz porque começou e acabou com mulheres decentes.<br>Dito isso, finalizo com um pedido: vamos amar e respeitar mais as mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em tempo: a moça que achou o dinheiro passou depois na loja. Contei a história de maneira sintetizada e ela sorriu. E sempre que eu a encontrava, perguntava se não havia achado dinheiro outras vezes. E ela apenas balançava a cabeça negativamente.</p>
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		<title>As placas</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/placas-comportamento-urbano-cronica-sandro-peixoto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 13:53:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A proibitiva A história das placas informativas remetem ao Império Romano, e começou na verdade em colunas de pedras colocadas as longo das estrada informando a distância em relação a cidade de Roma &#8211; o centro do mundo à época. Com o tempo, elas evoluíram e passaram a ter características próprias, como as placas regulamentação, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3951652158"><div id="prens-3309381537"><a href="https://institutodominus.com.br/" target="_blank" aria-label="ANÚNCIO DOMINUS - QUADRADO LATERAL - 600x400px"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px.jpg" alt="ANÚNCIO DOMINUS - QUADRADO LATERAL - 600x400px"  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px.jpg 601w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 601px) 100vw, 601px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"><strong>A proibitiva</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A história das placas informativas remetem ao Império Romano, e começou na verdade em colunas de pedras colocadas as longo das estrada informando a distância em relação a cidade de Roma &#8211; o centro do mundo à época.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o tempo, elas evoluíram e passaram a ter características próprias, como as placas regulamentação, advertência, indicação, promoção, vendas, etc.Em geral, as placas são usadas como ferramentas de comunicação ráppida e ess<br>2⁰enciais para sinalizar, orientar e identificar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gosto muito de ler e leio de tudo. De bulas de remédios à placas informativas e algumas não esqueço.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2340254501"><div id="prens-1504493421"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="BANNER 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png 1069w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-300x72.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-1024x247.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-768x185.png 768w" sizes="(max-width: 1069px) 100vw, 1069px" width="1069" height="258"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Lembro bem o dia em que, acompanhando do ilustre Cabelada, conheci o tradicional Bar Petisco da Vila, na esquina da Avenida 28 de Setembro com a Rua Visconde de Abaeté no bairro de Vila Isabel, onde morei por uns meses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vila Isabel, terra de Noel Rosa com suas calçadas de pedras portuguesas com partituras musicais. E bares como o Petisco eram lugares preferidos de cantores, compositores e amantes da boa música.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto sorvia um geladissimo chope Brahma escuro, olhavam curioso o entorno em busca de alguém famoso, como Martinho da Vila, velho frequentador da casa. Enquanto alimentava minha curiosidade e matava minha sede, Cabelada seguia falando com todos que passavam. Ele era uma espécie de astro do lugar pois havia vencido por dez anos seguido o Concurso do 171 do bairro. Era tão favorito que virou Hors- concours, ou seja, proibido de concorrer. Não, ser 171 no caso, não era ser literalmente estelionatário, mas apenas um sujeito experto, um malandro carioca que dava um jeito em tudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto o Cabelada contava suas histórias eu seguia olhando tudo e qual não foi minha surpresa ao ver no perfil inferior da mão francesa que sustentava o toldo uma pequena placa retangular de madeira onde se lia: proibido batucar nas mesas.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="183" height="275" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/download-32.jpg" alt="" class="wp-image-164012"/><figcaption class="wp-element-caption">Cabelada. </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Confesso que achei estranho. Ora, aquele era um templo sagrado da boêmia e da música carioca. A maior referência de um dos bairros mais musicais do Rio de Janeiro. Um lugar perfeito para puxar um sambinha numa roda de amigos. Segurei minha curiosidade a esperei meu companheiro de mesa e de copo parar de falar.<br>Quando enfim ele ficou sozinho, eu revelei minha curiosidade.<br>Cabelada virou o copo de chope, levantou a mão para um garçom pedindo mais dois e como se falasse para uma criança, me explicou em voz baixa e quase que separando as silabas.<br>&#8221; Nesse bairro todo mundo canta, todo mundo toca algum instrumento, todos têm motivos para comemorar seja o que for. Se liberar, isso aqui vai virarvum inferno&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O garçom chehou e colocou os chopes na mesa. Peguei o meu, dei um belo gole e concluir que eu era um idiota.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Liberal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra placa inesquecível eu vi no saudoso Restaurante Brigitta’s , que ficava na Rua das Pedras , quando a famosa rua ainda tinha Glamour. Para quem não teve o privilégio de comer naquele templo gastronômico, vou tentar traduzir o ambiente.<br>Originalmente havia um bar na parte que dava frente pra rua e na calçada, umas 4 ou 5 mesas onde sentavam pessoas que queriam ver, e serem vistas. O restaurante na verdade, ficava na parte interna, acessada por um estreito corredor que se abria para um salão com vista para o mar.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img decoding="async" width="400" height="300" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Rio-de-Janeiro-053.jpg" alt="" class="wp-image-164013" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Rio-de-Janeiro-053.jpg 400w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Rio-de-Janeiro-053-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption class="wp-element-caption">Brigitta’s, no centro da foto, a propietário do restauranre épico </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Uma churrasqueira espalhava cheiros de lagostas, peixes e churrasco pelo ambiente e uma imensa cama de ferro numa área mais reservada e meio protegida por cortinas de voil completava a caótica e ao mesmo tempo singular, decoração ambiente.<br>Detalhe: se um casal desejasse, podiam serem servidos na cama e se a mulher ficasse de topless, a conta teria 50% de desconto. E sim, algumas mulheres ousaram pagar menos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O salão principal era composto de mesas e cadeiras coloridas, quadros floridos pelas paredes, plantas tipo trepadeiras nas colunas e lâmpadas de cores psicodélicas completavam o cenário. E lá no fundo, rente a janela que dava vista para o mar, uma mesa de tipo bristô, para apenas um casal, era uma das mais concorrida da casa. Tudo porque havia uma placa onde se lia &#8220;PERMITIDO FUMAR&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A inútil</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="746" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor-1024x746.jpg" alt="" class="wp-image-164011" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor-1024x746.jpg 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor-300x219.jpg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor-768x559.jpg 768w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Uma noite, fui convidado por um amigo para jantar na Pizzaria Lumberjack, que ficava no bairro dos Ossos. Não gosto de pizza, por escolha, jamais comeria alguma mas no caso, eu tinha que ir. O amigo era fraterno e a pizza, uma das melhores de Búzios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A noite estava perfeita e as margens da lagoa ao lado, barracas de madeira ofereciam vários tipos de comida. Estávamos no segundo final de semana do Festival de Gastronomia e a Pizzaria estava lotada. Pedimos umas cervejas, uma pizza brotinho cortada a francesa e a conversa começou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minutos depois, tive vontade de ir ao banheiro. Chegando lá, o mesmo estava ocupado e com calma, esperei minha vez. A porta abriu e saiu um amigo. Nos cumprimentamos com um boa noite e fui me aliviar.<br>Ao terminar,esperei com calma o último pingo que sempre cai na cueca e vi a placa que me trouxe até aqui. Era uma placa até bonita. Fundo branco com letras azuis e em três idiomas. Português, espanhol e inglês. Oʻe<br>Dava um recado simples, mas ao meu modo de ver, inútil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CUIDE BEM DESSE BANHEIRO. LEMBRE-SE QUE DEPOIS DE VOCÊ, OUTRA PESSOA O USARÁ.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quase rindo cometei comigo mesmo.<br>E desde quando o ser humano se preocupa com os outros?<br>Mesmo sabendo que vai voltar naquele lugar, a pessoa nem se preocupa consigo mesmo, que dirá com estranhos que virão depois. Xixi no chão mais que na privada é a regra nos banheiros masculinos. E nem descargas a maioria dá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Penso que uma placa mais simples,ao menos nos banheiros dos homens, faria mais sentido. Bastava escrever assim:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Chegue mais perto, ELE não é tão grande quanto você imagina.</strong></p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="565" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg" alt="" class="wp-image-160955" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg 565w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado. </figcaption></figure>
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		<title>Três vezes não</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/tres-vezes-nao-historia-carro-roubado-buzios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 10:41:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
		<category><![CDATA[Búzios]]></category>
		<category><![CDATA[Carro]]></category>
		<category><![CDATA[Roubo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Três vezes não Éramos mais que amigos. Quase irmãos. Ele repetia aos quatro cantos que só estava em Búzios por minha causa.O conheci em 1997, na saudosa Pousada/Bar A Estalagem, na Rua das Pedras, que havia arrendado do Bruce Henry um ano antes. Se apresentou como contrabandista (a palavra é essa mesma) de whisky, bebidas [&#8230;]</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3951652158"><div id="prens-1607607535"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="QUADRADO HOME 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/QUADRADO-HOME-2.png" alt=""  width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"><strong>Três vezes não</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Éramos mais que amigos. Quase irmãos. Ele repetia aos quatro cantos que só estava em Búzios por minha causa.<br>O conheci em 1997, na saudosa Pousada/Bar A Estalagem, na Rua das Pedras, que havia arrendado do Bruce Henry um ano antes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se apresentou como contrabandista (a palavra é essa mesma) de whisky, bebidas em geral e cigarro Gudang Garam. Tudo made in Paraguai.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, ele vendia whisky falsificado, mas também tinha produtos originais. Ficava ao sabor do cliente. Eu comprava pouco, mas usei minha influência e o apresentei a outros comerciantes — o que fez aumentar suas vendas.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2340254501"><div id="prens-1504493421"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="BANNER 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png 1069w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-300x72.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-1024x247.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-768x185.png 768w" sizes="(max-width: 1069px) 100vw, 1069px" width="1069" height="258"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">E assim, passou a morar em Manguinhos e, entre uma e outra ida à Praia de João Fernandes para entregar mercadorias, conheceu um argentino decepcionado com a cidade e passou a alugar os caiaques que o gringo acreditava que o fariam rico. Meu amigo herdou uma dívida, vários caiaques e um bugre. E, em pouco tempo, virou referência na praia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Carioca do bairro do Méier, sempre gostou de jogos e, por algum tempo, comandou as mesas de baralho no Morro do Alemão. Preparava as mesas, servia cafezinho, controlava as apostas e, claro, ficava com parte do rateio. Sendo assim, sempre ganhava. A casa sempre ganha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Teve infância e adolescência fartas graças ao pai, que trabalhava na melhor loja de produtos alimentícios importados da época. Por causa da ascendência paterna, tinha acesso ao que havia de melhor da cultura italiana — o que favoreceu seu paladar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quebrado em Búzios, tentava de tudo para se reerguer e voltar a ser o que foi um dia: um bon vivant afeito a bons whiskies, cigarros importados e comidas de primeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parou de vender bebidas e se dedicou totalmente ao negócio da praia, e viu a vida melhorar: comprou carros, barco, criou um bolão com jogos de futebol e ficou tão famoso que alguns amigos tentaram levá-lo para a política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recusou de primeira. Dizia que políticos eram todos corruptos, ladrões etc. Mas ele mesmo não era nenhum exemplo de bom cidadão. Quase sempre vestido com uma jaqueta camuflada, repetia que, na época da ditadura militar, o Brasil era melhor. Porém, nada fazia para melhorar a pátria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não gostava de pagar as contas. Comprou a prazo dois carros usados de amigos, pagou algumas prestações e depois se fingiu de morto. Fez o mesmo com o dono do barco, outro amigo que lhe perdoou a dívida. Costumava alugar casas por um valor específico e, com o passar dos dias, começava a colocar defeitos nos imóveis para pedir descontos. Um senhorio menos atento poderia acabar pagando em vez de receber.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cara era terrível. Dirigia bêbado e com habilitação vencida. Tinha sempre que podia “gato” na água e na luz. Internet, sugava da vizinhança.<br>“Nunca dei um cheque bom”, era esse seu bordão. O famoso 171 brasileiro.<br>Mas era um sujeito bom, apesar de tantos defeitos. Vivo hoje, seria mais bolsonarista que o próprio Bolsonaro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma noite, esse amigo de quem tenho saudades bebeu demais no meu bar — coisa que fazia com frequência. Teimou em voltar dirigindo e tentei evitar. Como último recurso, propus dirigir o carro até sua casa e voltar de táxi. Ele aceitou e fomos até a rua onde o carro estaria, uma quadra adiante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como não respeitava quase nenhuma regra, estacionava seu carro numa das duas vagas do Ministério Público, coisa que quase ninguém ousava. Chegamos lá e, para nossa surpresa, o veículo não estava. Nem o tradicional flanelinha da rua para nos dar alguma informação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rebocado não foi, pois esse serviço não havia na cidade. Só podia ter sido roubo — afinal, estávamos no verão, época em que esse tipo de crime aumenta. Ele ficou puto, falou que ia ligar para um amigo delegado, para um general etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu, mais tranquilo, acreditava mesmo que o carro deveria estar em outro lugar. Chamei um táxi e pedi para levar o bêbado até sua casa. Por instinto, lhe pedi as chaves do veículo. Voltei ao bar e, horas depois, o fechei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com as ruas quase vazias, saí em busca do tal carro roubado e o encontrei uns duzentos metros de onde deveria estar. Levei até a rua onde morava e o deixei defronte à janela do meu quarto, num sobrado onde vivi por 25 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por causa do trabalho, dormia e acordava tarde, mas meu amigo, dono de barraca de praia, acordava cedo. Refeito da bebedeira, lembrou onde havia deixado seu Fiat Palio com B.A., a famosa busca e apreensão por falta de pagamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chamou seu funcionário de maior confiança, lhe entregou a chave reserva e indicou o local onde deixou o bem. O funcionário, ao chegar ao local, não encontrou o veículo. Tentou avisar ao patrão, mas ele já estava na praia e, lá, o sinal do celular não funcionava bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse lapso de tempo é muito importante nessa história, e peço que prestem bem atenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O amigo, sem informações, trabalhando na praia; eu, dormindo; e o funcionário indo em direção à casa lotérica. E foi nessa caminhada que ele passou em frente à minha casa, encontrou o carro e, sem ter como avisar ao patrão, o levou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minutos depois, meu amigo me liga e, antes que eu fale qualquer coisa, lamenta:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Poxa, Sandro, roubaram meu carro mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Não, amigo. Você não o deixou em frente ao MP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Eu sei. Lembrei de manhã e mandei o Gerê ao lugar certo, e o carro não estava lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu estava em pé e, antes de informar que o carro estava em frente à minha casa, abri a janela e&#8230; cadê? O mesmo não estava lá.<br>E então foi a minha vez de errar:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Roubaram mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E foi assim que, por algum tempo, o mesmo carro havia sido roubado três vezes — e nenhuma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi somente quando o funcionário chegou à praia que o mistério foi resolvido</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="565" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg" alt="" class="wp-image-160955" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg 565w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sandro Peixoto, jornalista e cronista, em Búzios foi repórter por mais de uma decáda de O Perú Molhado. </figcaption></figure>
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		<title>Pernas pra que te quero</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/perna-cabeluda-cemiterio-dos-ossos-buzios-memoria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Feb 2026 21:54:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A perna cabeluda Em 1977, ano em que se situa o filme O Agente Secreto do Diretor Kleber Mendonça Filho,eu tinha 12 anos e morava numa cidade cerca de 60 quilômetros do Recife. Era uma cidade canavieira na Zona da Mata Norte de Pernambuco e ainda bastante tranquila. O Brasil vivia um momento brutal politicamente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3951652158"><div id="prens-1607607535"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="QUADRADO HOME 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/QUADRADO-HOME-2.png" alt=""  width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"><strong>A perna cabeluda</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1977, ano em que se situa o filme O Agente Secreto do Diretor Kleber Mendonça Filho,eu tinha 12 anos e morava numa cidade cerca de 60 quilômetros do Recife. Era uma cidade canavieira na Zona da Mata Norte de Pernambuco e ainda bastante tranquila. O Brasil vivia um momento brutal politicamente falando. O general Ernesto Geisel era o ditador da hora e seu governo estava rachado pois o mesmo havia começado o que se chamou de abertura política &#8221; lenta, gradual e segura&#8221; o que desagrada os militares de linha dura, que queriam manter não só as mamatas, como também aumentar a brutalidade de terror contra o povo que não aceitava calado o regime ditatorial. É bom lembrar que nessa época a resistência armada já havia sido derrotada, os maiores líderes estavam mortos, presos ou refugiados e havia uma ainda incipiente reação com os movimentos estudantis, a reorganização sindical e as greves no ABC Paulista, onde surgiu o que viria ser a maior liderança política de esquerda da América Latina . Luis Inácio Lula da Silva.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="275" height="183" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/download-20.jpg" alt="" class="wp-image-162139"/><figcaption class="wp-element-caption">repodrução de jornal da época </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Se no Rio em São paulo a repressão era comandada pelos cabeças, no Recife quem promovia o terror e a carnificina eram, por assim dizer, os guardas da esquina. Policiais de merda que se achavam representantes dos golpistas da casa grande.<br>E não foi por falta de aviso: em 1968, durante o comando do general Costa e Silva, o então vice Pedro Aleixo ( um civil colocado na vice-presidência para fingir normalidade democrática) se negou a assinar o AI-5, ato institucional que endurecida ainda mais as regras do regime.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">-não temo o poder do alto comando, o que me assusta é o poder que daremos ao guarda da esquina.<br>Em outras palavras, foi mais ou menos isso que ele falou.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2340254501"><div id="prens-1504493421"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="BANNER 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png 1069w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-300x72.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-1024x247.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-768x185.png 768w" sizes="(max-width: 1069px) 100vw, 1069px" width="1069" height="258"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Esses &#8220;guardas de esquinas&#8221; tocavam o terror no estado de Pernambuco e eram temidos por todos. Um dia, surgiu a lenda urbana de uma perna masculina decepada e cabeluda que saltitando pelas ruas,perseguiam as pessoas dando-lhes chutes, rasteiras e pasmem, até tapas. E o que era comentado nas mesas de bares, filas de supermercados, roletas de ônibus a saídas de missas ganhou as páginas dos jornais. Algumas vezes os casos da perna eram usados para tapar buracos da edição quando alguma matéria caia por causa da censura. Quem acreditava na lenda se deliciava com os textos bem escritos pelos jornalistas e quem tinha um pouco de juízo entendia que a censura havia escondido algo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Distante da capital, a perna cabeluda demorou a chegar em minha cidade. Mas num domingo após o almoço, quando saía de casa para jogar futebol com uns amigos num campinho de terra batida, fui aconselhado por uma senhora a voltar.<br>-Volta pra casa meu filho. A perna cabeluda foi vista na Estrada Nova. Está todo mundo trancando as casas.<br>Ouvi com respeito e segui meu caminho. Aquilo não fazia sentido. Se eu não acreditava em Deus, como poderia acreditar numa perna que saltita sem rumo?  E essa foi a única vez que eu estive próximo de ver a assombração.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A outra perna</strong></p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="275" height="183" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/download-19.jpg" alt="" class="wp-image-162138"/><figcaption class="wp-element-caption">O Cemitério de Sant&#8217;Anna ou apenas &#8220;dos Ossos&#8221;</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Anos depois em Búzios, repórter do <strong>O Perú Molhado</strong>, fui designado pelo Editor Marcelo Lartigue para fazer pela enesima vez, a cobertura do dia de Finados no Cemitério dos Ossos. Nome mais correto para um cemitério não existe.<br>O mês de novembro geralmente faz calor mas nesse dia a coisa estava pior ainda. Antes de subir a ladeira em direção da última morada, fiz um pit-stop no Capitans Bar. Eu adoro aquele cantinho mas gostava mais quando tinha a companhia do meu amigo Ivan.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tomei um drink, peguei uma água e fui fazer meu trabalho. Era pouco mais de duas da tarde e chegando lá encontrei o cemitério vazio e apenas um rapaz sentado numa cadeira em frente a uma mesa com um bloco de anotações. Dei boa tarde e caminhei um pouco entre os becos pensando o que iria escrever. Para quem não conhece, o cemitério de Búzios fica atrás da igreja da Sant&#8217;Anna no bairro dos Ossos, e é do tipo armário, ou seja, paredes com gavetas e os caixões são lacrados. Quando volto a entrada encontro uma senhora já bem idosa bastante curiosa com aquela construção. Ao saber que era o cemitério a mesma fez um comentário bastante singelo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-que organizado. Bem limpinho. Dá vontade de morrer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ficamos eu e o rapaz calados enquanto a senhora caminhava entre os mortos. Olhei para um lado e vi algumas latinhas de cervejas jogadas próximo ao muro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>-algumas pessoas entram sem querer e quando percebemos que é um cemitério se constrangem e jogam fora.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Lembrei que o Dia de Finados é feriado e aquele caminho liga a praia da Armação à Praia dos Ossos e muitos turistas passam ali. Perguntei ao rapaz o que fazia ,e ele me disse tinha a lista dos túmulos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>-Recebemos visitas de amigos e parentes que não sabem ou não lembram onde o ente querrido foi enterrado. Aqui nesse caderno tem os nomes e o local.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Nesse momento entra um jovem rapaz com um capacete de moto no cotovelo, camiseta regata e vários cordões de aço inox no pescoço. Ele perguntou onde estava o caixão da mãe e o atendente perguntou nome e data do sepultamento. Ao receber as informações ele disse que não poderia ajudar pois a empresa que atualmente administrava o cemitério e para qual trabalhava, só havia assumido ha dois anos e o cadastro dos sepultamentos anteriores estava na prefeitura.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Satisfeito com a resposta o motoqueiro fez outra pergunta que me chamou bastante a atenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>-E o meu túmulo está aonde?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Se a perguntou me perturbou, a resposta elucidou. Mas me deixou perpexlo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>-É membro inferior né?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Foi somente então que vi que o jovem tinha uma prótese de metal do joelho para baixo da perna direita.<br>E descobri que quando uma pessoa perde um órgão, o hospital cuida do descarte, mas quando se trata de membros, tem que haver um sepultamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não precisa ter funeral com velório ou cortejo, nem o dono precisa ir, mas o membro precisa ser depositado em local determinado por lei. E eu, coveiro de profissão, não sabia desses detalhe e enquanto o dono da perna seguia o caminho indicado fiquei a pensar: o que ele irá dizer frente a gaveta onde repousa seu membro. &#8220;Saudades de você&#8221;? Quanto tempo faz que a gente não bate uma bolinha&#8221;?.  Melhor deixar pra lá, deduzi. Já tinha uma história para contar e pensamentos intrusivos começaram a me perturbar no caminho de volta pra casa. Coisas macabras me vinham à mente. Eu teria que escrever uma história para o jornal com início meio e fim. E se possível, uma pitada de humor (e sem zombar da situação) para fazer juiz a história do jornal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensei numa situação hipotética: uma pessoa com diabetes e morando em Vitória, no Espírito Santo, teve que amputar uma perna por necrose no pé e o membro sepultado lá. Anos depois essa mesma vem morar em Cabo Frio e por desgraça do destino perde a outra perna e a enterrado aqui. Como ela faria para visitar seus membros no Dia de Finados. A palavra <em>finados</em> significa como &#8221; algo que findou &#8220;, e nesse caso a pessoa em questão estaria findando aos poucos. Outra questão: será que as funerárias dão desconto? Afinal o coitado seria enterrado no mínimo três vezes. E se o destino fosse mais cruel e ele perdesse um braço já morando em outro estado?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Chegando em casa tomei um banho frio e ao sentar frente ao computador resolvi contar uma história menos macabra. E foi assim que por duas vezes tive uma perna como personagem na minha história.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="565" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg" alt="" class="wp-image-160955" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg 565w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sandro Peixoto, cronista, escritor, foi repórter de O Perú Molhado. </figcaption></figure>
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		<title>Diário de um peladeiro 2024, parte 4 – Issac Newton e os joelhos de Nietzsche</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/diario-de-um-peladeiro-2024-parte-4-issac-newton-e-os-joelhos-de-nietzsche/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clinton Davisson]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Oct 2024 22:28:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[BEM-ESTAR]]></category>
		<category><![CDATA[Coluna Clinton Davison]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Autismo]]></category>
		<category><![CDATA[Bem estar]]></category>
		<category><![CDATA[Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[superação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diário de um peladeiro 2024, parte 4 – Issac Newton e os joelhos de Nietzsche O empoderamento da dor, ou a valorização do sofrimento como parte essencial do crescimento humano, é um tema central na obra de Friedrich Nietzsche, especialmente em Assim Falou Zaratustra e A Genealogia da Moral. E já que estamos citando Nietzsche, [&#8230;]</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3951652158"><div id="prens-2338701078"><a href="https://www.sophiaeditora.com.br/o-homem-que-vomitava-sapos-de-victor-p-viana" target="_blank" aria-label="300 (1)"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-1.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-1-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Diário de um peladeiro 2024, parte 4 – Issac Newton e os joelhos de Nietzsche</p>



<p class="wp-block-paragraph">O empoderamento da dor, ou a valorização do sofrimento como parte essencial do crescimento humano, é um tema central na obra de Friedrich Nietzsche, especialmente em <em>Assim Falou Zaratustra</em> e <em>A Genealogia da Moral</em>. E já que estamos citando Nietzsche, vale também citar Newton: O enunciado da Terceira Lei de Newton (Princípio da Ação e Reação) é descrito da seguinte forma: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sábado</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois é, os três gols da semana passada cobraram um preço. Os joelhos carregando 99kg durante uma pelada de uma hora de duração em futebol de salão não ficaram exatamente contentes. Se toda ação tem uma reação, a minha consequência é que meus joelhos doeram a semana toda. Inclusive na academia. Passei a fazer só 15 minutos de esteira, os outros 15 de bicicleta para poupar os joelhos, mas a dor continuou.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2340254501"><div id="prens-272468057"><a href="https://www.instagram.com/tourshopbuzios/" target="_blank" aria-label="Jornal Prensa de Babel (1)"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Jornal-Prensa-de-Babel-1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Jornal-Prensa-de-Babel-1.png 1200w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Jornal-Prensa-de-Babel-1-300x37.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Jornal-Prensa-de-Babel-1-1024x127.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Jornal-Prensa-de-Babel-1-768x95.png 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" width="1200" height="149"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Chegou sábado, eu evitei fazer qualquer movimento mais elaborado. Corri, acho que até chutei a gol, mas não lembro de ter dado um passe para gol, sequer. Gol então, nem pensar. Acho que ao invés de jogar futebol, eu fiz um spining elaborado na quadra. Mesmo assim, cheguei em casa com os joelhos estalando do dor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Domingo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, domingo, 13 de outubro, teve a entrega do manto sagrado do Furabola FC, nosso querido Mustela. Dei dois passes para gol, um eu lembro que foi para o Renan, que, aliás, acreditem, tem 15 anos, contra meus 53, é como usar um Uno (eu) disputando contra um Fórmula 1(ele). &nbsp;Gostei também de ter armado ao menos três jogadas que terminaram em gol. Fiz um gol com um passe açucarado do Ramon, só precisei escolher o canto do gol e chutar de chapa à direita. E um de rebote, também de direita. O Gabriel jura que fiz um gol chutando de fora da área, sim, foi um chute lindo de Trivela, mas que eu me lembre, essa bola foi para fora. Gabriel que hoje fez 4 gols, um deles de cabeça quando eu estava de goleiro. Aliás, tomei mais gols hoje que o Julho Cézar na Copa de 2014, dois deles com falhas grotescas minhas ao sair a bola de foram errada, mas vida que segue.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já entendi que eu preciso me aquecer antes. No começo da pelada eu fico sem fôlego, a cabeça não processa nada. A ansiedade tenta me tirar a concentração, mas é para isso que a gente insiste em jogar futebol, porque é o melhor meio de controlar a ansiedade. Desacostumado com o salão, a bola corre muito. O domínio de bola é diferente. Mas vai chegando no final, tá todo mundo cansado e eu tô lá ligado no 220v. Se eu tivesse uns cinco quilinhos mais magro, dava para arriscar mais. De semana passada para cá, perdi 2kg, o que é bom, mas correr com 97kg, sendo que 15 deles na barriga, não é nada bom. Só é pior que ficar em casa depressivo. A escolha então é fácil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas é isso. Amanhã vou ao médico para resolver como fazer as pazes com o joelho e continuar emagrecendo. Porque se parar de jogar, é pior. Prefiro mil vezes a dor no joelho à depressão. Assim como Nietzsche via no empoderamento do sofrimento como o caminho para a transcendência pessoal, o autor autista deste diário vê no futebol o meio para manter sua saúde mental e espiritual, mesmo que isso venha ao custo de dores físicas. É essa relação com a dor que o fortalece, fazendo com que, ao final, ele sinta que a superação é não só possível, mas necessária.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Saldo 2024 &nbsp; &nbsp;</td><td>7 jogos</td><td>10 gols</td><td>9 assistências</td></tr></tbody></table></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Clinton Davisson Fialho é jornalista, com pós em cultura africana e indígena e mestrado em novas tecnologias de comunicação. Autor de cinco livros dos gêneros ficção científica e terror, vai lançar o sexto ainda este ano, intitulado Hegemonia I – Vellanda.</p>



<figure class="wp-block-image size-medium"><img loading="lazy" decoding="async" width="225" height="300" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2024/10/mustela3a-1-225x300.jpg" alt="Segue a luta, apesar da dor no joelho" class="wp-image-139093" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2024/10/mustela3a-1-225x300.jpg 225w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2024/10/mustela3a-1-768x1024.jpg 768w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2024/10/mustela3a-1.jpg 900w" sizes="(max-width: 225px) 100vw, 225px" /></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>De Saída</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/de-saida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Emece]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Feb 2020 13:21:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Democracia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vagabundo quer meter o pé e arruma desculpa filosófica. A lógica de estar sempre tenso e indignado por algo no qual se tem nenhum controle. O decoro é decoração numa paisagem em que frequentadores dos porões nunca foram responsabilizados pela tortura e sumiço de nomes. Com seus conjugues ganhando pensão vitalícia. No emaranhando de ligações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="640" height="320" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/02/3873-saida-esquerda-com-escrita-1.jpg" alt="" class="wp-image-44427" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/02/3873-saida-esquerda-com-escrita-1.jpg 640w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2020/02/3873-saida-esquerda-com-escrita-1-300x150.jpg 300w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /></figure></div>



<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3951652158"><div id="prens-3291810412"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg 656w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Vagabundo quer meter o pé e arruma desculpa filosófica. A lógica de estar sempre tenso e indignado por algo no qual se tem nenhum controle. O decoro é decoração numa paisagem em que frequentadores dos porões nunca foram responsabilizados pela tortura e sumiço de nomes. Com seus conjugues ganhando pensão vitalícia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No emaranhando de
ligações clandestinas, construções irregulares e transmissões
piratas, o tiro acerta aquele convertido pela crueldade que ganha
texto comovente por conta de eleições pro prédio criador de
inanição. Pela vingança, pela explosão, o terror da segurança
sem seguridade na política de bolsa depressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O monopólio da
barbárie se traveste no tosco do Homem que não foi algemado quando
disse impropérios. Não há funcionalidade em atos protegidos por
imunidade além do fato do espelho refletir um coletivo sedento por
sangue temperado por moralismos factuais. O gosto ocre de jovens
desesperados, escrevendo numa folha de caderno que não sabem o que
fazer quando terminarem o Ensino Médio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há tédio, há
desmantelamento das forças de entendimento da participação como
potência de mudança. Estão putos porque a maioria do esforço
diário de ser alguém digno não serve para absolutamente nada,
mesmo com cultos, liturgias, reality shows e twitter.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2340254501"><div id="prens-2004722265"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva.jpeg 1080w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-300x53.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-1024x182.jpeg 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-768x137.jpeg 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" width="1080" height="192"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">A raiva é
fundamental quando fermenta vontades que tem a ver com a destituição
do modelo ocidental de vivência. Os povos originários observam
discussões sobre indumentárias nunca usadas por eles enquanto há o
patrocínio daqueles cidadãos para a eliminação sistemática da
terra, da gleba, do curtume, do costume.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E ao andar na rua
qualquer de um local alheio, há um devaneio, um grito, um pedido
aflito para se socorrer aquela que poderia ser o futuro de algo bem
melhor do qualquer um daquela linhagem foi e não será porque não
há nenhuma defesa da sua existência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Queríamos desistir
por problemas de saúde. Queríamos não ir porque chove. Queríamos
deixar porque não sabemos. Queríamos não ser porque nossos
representantes são execráveis. Não dá, simplesmente não dá,
porque ninguém será solidário e porque ninguém liga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Levante com dor e vá pro batente. Vá com chuva porque não é de papel. Não deixe, alguém tomará seu lugar. Não desista nunca. Ah, sem energia, sem fôlego, sem remédio, sem tratamento. Apenas mais um a espera do caixão social. Uma nota no rodapé do jornal. Nem isso, impressão de jornal pra que se ninguém lê?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>*Fabio Emecê é professor da Rede Estadual de Ensino, Mc, Poeta e Ativista Antirracista</strong></p>
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		<item>
		<title>Bumbos, caixas, silêncios, sorrisos e tristezas</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/bumbos-caixas-silencios-sorrisos-e-tristezas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Emece]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Dec 2019 14:13:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Fábio Emecê]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>3h15 da manhã o som para no baile. Não é ação policial, é luto. Logo, logo a música voltaria e luto é vivenciado na dança, no sorriso, na dispersão da sensação de errante pelo Estado, pela sociedade. Alguma história de um enterro com batuque, cachaça e malemolência pra lembrar? Maneiras de lidar com a dor, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2019/12/004387_Ampliada-456x600.jpg" alt="" class="wp-image-42159" width="313" height="412"/></figure></div>



<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3951652158"><div id="prens-1607607535"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="QUADRADO HOME 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/QUADRADO-HOME-2.png" alt=""  width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">
3h15 da manhã o som para no baile.
Não é ação policial, é luto. Logo, logo a música voltaria e
luto é vivenciado na dança, no sorriso, na dispersão da sensação
de errante pelo Estado, pela sociedade. Alguma história de um
enterro com batuque, cachaça e malemolência pra lembrar? Maneiras
de lidar com a dor, apenas isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Torpor
que se mostra na ineficiência de abordagem a uma parte significativa
da juventude, aquela herdeira dos pedreiros, serventes, motoristas,
empregadas, ferreiros, cozinheiras, ambulantes, viventes, retirantes.
A truculência cognitiva no seu limite de lidar com os corpos, além
do respiro e manuseio de ferramentas capazes de modificar realidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre
a omissão do ensino de cálculo no Ensino Básico e o entendimento
corpóreo da quantidade de batidas por minuto, os desviantes ousam a
conjugar o verbo de combate a barbárie daqueles que comandam a
gestão pública, daqueles que se consideram parecidos com um
espantalho, numa plantação, espantando corvos e promovendo boas
colheitas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A
percepção dos gestores sobre como lidar com os indesejados
assemelha-se a maçãs podres numa ceia orquestrada para comemorar
mais um ano de lucros, propinas e intenções de voto na cidade com
ruas esburacadas, trânsito lento e pessoas aglomeradas na busca da
promoção pra se comprar alimentos ultraprocessados.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2340254501"><div id="prens-1504493421"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="BANNER 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png 1069w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-300x72.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-1024x247.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-768x185.png 768w" sizes="(max-width: 1069px) 100vw, 1069px" width="1069" height="258"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Entre
os olhares, comoções, mortes e projeções, o vácuo de se
realmente transformar realidades a partir de pessoas reais se torna
cada vez mais ilusório. Pessoas reais são pessoas cujo olhar é
constantemente marejado por um parecer, por um projeto de lei, por
uma ação institucional, por uma reportagem enviesada e pela mais
eficaz das condutas: a invisibilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os
invisíveis inventaram a roda, construíram os alicerces, limparam os
salões, costuram as roupas. Conhecem as batidas do tempo, do
coração, das quadras e das ruas. Ainda não dominam os algoritmos,
mas tecem as linhas da vida para que aqueles que mandam, continuarem
a acreditar que são representantes da alta: cultura,
intelectualidade. Seres divinos com pavor de perderem suas cadeiras
que foram montadas pelos invisíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No
País democrático em que mais se concentra renda, a indisciplina e a
indocilidade são propagandas eficazes para se tentar exterminar
jovens ou jogá-los numa zona cinzenta e débil, em que nenhuma
batalha valha a pena ser lutada. Tentam narrar a sua história,
tentam mediar a sua palavra. A democracia coloca perversos no poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quais
são as ferramentas as mãos para sermos boas pessoas? A memória
tenta se dissolver, mas o corpo ainda balança, o corpo ainda emerge
do rio de bactérias produzidas pela famigerada política pública.
Por mais que se camuflem dados, as paisagens são reconfiguradas na
crueldade da punição iminente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não
temos o direto de nascer, crescer e morrer de acordo com a teoria
biológica. Nesse intervalo ainda sorriremos, ainda amaremos, ainda
gritaremos e ainda revelaremos que a atual política é contra nossa
emancipação. Não há manipulação de percepção, nem batidão o
suficiente pra se ir contra…</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>*Fábio
Emecê é mc, ativista anti-racista, poeta e professor de Língua
Portuguesa da Rede Estadual de Ensino.</strong></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Nosso Desemprego</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/nosso-desemprego/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Roberto Araujo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Jun 2019 13:56:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Roberto Araújo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há alguns dias atrás, uma reportagem do Diário de Pernambuco sobre desemprego, onde estava escrito que 70% do “Desemprego por desalento” no Brasil, estava concentrado nos Estados da região Nordeste. O “desemprego por desalento” significa que o trabalhador desistiu de procurar emprego, após ter tentado, sem sucesso, por mais de um ano. Mas como chegamos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3951652158"><div id="prens-3309381537"><a href="https://institutodominus.com.br/" target="_blank" aria-label="ANÚNCIO DOMINUS - QUADRADO LATERAL - 600x400px"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px.jpg" alt="ANÚNCIO DOMINUS - QUADRADO LATERAL - 600x400px"  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px.jpg 601w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 601px) 100vw, 601px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-38938 aligncenter" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2019/06/arton7232-300x169.jpg" alt="" width="650" height="366" />Há alguns dias atrás, uma reportagem do Diário de Pernambuco sobre desemprego, onde estava escrito que 70% do “Desemprego por desalento” no Brasil, estava concentrado nos Estados da região Nordeste. O “desemprego por desalento” significa que o trabalhador desistiu de procurar emprego, após ter tentado, sem sucesso, por mais </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">de um ano</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">. Mas como chegamos a este ponto, posto que há alguns atrás atrás, vivíamos uma situação de quase “pleno emprego”. </span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">De maneira geral, entre todos os que votaram nas últimas eleições no candidato Fernando Haddad, a “culpa” por todas as mazelas do Brasil, e em especial a grave crise econômica que o Brasil vem enfrentando desde 2014, deve-se pura e unicamente, ao “Golpe de Estado”, desfechado inicialmente para impor à Presidenta Dilma Rousseff, que terminou em seu impeachment, em 2016, e posteriormente, na eleição de Jair Bolsonaro. Percebe-se claramente a existência de uma narrativa que atribui a causalidade da crise econômica e por extensão ao desemprego à instabilidade política provocada pela queda de Dilma Rousseff e pela ascensão de um candidato populista de direita, como Jair Bolsonaro. </span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Por outro lado, existe uma narrativa que atribui as origens desta crise à sucessão de erros, casos de corrupção e equívocos realizados pelos sucessivos governos do PT, desde a eleição de Lula, em 2002. O aumento do desemprego, por exemplo, segundo esta narrativa “antipetista”, é que as políticas adotadas sobretudo por Dilma Rousseff foram cruciais para o agravamento da crise econômica. O principal argumento desta narrativa é que Dilma Rousseff, ao assumir a Presidência da República pela 2ª vez, em 2014, a economia brasileira amargava uma taxa de desemprego que já batia nos 12%, ao passo que quando Lula entregou a faixa presidencial em 2010, o desemprego era menor do que 5%.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Desde então, o desemprego passou a ser uma das principais preocupações do brasileiro comum, ao lado da Segurança. Temos portanto, duas “grandes narrativas” que servem como estrutura para que os fatos e os dados sobre a economia e o desemprego sejam escolhidos, de acordo com as posições ideológicas de cada uma das correntes, ainda em disputa.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Dependendo de sua posição política, “centro”, “esquerda’, ou “direita”, a “narrativa” sobre as causas do</span></span> <span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">desemprego pode escolher determinados fatos e fatos, em detrimento de outros, de maneira que estes acabem se ajustando à visão de mundo e crenças políticas dos diferentes grupos em disputa.</span></span></p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2340254501"><div id="prens-2004722265"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva.jpeg 1080w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-300x53.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-1024x182.jpeg 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-768x137.jpeg 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" width="1080" height="192"   /></a></div></div>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Em um ambiente político altamente polarizado, é muito fácil atribuir as causas do desemprego </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">a esta</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">, ou aquela posição/partido político. Na verdade, o debate público sobre as causas do desemprego pode ser considerado um dos vários níveis de debate sobre as razões e as soluções para o desemprego. </span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Mas então, me dei conta de que um assunto como este poderia perfeitamente entrar uma sala de aula. Fiquei imaginando como fazer uma conexão entre “a Sala de Aula”, e o mundo de fora deste ambiente. </span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Bem, eu começaria mais ou menos assim:</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: x-large;"><b>Sim, a Revolução Industrial nos ajuda a compreender a Automação no Mundo trabalho do Século XXI</b></span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">A </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"><b>Revolução industrial</b></span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"> é um termo que engloba um conjunto de mudanças tecnológicas, econômicas e culturais de escala continental, iniciando-se na Europa nos séculos XVIII e XIX, mas que depois se espalharam pelo mundo.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Geralmente, este processo é descrito como tendo a principal característica a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado, e o uso intensivo das máquinas. Isso é o que praticamente os todos os alunos ouvem nas aulas de História neste país, mas a coisa é um pouco mais complicada. Essa</span></span> <span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">definição leva </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">a uma</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"> série de mal entendidos, </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">a primeira</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"> deles é acreditar que antes desta “Revolução Industrial”, não havia trabalho assalariado, o segundo é que o emprego de máquinas foi uma decorrência direta desta “industrialização”.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">O trabalho assalariado e o uso intensivo de máquinas na produção tiveram a </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">suas utilizações potencializadas</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"> em uma escala até então sem precedentes, com o advento da “Revolução Industrial”, mas estes dois elementos, a mecanização e o trabalho assalariado já existiam, mas não em uma escala que levasse </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">a uma</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"> mudança social e econômica qualitativa. Basicamente, este é um caso onde é possível compreender que uma mudança qualitativa, o surgimento de uma sociedade industrial e capitalista, foi uma decorrência de uma transformação quantitativa, ou seja, o aumento no número de máquinas empregadas na produção mudou completamente o cenário da economia, um caso típico em que “mais é também diferente”.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Se empregamos cada vez mais máquinas no processo de trabalho, isso não significa somente “mais máquinas”, mas uma nova forma de trabalho, totalmente diferente daquilo que existia anteriormente. Podemos pensar um paralelo entre os primeiros anos desta revolução Industrial, e os dias de hoje.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Quando as manufaturas fabricavam peças de vestuário, a produção, assim como o preço das peças dependia diretamente da capacidade destas manufaturas atenderem à demanda. Mas a mecanização do trabalho têxtil mudou isso de maneira radical. A substituição do trabalho artesanal pelo mecânico, elevou a quantidade da produção em uma escala inédita. Não eram apenas “mais tecidos no mercado” para serem vendidos, era uma coisa muito diferente.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">O mesmo acontece no século XXI. Um robô em uma linha de produção de uma fábrica ou outra, tem um determinado impacto no mundo do trabalho, mas quando os robôs passam a figurar em praticamente todos os lugares, tornando-se quase onipresentes, então, o mundo do trabalho será transformado inteiramente.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-38937 aligncenter" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2019/06/robos-300x214.jpg" alt="" width="577" height="411" />Este gráfico conta a seguinte história: ele mostra a quantidade robôs empregados nas indústrias de 4 grandes economias industriais do mundo, a China, a </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Coreia</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"> do Sul, o Japão, os Estados Unidos e a Alemanha.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Ele mostra claramente que atualmente a China é a maior exportadora/fornecedora de robôs do mundo. Ao mesmo tempo, o gráfico faz uma expectativa do crescimento do uso de robôs em unidades industriais.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Em 2013, segundo os dados da </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"><b>Federação Internacional de Robótica</b></span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"> eram fabricados anualmente 178 mil robôs. Em apenas 7 anos, ou seja, em menos de uma década, entre 2013 e 2020 este número saltará para 521 mil robôs, um crescimento de quase 300%! Agora, pensemos no seguinte: atualmente, as taxas de crescimento populacional, em todo o mundo, estão com uma projeção para a tendência de declínio, no entanto, a população que mais cresce no mundo hoje é exatamente a de robôs.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Na verdade, a “Revolução Industrial” voltou a ser tema quente exatamente porque estamos passando pela maior mudança da indústria, em mais de 100 anos. Muitos empregos domésticos evaporaram com a Globalização, e a automação ameaçam substituir mais trabalhadores, todos os dias, e isso significa que a maneira como construímos e entregamos os bens e produtos que alimentam nossas economias e nossas vidas nunca mais será a mesma.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Atualmente, o Brasil enfrenta uma das mais graves crises de desemprego de sua história. Embora os especialistas afirmem de pés juntos, que está havendo uma recuperação, ele tem sido tão lenta que não tem sido suficiente para diminuir na população, a sensação de que as coisas vão de mal a pior. Ao mesmo tempo, a parcela da população mais atingida pelo desemprego é exatamente, a população mais jovem, aquela que possui hoje entre 18 e 30 anos. Ainda nem sequer tocamos na delicada questão da substituição dos empregos por robôs e algoritmos. O que aconteceria em uma economia como a brasileira, se além da crise desemprego, outra mudança social que seria o aumento da automação no trabalho, diminuísse ainda mais as já débeis perspectivas de encontrar emprego?</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Nos Estados Unidos, assim como na Europa, as empresas estão pagando enormes salários a profissionais que trabalhem com Inteligência Artificial. Ao que parece, a IA realmente está começando a sair do restrito ambiente dos laboratórios de pesquisa e entrando agora no mundo corporativo.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">As aplicações da IA para fins comerciais só crescem a cada ano, o mesmo se pode dizer com os lucros das empresas que investem nestas tecnologias.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Não resta dúvida que a Inteligência Artificial vai interferir profundamente no mundo do trabalho, em todos os aspectos. Uma das facetas mais visíveis destas mudanças está no mercado de trabalho. Profissões inteiras estão fadadas a desaparecer, segundo os prognósticos de especialistas mais pessimistas. Outros, no entanto, alegam que a IA abrirá uma gama de outros empregos que compensará a perda dos antigos postos de trabalho.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Esta discussão, embora muito atual, guarda uma grande semelhança com aquilo que se debatia nos primórdios da Revolução Industrial. Afinal, a indústria era boa ou má, perguntavam todos na Inglaterra, o primeiro país a passar por estas mudanças.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">A relevância da Revolução Industrial não se resume apenas a conhecer os fatos que deram origem a este processo, mas sim estabelecer uma possível conexão entre aquele contexto específico e o atual. </span></span></p>
<p align="center"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: x-large;"><b>Corrida de Obstáculos, ou uma</b></span></span><b> </b><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: x-large;"><b>Escola de Costas para o Século XXI</b></span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">O ENEM é um dos maiores concursos públicos do país, perdendo talvez apenas</span></span> <span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">para a Olimpíada Brasileira de Matemática, a OBMEP. No início, ele era chamado pejorativamente de “Provão”, boicotado sistematicamente pelas universidades públicas e pelos estudantes. No fim dos anos 90, não fazer o “Provão” era um emblema de protesto contra a “política neoliberal e privatizante do Governo Fernando Henrique Cardoso”.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">É uma coisa bem interessante a memória nacional. Com o tempo, </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">fazer o ENEM, deixou de ser uma “capitulação aos ditames da educação privatizante”</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">, para se transformar em um símbolo do acesso de amplas parcelas da população brasileira ao Ensino Superior. Isso tudo é História e um dia vou escrever um pouco mais sobre isso. Mas este texto não trata bem disso.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Na prática, pode-se considerar o ENEM um gigantesco concurso público do país e dependendo da carreira almejada, um dos</span></span> <span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">mais disputados também. Comparado aos vestibulares que tive que prestar para entrar em uma universidade, a prova atualmente é infinitamente superior. Mesmo assim, o acesso à universidade pública continua restrito. Arrisco afirmar que hoje este acesso seja até mais difícil do que antes. Explico. A resposta começa não quando os portões se abrem para os candidatos prestarem o ENEM, mas bem antes</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">A coisa começa no Ensino Fundamental, nas séries que hoje correspondem aos 6º e 9º anos. Uma turma que inicia o 8º ou o 9º ano, é muito menor do que aquela que começou o 6º. Evasão escolar, repetência (hoje conhecida pelo eufemismo de “distorção série-idade”), vão deixando pelo caminho um número considerável de alunos. Esses, muito provavelmente, só voltarão à Escola muitos anos mais tarde, quando já adultos. Em algumas escolas não é raro haver dificuldade para formar turmas dos anos finais do Fundamental, simplesmente porque aqueles que ficaram pelo meio do caminho são em número muito maior do que os aprovados.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Isso significa que o sistema escolar brasileiro, embora tenha praticamente universalizado o acesso à Escola, não conseguiu eliminar o problema da evasão escolar e da repetência (prefiro o termo antigo mesmo). O resultado é que mesmo com todos os seus problemas, o Ensino Médio ainda é acessível a</span></span> <span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">um número pequeno de alunos, se compararmos com os números daqueles que ingressam no Fundamental. Ou seja, “a boca do funil” até aumentou de largura, posto que o acesso ao Ensino Fundamental se democratizou mas, lá no final, a saída deste funil continua estreita.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">O sistema educacional brasileiro atualmente possui quatro níveis, o Infantil (0 a 6 anos); o Fundamental (7 a 14 anos), o Médio (15 a 17 anos); e o Superior (18 a 25 anos). Segundo dados dos censos escolares as matrículas na Educação Básica, </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">ou seja,</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"> Fundamental e Médio abarcam a maior parte das vagas escolares, sendo que deste total 60,6% estão concentrados na etapa fundamental</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">. </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">De cada 10 crianças no Brasil estudando em alguma série do Fundamental, pelo menos 8 estão em alguma escola pública dos mais de 5600 municípios do Brasil.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Olhemos esta realidade mais de perto. Se a maioria dos jovens brasileiros está matriculada em alguma escola pública, é válido supor que esta permanência terá um impacto bem sério no acesso ao Ensino Superior, certo? Ou seja, na prática, o simples fato de estudar em uma escola pública, para a grande maioria das crianças brasileiras já é um fator importante, no sentido de determinar as oportunidades que esta pessoa terá ao Ensino Superior, e também fora da Escola.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Imagine que todos os anos que um jovem brasileiro passa em uma Escola podem ser comparados </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">a uma</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"> carreira, como ser um militar, um médico ou um advogado que começam como ‘novatos”, e vão gradativamente ‘progredindo” nessa carreira. De certa maneira, o percurso que uma pessoa faz desde o Ensino Fundamental ao Curso Superior pode ser comparado também </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">a uma</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"> carreira. Agora imaginemos que este percurso seja idealmente percorrido em um período de tempo esperado. Existe gente que percorre este trajeto antes do tempo, mas a grande maioria o faz em períodos de tempo muito além do “esperado”.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Se esse percurso não é realizado na idade esperada, então ocorre aquilo que atualmente é chamado de “distorção Série-Idade”, que na prática corresponde a um desvio deste percurso. </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Há alguns anos</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">, essa distorção recebia o nome de “repetência”, ou seja, a permanência do aluno em uma determinada etapa de sua vida acadêmica. Por um lado, a distorção idade série é um indicador do desempenho do aluno dentro do sistema educacional. Mas, olhando mais de perto, como agora tenho a oportunidade, pode-se perceber que a distorção idade-série, ou simplesmente “repetência”, é um fenômeno bem mais complexo. Ele revela a maneira como o aluno percorre o sistema, o que ele enfrenta pela frente.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Esta “distorção série-idade” sempre foi entendida a partir de uma lógica estritamente “acadêmica”, ou seja, “Por quê motivos Joãozinho não passou de ano”? </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Bem</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">, ele não passou de ano simplesmente porque não alcançou o mínimo exigido para que ele passasse para uma nova etapa de seus estudos. A questão toda reside em saber as causas deste fenômeno.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Foi no final dos anos 60 e início dos anos 70, que estema deixou de ser apenas uma preocupação de “educadores”. Ele passou a ser estudado também por sociólogos, economistas, entre outros, com o objetivo de entender os seus determinantes. Nos anos 70, estudiosos como o sociólogo José Pastore e o economista Claudio Moura e Castro, dentre outros, já apontavam como as duas maiores deficiências do sistema educacional brasileiro, a repetência e a evasão escolar.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Mas porque a preocupação com a repetência? Eu creio que compreendemos melhor um problema científico quando contextualizamos as perguntas a ele pertinentes, em um período específico. Nessa época, início dos anos 70, o Brasil era governado por uma ditadura militar que implementou uma série de mudanças profundas na Educação.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Acreditava-se que a criação de um sistema de educação de massa </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">superaria</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"> os inúmeros atrasos que a economia brasileira enfrentava para se desenvolver plenamente. A escola pública deixava, desde a LDB de 1971, algo exclusivo de poucos. Do ponto de vista sistêmico, a educação básica tinha uma taxa muito baixa de inclusão, além de um alto número de repetência e evasão. Essas taxas, embora altas, apresentam variações regionais, mostrando índices mais altos no Nordeste. Mostra também como está distribuída espacialmente a desigualdade na educação. Depois de meses trabalhando em escolas municipais percebo que o fenômeno da distorção série idade é mais rural do que urbano, mais concentrado nas escolas públicas do que nas privadas, e assim por diante. Não sei, mas me parece que a distorção série idade é algo cujos determinantes estão mais “fora” da escola do que dentro.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">O governo do Estado do Rio de Janeiro, decidiu diminuir a distorção série-idade, com projetos como o Acelerando, Correção de Fluxo, etc., são na verdade, medidas paliativas que apenas mascaram a origem do problema.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Para o Poder Público, a evasão e a repetência são problemas contábeis, na medida em que isto implica em mais custos para o Estado. Os programas de aceleração do aprendizado começaram a ser implementados no Brasil desde a década de 1990. Mesmo assim, eles não conseguiram diminuir a alta taxa de repetência. </span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Não é à toa que o simples diploma do Ensino Médio, para muitos ainda é uma grande conquista, e isso vale tanto para os adultos quanto para os mais jovens. Um estudo de dois pesquisadores investigou se era viável o sistema de ensino superior brasileiro continuar a investir na criação de novos cursos de Engenharia. A conclusão foi um redondo NÃO. Segundo os autores do estudo, não valia a pena investir em novos cursos de Engenharia, simplesmente porque não haveria alunos suficientes para irem à Universidade. A maratona anterior ao ENEM, aquela responsável por deixar uma grande parte dos alunos para trás no ensino fundamental foi mais seletiva do que o próprio ENEM.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Por isso, quando a imprensa mostrar aquelas reportagens de alunos zumbis que não dormem há semanas, de aulas que varam a madrugada, embaladas por professores igualmente zumbis, é bom levar em consideração que nesta corrida de obstáculos, a grande parte dos competidores já ficou para trás, antes mesmo de ser dado o tiro de largada. Ainda estamos muito, mas muito longe mesmo da realidade vivida por muitos países, onde quase metade da população já foi para uma universidade.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">Segundo cálculos de economistas, para dobrarmos o número de estudantes universitários, </span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;">ou seja,</span></span><span style="font-family: Georgia, serif;"><span style="font-size: medium;"> para que o número de pessoas entre 18 e 30 anos deixe os minguados 10% atuais para apenas 20% seriam necessários mais 15 anos de investimento em educação básica. Ou seja, somente em 2030, 2040 teríamos um número de estudantes universitários parecido com o que os Estados Unidos tiveram na década de 1920. Na prática, um século de atraso. Quando os portões forem abertos no Domingo, talvez essa imagem fique como uma metáfora da corrida de obstáculos que este país ainda tem de percorrer, antes de fazer valer o slogan de que somos uma Pátria Educadora.</span></span></p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>*Paulo Roberto Araújo é professor de História e suburbano convicto</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A mobilização pra luta</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/a-mobilizacao-pra-luta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Talytha Selezia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 May 2019 20:00:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Talytha Selezia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Venho falar de uma coisa que antes passava despercebido por mim. As redes que se criam em manifestações, em meios políticos, existem esses líderes &#8220;naturais&#8221; e esse ar de quem está mais condicionado a falar. Quando se busca um grito, em Cabo Frio, eu percebo muito isso, de uma forma muito mais forte, um fala, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3951652158"><div id="prens-3291810412"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg 656w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p><span style="color: #222222;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-38226 aligncenter" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2019/05/tn_6a777f4d4d_ccccccccccccc-300x271.jpg" alt="" width="540" height="488" />Venho falar de uma coisa que antes passava despercebido por mim. As redes que se criam em manifestações, em meios políticos, existem esses líderes &#8220;naturais&#8221; e esse ar de quem está mais condicionado a falar. Quando se busca um grito, em Cabo Frio, eu percebo muito isso, de uma forma muito mais forte, um fala, outros seguem, sem gritar, sem falar, sem criticar. </span></span></span></p>
<p><span style="color: #222222;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Nas manifestações, um ambiente de revolta se padroniza, até a raiva, o sofrimento, a indignação. Numa manifestação em que as pessoas estão preocupadas com a roupa, ou de não sair feio, gritando e fervoroso nas fotos, pois até isso foi previamente pensando. </span></span></span></p>
<p><span style="color: #222222;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Eu vi um tweet de apelação, sobre não levar drogas, nem consumir no ambiente da manifestação e chegou a me parecer cômico. Você entender que muitos ali não tem noção de como é importante a mobilização e transformar aquilo num rolê. </span></span></span></p>
<p><span style="color: #222222;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">A cidade que de tão cenográfica, virou cenário de barbárie, que não fala como mata seus habitantes. Eu como uma jovem cabo-friense, digo ter vergonha de algumas mobilizações, de como o real sentido se perde, de como não se percebe a verdade que leva alguns tipos de pessoas ali.</span></span></span></p>
<p><span style="color: #222222;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Na manifestação contra os casos de assédio, um cara que fingiu apoiar, falou que deveria acontecer uma manifestação por semana, afinal, só tinha mulher gostosa naquele ambiente, e saber daquilo, me deu uma proporção da indiferença sobre a luta. </span></span></span></p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2340254501"><div id="prens-2004722265"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva.jpeg 1080w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-300x53.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-1024x182.jpeg 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-768x137.jpeg 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" width="1080" height="192"   /></a></div></div>
<p><span style="color: #222222;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">E na luta pela educação, transformaram novamente uma razão social e importante, num rolê em que se flerta, forja-se comentários e finge estar ali, nunca se importando com isso aqui.</span></span></span></p>
<p><span style="color: #222222;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Eu não estar é uma questão de respeito, pois eu não acredito na luta de quem se acha mais inteligente para falar, de quem bota uma roupa bonita atrás de selfie e militância. Sua camisa e calça social, sua fala bonita sobre privatização, seu tênis mais caro, lançamento da Nike, não te distância do boçal que governa tal país, tudo se perde nas entrelinhas De querer mostrar o que não é, tudo se perde nas areias brancas que tem disfarçado mal a ignorância.</span></span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>*Talytha Selezia é artista de Cabo Frio</strong></p>
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		<title>No Início, havia só Uma Caixa</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/no-inicio-havia-so-uma-caixa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Roberto Araujo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Mar 2019 13:15:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Roberto Araújo]]></category>
		<category><![CDATA[caixa]]></category>
		<category><![CDATA[Drum Machine]]></category>
		<category><![CDATA[jam]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[Roland TR-808]]></category>
		<category><![CDATA[sintetizadores]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tudo começou na década de 80, com uma Caixa de Ritmos, também conhecida pelo seu nome em inglês, Drum Machine, um instrumento musical eletrônico criado para imitar os sons de uma bateria ou de outros instrumentos musicais de percussão. No limite, isso significa basicamente, que é possível simular uma “batucada”, a partir da programação de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-3951652158"><div id="prens-3937126307"><a href="https://www.instagram.com/curso_sapere.aude/" target="_blank" aria-label="pop up"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/07/pop-up-1.png" alt=""  width="300" height="250"   /></a></div></div><p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #222222;"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-36541 aligncenter" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Roland-300x182.jpg" alt="" width="649" height="394" />Tudo começou na década de 80, com uma </span><span style="color: #222222;"><b>Caixa de Ritmos, </b></span><span style="color: #222222;">também conhecida pelo seu nome em inglês, </span><span style="color: #222222;"><i><b>Drum Machine,</b></i></span><span style="color: #222222;"> um instrumento musical eletrônico criado para imitar os sons de uma bateria ou de outros instrumentos musicais de percussão.</span></span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #222222;">No limite, isso significa basicamente, que é possível simular uma “batucada”, a partir da programação de um computador. Todo um conjunto de instrumentos de percussão, desde uma bateria, até um bumbo, podem ser executados por uma única pessoa, e não mais por uma banda, como tradicionalmente nos acostumamos a ouvir, além disso, o encadeamento rítmico de uma música podem ser programados.</span></span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #222222;">A maioria das Caixas de Ritmo são na realidade, sintetizadores (especializados em produzir timbres de instrumentos de percussão), munidas de um sequenciador, que permitem a criação e reprodução de modelos rítmicos, que podem depois ser encadeados de modo a executar toda a parte rítmica de uma música.</span></span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #222222;">É possível inclusive </span><span style="color: #222222;">criar ritmos</span><span style="color: #222222;">, a partir daqueles que já existem, surgindo assim novas sonoridades. A Caixa de Ritmos abre a possibilidade de transformar a percussão em um laboratório de sonoridades, e por isso, esse equipamento coloca em questão a capacidade de uma máquina executar uma obra musical tão bem, ou em alguns casos, melhor do que um ser humano.</span></span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #222222;">Uma música pode ser não apenas “composta”, mas “montada”, parte por parte, como uma máquina, com partes que se encaixam umas nas outras. Há mais, muito mais a sair dessa caixa.</span></span></span></p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-2340254501"><div id="prens-1087209575"><a href="https://www.instagram.com/novotempo.lab/" target="_blank" aria-label="banner_laboratorio_1212x165"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165.png 1200w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-300x41.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-1024x139.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/08/banner_laboratorio_1212x165-768x104.png 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" width="1200" height="163"   /></a></div></div>
<p align="justify"><span style="color: #222222;"> <span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Por séculos, a “composição” foi cultuada como um esforço criativo do qual só alguns privilegiados com talento, educação e oportunidades poderiam desfrutar. Toda uma mística em torno da “criação do compositor” foi cultuada, entronizada e difundida na Literatura e nas Artes. No entanto, uma máquina como essa colocava a questão de que o “trabalho criativo”, se não poderia ser desmistificado totalmente, poderia pelo menos estar acessível </span>a mais gente do que antes era possível.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #222222;">A</span><b> </b><span style="color: #222222;"><i><b>Roland TR-808 Rhythm Composer</b></i></span><span style="color: #222222;"> foi a primeira caixa de ritmos programável, criada pela Roland Corporation nos Estados Unidos na década de 80, uma empresa que construiu toda uma linhagem de instrumentos musicais associados à própria história da música Pop.</span></span></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #222222;"> <span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Os sintetizadores Roland fizeram parte da ascensão ao estrelato de bandas como, Simple Minds, Depeche Mode, Frankie Goes to Hollywood, entre outras. A caixa de ritmos da Roland foi criada para que os músicos desenvolvessem suas composições, para só depois, entrarem em um estúdio e gravar com instrumentos de percussão de verdade.</span></span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #222222;">Ou seja, a caixa de ritmos não havia sido criada para “substituir” o percussionista, mas sim para que ela servisse de uma ferramenta para melhorar o seu desempenho em estúdio.</span></span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #222222;">Bem, isso em tese, mas as coisas não aconteceram como o previsto. A história da tecnologia está lotada de exemplos em que uma inovação concebida para um determinado uso é subvertida para finalidades totalmente inesperadas, e o caso da caixa de ritmos não foi diferente.</span></span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #222222;">O Roland TR-808 foi apresentado ao público pela primeira vez, em 1980, em uma apresentação da orquestra de Ryuichi Sakamoto. Não se pode dizer que audiência tenha recebido entusiasticamente a novidade, mas fez com outros músicos percebessem que havia ali uma ferramenta de trabalho interessante. Apresentações assim servem de ensaios para os fabricantes, eles nunca esperam que uma inovação seja imediatamente consumida pelo público, no caso, os músicos e produtores.</span></span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #222222;">Mas mesmo assim, as pessoas passaram a usar o instrumento, e aqui precisamos acompanhar o fio desta história, pois ela vai sair dos showrooms chiques, dos cocktails regados à bebida, salgadinhos e drogas, para as ruas das cidades americanas, mais precisamente Nova York.</span></span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Tudo bem, muita tinta já foi gasta tentando explicar que o “Funk” Carioca, nada tem a ver com o “verdadeiro Funk”, aquele tornado famoso por pessoas como James Brown, Isaac Hayes, Rufus &amp; Chaka Khan. Mas alto lá, a coisa não é tão simples assim. Se no Brasil, o Funk é fruto da mistura, da assimilação e do sincretismo, nos Estados Unidos, a terra do Funk “original”, aconteceu a mesma coisa.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">O Funk americano é um cruzamento do Jazz, do Blues, do Gospel e do Rock, ou seja, ele foi gestado no caldeirão de ritmos que formou a música americana. Quando os músicos de Jazz, no início do século XX, reuniam-se para tocar, as famosas “<i>jam sessions”, </i>havia ali elementos que podemos identificar até mesmo na música brasileira.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Em primeiro lugar, o virtuosismo e o improviso. Uma “Jam”, era na verdade, uma “conversa” de pessoas por meio de seus instrumentos, onde a arte de improvisar e fazer variações sobre um tema. Originalmente, uma “Jam Session” era uma simulação de uma luta, um combate ritualizado na regra de que a demonstração de mais virtuosismo tinha o objetivo de “tombar”, “derrubar” o suposto adversário (to get down).</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Em Nova York, “batalhas” ritualizadas de aprendizes de operadores de “drum machines” começaram a fazer parte do cenário e da subcultura de bairros de maioria negra. No início dos anos 80, começaram a surgir personagens como Afrika Bambaataa, e as iniciativas de selos destinados a divulgar estes novos artistas. Tudo isso hoje faz parte da história da Música Pop Contemporânea.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Foi este cenário que os empresários brasileiros encontraram quando passaram a visitar com frequência cidades como Miami, Nova York, Chicago e Los Angeles, em busca de novidades para tocarem nos bailes que animam as periferias do Rio de Janeiro. Há toda uma história densa e ainda desconhecida sobre as conexões desta cultura brasileira, favelada e negra com a sua contraparte americana gestada nas grandes cidades americanas. Já se escreveu sobre isso, mas quanto mais leio sobre o assunto me dou conta que mal arranhamos o verniz de algo muito maior.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Em uma cidade como o Rio de Janeiro, que por conta da escravidão herdou todo um patrimônio imaterial produzido pelo contato cultural entre africanos e brasileiros, o tema do “embate” é presença evidente em manifestações como o Samba de roda e a Capoeira. A ideia basicamente é a mesma, uma luta ritualizada cujo objetivo é “to get down”, “tombar”, um adversário hipotético.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Quando as Drum Machines começaram a ser utilizadas nos bailes de periferia do Rio de Janeiro e DJ’s passaram aprender a trabalhar com elas, surgiu então a possibilidade de uma nova forma de expressão musical, a “montagem”, a bricolagem feita com retalhos de outras músicas. Foi com essa chave de leitura que se iniciou um poderoso movimento de renovação cultural gestado nas periferias do Rio de Janeiro, algo que só muito recentemente está sendo compreendido e principalmente reconhecido. Mas que ninguém esqueça, tudo começou com uma Caixa.</span></span></p>
<p align="justify"><strong>*Paulo Roberto Araújo é professor de História e suburbano convicto</strong></p>
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