O excesso de peso está associado ao acúmulo de gordura corporal decorrente, na maioria dos casos, do consumo de energia superior ao gasto do organismo nas atividades diárias, segundo a Biblioteca Virtual em Saúde. A condição é identificada por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), calculado pela divisão do peso pela altura ao quadrado, cujo resultado indica se o indivíduo está dentro da faixa considerada ideal, abaixo ou acima do recomendado.
Cerca de 54% da população brasileira apresenta excesso de peso, caracterizado por sobrepeso e obesidade, de acordo com o portal Gov.br. A condição pode estar associada a fatores genéticos, hormonais e metabólicos, com destaque para a resistência à ação da insulina decorrente do acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal, que aumenta a circunferência e favorece um processo inflamatório crônico com alterações metabólicas no organismo, retroalimentando o quadro.
A Dra. Stella Nehrer, médica, com pós-graduação em medicina intensiva, reforça que o funcionamento do metabolismo influencia diretamente no processo de emagrecimento. Segundo ela, essa função do organismo determina como o corpo utiliza energia, armazena gordura e responde aos estímulos.
"O que chamam de ‘metabolismo lento’, na maioria das vezes, é um metabolismo desregulado. Por isso, mesmo com dieta e treino, o paciente não responde como deveria. O corpo não é o inimigo; ele está apenas reagindo ao ambiente que recebeu. O metabolismo é o centro do processo e tratá-lo é o que destrava o emagrecimento de verdade", afirma a médica.
Em 2024, a obesidade atingiu a marca de 9 milhões de pessoas no Brasil, conforme publicado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Dados da pesquisa "Dukan e Depois?", divulgada pelo portal gshow, indicam que 75% dos 4,7 mil voluntários acompanhados por pelo menos dois anos após seguirem diferentes dietas afirmaram ter recuperado o peso perdido, enquanto 60% relataram sentimento de culpa após o insucesso.
De acordo com a especialista, as causas de desregulação do metabolismo variam entre baixa massa muscular, sono ruim, estresse elevado, alterações hormonais ou até histórico de dietas restritivas. "Quando desregulado, seja por resistência à insulina, alterações hormonais, inflamação crônica ou perda de massa magra, o corpo entra em um modo de economia. Por isso, quando os reais fatores são identificados e corrigidos, o metabolismo responde", explica ela.
A médica pontua que avanços recentes têm contribuído para uma abordagem mais eficaz no controle metabólico, como os análogos de hormônios GLP-1 e GIP — as conhecidas "canetas emagrecedoras" —, que atuam diretamente na regulação do apetite e da resposta glicêmica. A profissional acrescenta que o uso mais estratégico de bioimpedância, exames hormonais e protocolos personalizados possibilita uma leitura mais precisa do paciente.
"O avanço não está só na tecnologia, mas na forma de integrar essas ferramentas dentro de uma estratégia médica consistente. Uma abordagem estruturada começa com diagnóstico, envolve avaliação clínica detalhada, análise de composição corporal, exames laboratoriais e definição de um plano individualizado", ressalta a especialista.
Abordagem médica estruturada
A Dra. Stella Nehrer informa que uma abordagem médica estruturada no tratamento do emagrecimento é caracterizada por estratégias combinadas, como ajuste alimentar, modulação metabólica, reposição hormonal — quando indicada —, uso de tecnologias e acompanhamento próximo, a partir das informações colhidas. "É um processo guiado, não tentativa e erro", completa.
Segundo a médica, são avaliados ainda nível de inflamação, resposta metabólica, padrão hormonal e rotina, que permitem direcionar intervenções mais precisas, desde alimentação até terapias metabólicas, com mais eficiência e previsibilidade de resultado. "Quando o paciente passa a ser analisado de forma global, deixa de seguir uma dieta genérica e passa a ter uma estratégia baseada no funcionamento real do próprio corpo e na realidade da sua rotina", salienta.
Para a especialista, atualmente ainda há uma visão fragmentada sobre emagrecimento e estética, proveniente de uma cultura focada em tratar o sintoma, seja ele o peso, a flacidez ou a estética isoladamente, sem investigar as razões disso. Ela defende um tratamento de forma integrada.
"O corpo não funciona em partes. Quando o funcionamento do metabolismo, os hormônios, a composição corporal e o comportamento daquele paciente não são compreendidos, até pode gerar um resultado momentâneo, mas dificilmente sustentado. O problema não é falta de esforço do paciente, é falta de estratégia e visão integrada", declara a profissional.
A médica observa que o principal erro de quem busca emagrecimento está em tentar resolver rapidamente algo que levou anos para se desenvolver. Segundo ela, perder peso não é suficiente. É preciso reorganizar o metabolismo e adotar um processo que considere o indivíduo como um todo, e não apenas como um número na balança. "Quando o corpo é tratado de forma adequada, os resultados aparecem e, mais importante, se mantêm ao longo do tempo", conclui a Dra. Stella Nehrer.
Para saber mais, basta acessar o site da Dra. Stella Nehrer: https://drastellanehrer.com.br/



