A Ponta do Pai Vitório, bairro Rasa, em Búzios, está deixando de ser um ponto de visitação improvisado para assumir um formato mais controlado — e mais estruturado. Com mais de 80% das obras concluídas, a intervenção avança sobre o que sempre faltou no local: ordenamento.
Os dois mirantes, já em fase final de acabamento, reorganizam a circulação e criam pontos definidos de contemplação. O posto da Guarda Ambiental, também próximo da conclusão, introduz presença permanente de fiscalização em uma área que, por anos, operou sem controle efetivo.

A obra parte de um território já pressionado, com trilhas abertas e uso intenso. A diferença agora é a tentativa de impor limites. A trilha principal foi requalificada, recebeu guarda-corpos e delimitação de percurso. Áreas de vegetação nativa começam a ser cercadas, enquanto a sinalização busca disciplinar o fluxo de visitantes.
O projeto foi discutido em audiência pública com o Ministério Público e moradores. Durante o processo, houve reação de um grupo reduzido que tentou levar questionamentos ao Ministério Público Federal, gerando ruído sobre a intervenção. A situação, no entanto, foi esclarecida ao longo das discussões, e a comunidade local acabou se posicionando majoritariamente a favor das obras — desde que com ajustes para reduzir impactos.



Essas adaptações foram incorporadas. As intervenções se concentram em áreas já alteradas e em encostas vulneráveis, evitando avanço sobre trechos preservados. A lógica foi conter, não expandir.
A mudança já é percebida por quem visita. “Está muito diferente do que eu vi antes […] é uma vista sensacional”, disse a turista Valéria Monteiro, do Rio de Janeiro.



Inserida no território do Geoparque Aspirante Costões e Lagunas do Rio de Janeiro e também APA do Mangue de Pedras, a área ganha novo peso. Mais estrutura tende a atrair mais público. O desafio passa a ser outro: garantir que o controle prometido na obra se mantenha depois dela.



