A corrida para completar o álbum da Copa do Mundo 2026 movimenta crianças, jovens e adultos em todo o Brasil. Mas, junto com a tradicional troca de figurinhas, surge um resíduo que costuma passar despercebido: os papéis siliconados que protegem os adesivos antes da colagem no álbum.
A cada edição da Copa do Mundo, milhões de pacotes de figurinhas são comercializados no país. Consequentemente, toneladas de resíduos são geradas durante os meses em que os colecionadores se dedicam a completar seus álbuns.
Embora pareçam inofensivos, esses pequenos pedaços de papel não podem ser reciclados junto com o papel comum. Isso porque possuem uma camada de silicone utilizada no processo de fabricação das figurinhas. Segundo especialistas, esse material pode levar décadas para se decompor quando descartado inadequadamente na natureza, além de representar um desafio para os sistemas convencionais de reciclagem.
Esse papel-base é conhecido como liner. Ele parece papel comum, mas possui uma camada de silicone que dificulta a reciclagem convencional. A Polpel informa que o silicone aplicado nesse papel impede sua reciclagem direta em máquinas de papel, embora a empresa afirme ter tecnologia para reintroduzir essas fibras na produção de novos papéis.
O liner é o papel-base que fica atrás da figurinha adesiva antes de ela ser colada. Ele protege a cola e permite que o adesivo seja retirado no momento de aplicar no álbum. A Dow Brasil descreve o liner como o papel siliconado que protege os adesivos e fica no verso da figurinha. A empresa também afirma que esse material exige processo específico de reciclagem.
O material celulósico do liner não pode ser simplesmente descartado, mas o silicone aplicado no papel impede a reciclagem direta em máquinas de papel. A orientação mais segura é separar o liner limpo e seco, juntar volume e procurar uma rota de destinação específica.
DESCARTE EM BÚZIOS
Em Búzios, a preocupação com a destinação correta desse material ganhou uma iniciativa local. O Chez Michou, tradicional ponto de encontro na Rua das Pedras, passou a funcionar como ponto de coleta dos papéis siliconados das figurinhas.
A proposta busca conscientizar os colecionadores sobre a importância da separação adequada dos resíduos e estimular práticas mais sustentáveis durante a temporada do álbum da Copa.
Além da campanha ambiental, o espaço também se transformou em ponto de encontro para quem busca completar a coleção. Todos os domingos, a partir das 17h, acontece a tradicional troca de figurinhas no Chez Michou, reunindo moradores e turistas em uma atividade que atravessa gerações e faz parte da cultura dos grandes torneios de futebol.
A programação especial inclui ainda ações promocionais ligadas à Copa do Mundo. Clientes que acumularem R$ 30 em consumo recebem um número para participar do sorteio de uma bola oficial da Copa do Mundo 2026. O espaço também oferece um copo térmico exclusivo do Chez Michou em promoções associadas aos produtos participantes durante o período do torneio.
A iniciativa une entretenimento, esporte e conscientização ambiental em um momento em que milhares de pessoas estão consumindo figurinhas diariamente. O objetivo é simples: evitar que um material de difícil reciclagem acabe descartado em ruas, praias, terrenos ou no lixo comum sem qualquer tipo de reaproveitamento.
Enquanto a busca pelas figurinhas raras continua, a recomendação é que os colecionadores também prestem atenção ao destino dos resíduos gerados pela brincadeira, contribuindo para reduzir os impactos ambientais de uma das tradições mais populares do futebol mundial.



