A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na última quinta-feira (7) um alerta sobre os impactos da chamada sobrecarga cognitiva digital na saúde mental dos trabalhadores. O documento destaca os efeitos do excesso de notificações, e-mails, aplicativos corporativos e reuniões virtuais na rotina profissional.
Segundo a OMS, o aumento contínuo de estímulos digitais ultrapassa a capacidade natural de processamento do cérebro humano, provocando desgaste emocional e cognitivo. O fenômeno ganhou força com a consolidação do trabalho remoto e híbrido nos últimos anos.
Para o psiquiatra Daniel Sócrates, especialista em saúde mental no trabalho e professor ligado à Unifesp, o problema já deixou de ser apenas desconforto tecnológico e passou a representar um risco ocupacional relevante.
De acordo com o especialista, interrupções constantes dificultam estados de concentração profunda, fundamentais para criatividade, produtividade e tomada de decisões. O excesso de estímulos também pode elevar níveis de estresse e favorecer sintomas como ansiedade, irritabilidade, insônia, fadiga mental e burnout.
O documento também chama atenção para a chamada “fadiga de videochamadas”, relacionada ao esforço mental exigido em reuniões virtuais prolongadas. Segundo a avaliação, o cérebro precisa compensar atrasos de áudio, interpretar expressões em telas e manter atenção contínua, aumentando o desgaste cognitivo.
Entre os sinais associados à sobrecarga digital estão dificuldade de concentração, sensação de mente acelerada, perda de memória recente, exaustão constante e dificuldade de desconectar do trabalho.



