A ampliação dos serviços de saneamento básico na Região dos Lagos e os impactos da ocupação urbana sobre a Lagoa de Araruama estiveram no centro das discussões realizadas nesta quarta-feira (17), durante reunião promovida pelo Consórcio Ambiental Intermunicipal Lagos São João (CILSJ). O encontro marcou o início das análises das propostas que irão orientar a prestação dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário da Prolagos entre 2027 e 2033, dentro da 5ª Revisão Quinquenal do contrato de concessão.
Participaram do encontro representantes das prefeituras de Iguaba Grande, Arraial do Cabo, Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Armação dos Búzios, municípios que compõem o poder concedente do contrato. Também estiveram presentes representantes da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa), da concessionária Prolagos e do diretor do CILSJ e coordenador da Câmara Técnica de Saneamento e Drenagem Urbana do Comitê de Bacia Hidrográfica Lagos São João, Arnaldo Villa Nova.
A reunião é uma das etapas do processo de revisão. Antes da conclusão do plano, a Prolagos ainda deverá discutir as propostas individualmente com cada município, apresentar a versão consolidada ao Comitê de Bacia Hidrográfica Lagos São João e submeter o tema a audiência pública com participação da sociedade civil.
Água, esgoto e drenagem em debate
Entre os pontos discutidos estiveram a ampliação da cobertura de abastecimento de água, a expansão dos sistemas de esgotamento sanitário e as soluções necessárias para enfrentar desafios históricos relacionados à drenagem urbana e ao saneamento ambiental na região.
A chamada Área 2 da Lagoa de Araruama recebeu atenção especial durante o encontro. O trecho corresponde ao entorno de São Pedro da Aldeia e Cabo Frio e é considerado uma das áreas mais sensíveis do sistema lagunar sob o ponto de vista ambiental.
Durante a reunião, foi discutida a necessidade de ampliação das estruturas de macrodrenagem urbana pelos municípios, especialmente em locais onde o crescimento urbano e a pavimentação alteraram o funcionamento natural dos sistemas de drenagem.
Preocupação com a Lagoa de Araruama
Presidente do CILSJ e prefeito de Iguaba Grande, Fábio Costa demonstrou preocupação com os impactos ambientais na Área 2 da lagoa. Segundo ele, problemas graves nesse trecho podem afetar todo o ecossistema da Lagoa de Araruama.
O prefeito também se posicionou contra empreendimentos de grande porte que ultrapassem a capacidade de suporte das cidades sem a implantação adequada de drenagem e coleta de esgoto.
“Foi uma reunião muito proveitosa, com ampla participação dos municípios. Houve consenso quanto à necessidade de implantação de redes separativas nas áreas ainda não atendidas e áreas críticas a serem decididas por cada município”, afirmou Fábio Costa.
Redes separativas e bairros críticos
Outro tema debatido foi a necessidade de ampliar a implantação de redes separativas em bairros que ainda enfrentam problemas relacionados à coleta e ao encaminhamento adequado dos efluentes sanitários.
Em São Pedro da Aldeia, foram citados os bairros São João e Colina como áreas que demandam atenção no planejamento das próximas etapas do saneamento.
As redes separativas são estruturas que separam o esgoto sanitário das águas pluviais, evitando que o sistema de esgotamento receba volume excessivo de água da chuva e reduzindo riscos de extravasamento, contaminação e impactos sobre corpos hídricos.
Propostas serão levadas ao Comitê de Bacia
Durante o encontro, o diretor do CILSJ e coordenador da Câmara Técnica de Saneamento e Drenagem Urbana do CBH Lagos São João, Arnaldo Villa Nova, solicitou que a Prolagos apresente as propostas consolidadas da 5ª Revisão Quinquenal na reunião plenária do Comitê, prevista para o dia 14 de julho.
A medida busca ampliar o debate com representantes do poder público, usuários de recursos hídricos e sociedade civil, fortalecendo a gestão participativa das águas e o acompanhamento das políticas de saneamento na Região Hidrográfica Lagos São João.
A revisão quinquenal definirá diretrizes para os próximos anos da concessão e poderá influenciar investimentos, metas e prioridades em municípios estratégicos para a preservação ambiental da região, especialmente no entorno da Lagoa de Araruama.



