A Educação brasileira precisa de uma revolução… moral

 

Postagem no Facebook que exemplifica o que é dito no texto de Fábio Emecê – o editor

Kwame Anthony Appiah em seu livro, “O Código de Honra: Como Ocorrem as Revoluções Morais.”, explora o conceito de mudanças radicais em determinados costumes a partir do consenso da população e a mudança ser considerada revolução. Moral porque o que antes era aceito sem muitos problemas, se torna abominável e sistematicamente eliminado do seio social.

Pois bem, a minha reflexão como educador se insere no que é aceito ou não ao se tratar de educação do Brasil, como as pessoas olham, o que elas se submetem, as permissões, omissões e percepções.

Existe uma visão romantica do educador como provedor de qualquer profissão. Massa, uma bom começo. A partir daí começa-se as mazelas. Acredita-se que um educador/professor com apenas uma matrícula em uma escola, pois está na escola apenas a dois ou 3 dias na semana. Não se leva em consideração a preparação, leitura, pesquisa e vivência do professor até ele aplicar o que é para ser aplicado.

Diante do pouco tempo em escola, uns defendem o salário mixuruca como compatível as horas trabalhadas. O educador que reclama do salário e reinvidica o aumento é confrontado com o argumento de que ela já sabia o salário previsto em concurso, então que trabalhe. Diante da precariedade de recursos, desde dos didáticos (canetas, livros, equipamentos eletrônicos) aos  recursos físicos (sala de aula, laboratórios, bibliotecas), o que se diz é que profissional bom dá aula até debaixo de árvore.

Greve da Educaçã, o cenário de paralização parcial e o resto da sociedade com o olhar de desconfiança e desdém. Os governos e as negociações pífias e tudo se segue na mesma. Sem contar as repressões à bala de borracha, gás lacrimogêneo e cacetete aos olhares insensíveis do povo comum.

Escolas sendo fechadas e nenhuma comoção além dos educadores. Universidade pública com aulas paradas sem previsão de retorno e nenhuma comoção além dos educadores. Aposentados e pensionistas sem receber salário a meses e nenhuma comoção além dos educadores. Cortes em bolsas de pesquisa, verbas de laboratórios e alojamentos estudantis incendiados e nenhuma comoção além dos próprios educadores.

Por que isso, hein? Uma resposta dentro das minhas teorias (que podem ser consideradas furadas) é o que Brasil, de fato, nunca incorporou a educação como parte fundamental do processo de ser brasileiro. Ser brasileiro pode estar ligado a muitas coisas, não necessariamente a estudar. A Educação sempre foi encarada como privilégio de classe ou plataforma para você sair de sua classe e almejar outra. Isso com os devidos recortes de raça e gênero.

Appiah diz que por mais que se tenha textos, pessoas e teorias mostrando e demonstrando que determinada coisa precisa de uma mudança profunda, nada se muda se sua moral não for contagiada. Ou seja, você precisa acreditar muito que aquilo precisa mudar, para que mude de fato.

Entenda, não é um processo meramente individual, o coletivo precisa entender, o senso comum, o povo precisa entender a mudança como fundamental. A ideia do ser educado, apropriador do conhecimento científico e entendedor da sua aplicação no cotidiano e consequente transformação precisa ser também coisa de brasileiro.

Professor de português do estado do Rio de Janeiro, rapper e ativista de causas ant-racistas

Aí a escola se torna centro e todos os absurdos cometidos pelos governantes se tornam coisas inadmissíveis, abomináveis. Uma Uerj fechada, escolas com turmas canceladas, baixos salários de educadores , sala de aulas sem o básico, escola sem laboratório, sem biblioteca, nada disso seria admitido pelo brasileiro comum e nunca que aconteceria.

Como fazer essa Revolução Moral?

EducaçãoKwame Anthony Appiah

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