Macaé: O deserto de incentivos fiscais e econômicos

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A cidade não possui projeto ativos que beneficiam empresários de pequeno e médio porte durante a pandemia.

A situação econômica de Macaé antes da pandemia estava se recuperando.

Ainda se recuperando de uma crise econômica que perdurava por alguns anos os empresários e comerciantes vêm se deparando com mais um obstáculo: a pandemia do coronavírus. Desde os pequenos aos grandes empresários, passando pelos microempreendedores individuais, diversas categorias de ligadas ao business de Macaé estão enfrentando a nova crise econômica. Porém, o que torna a tarefa mais árdua é a falta de incentivos fiscais e econômicos, resultado de uma Gestão Pública focada apenas da Saúde e na pessoa física.

Assim, com entraves no acesso ao crédito, os empresários encaram também as questões econômicas relacionadas as demissões do período, redução no poder de investimento e dívidas para manter os negócios funcionando. 

De acordo com a pesquisa “O impacto da pandemia do coronavírus nos pequenos negócios”, realizada pelo Sebrae no início de abril, 73% dos entrevistados disseram que a situação antes da pandemia estava em patamares ruins ou razoáveis.

Presidente da Associação Comercial e Industrial de Macaé, Francisco Navega

Após a chegada do coronavírus ao Brasil, os resultados negativos se intensificaram. Cerca de 62% dos empreendedores interromperam as atividades temporariamente ou em definitivo. Quase 88% deles viram seu faturamento cair em média 75%.

Corroborando com o índice, está a experiência do presidente da Associação Comercial e Industrial de Macaé (ACIM), Francisco Navega.

As empresas de Macaé já vinham em um processo de recessão grande. diz ele, mas a pandemia causou uma derrocada.

Perdemos 35 mil postos de trabalho formal até 2018. Em 2019 recuperamos só 3 mil. E agora, durante a pandemia, perdemos 3x mais do que tínhamos conseguido recuperar. Isso é muito sério”, afirmou Navega.

Muitas empresas não possuíam poupança para emergências e estão sofrendo durante a pandemia.

Ao mesmo tempo, o presidente da ACIM vê o futuro com otimismo já que analisa o tempo dentro processo de crise. Para o empresário, o ciclo de crise dura alguns anos, mas essa recessão ocasionada pelo coronavírus está a 120 dias. E Macaé já mostra alguns sinais de recuperação. “Lenta, mas constante”, comenta Francisco Navega.

Incentivos fiscais e econômicos, fala Navega, é muito necessário para os empresários e empreenderes de Macaé se restabelecerem. “Os incentivos econômicos do município ficaram muito restritos ao trabalhador informal e acabou só contemplando uma pequena parte deles. O pequeno e médio empresário permanece sem ajuda”, comentou Navega.

Outra questão levantada por Navega foi que muitas empresas não possuíam uma poupança para emergências e sofreram durante a pandemia por conta disso. “Muitos não tinham caixa para enfrentar metade do que estamos passando. São esses que precisam de incentivos para não fechar as portas”, concluiu.

Outro empresário que possui experiência em primeira mão em como ser um empreendedor durante a pandemia é Vicente da Fox, diretor-presidente da Fox Treinamento.

“De forma geral, nós, os empresários, não vimos muitas políticas públicas para os pequenos e médios empreendimentos. Isso no âmbito nacional, e Macaé não se mostrou diferente. Não tivemos nenhum incentivo para que conseguíssemos nos manter com a cabeça fora d’água. O resultado disso é o grande número de pessoas desempregadas”, analisou o diretor-presidente.

Vicente da Fox é diretor-presidente da Fox Treinamento

A falta de acompanhamento para as empresas para que possam tentar funcionar com adequações de medidas de saúde também foi um problema percebido por Vicente da Fox.

“No meu caso, fazendo algumas adequações pude voltar a promover os treinamentos, mas muitos, de segmentos diferentes, não conseguiram esse apoio do município e estão passando dificuldades”, comentou Vicente.

 Para o empresário, políticas públicas de fomento e incentivo deveriam ser criadas rapidamente. “Muitos donos de pequenas e médias empresas já estão declarando falência e, inclusive, estão com dificuldades em sustentar suas famílias. Está uma situação terrível”, comenta.

O futuro e a industrialização de Macaé

O presidente da ACIM, Francisco Navega, tem algumas ideias do que poderia gerar melhores dias para a cidade e seus empresários. Uma delas é o marco regulatório do gás e a quebra do monopólio da Petrobras na exploração de óleo. “Acredito que isso, somado a uma maior industrialização da cidade, já que Macaé possui apenas um setor de serviço e comércio atuante, possa reestruturar a economia da cidade”, comentou Navega.

O novo Porto de Macaé é uma das esperanças da cidade.

Segundo Navega, o Novo Porto e aeroporto de Macaé, também serão de grande ajuda no processo de industrialização da cidade.

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