Desigualdade marca educação online em período de pandemia

Em Búzios, pais de alunos sem acesso à internet pedem conteúdo impresso

Sem aulas presenciais desde o dia 16 de março, data em que as escolas foram fechadas devido à pandemia, alunos da rede municipal de Búzios são exemplo da desigualdade que marca a educação online.

Atualmente, grande parte dos estudantes buzianos não têm acesso regular à internet, nem aparelhos como computadores e celulares para receberem o conteúdo das aulas. Pais de alunos têm relatado que sequer foram informados pela secretaria de Educação, que as aulas seriam passadas pela internet. Souberam no famoso boca a boca dos vizinhos e parentes, e nem sabem como fazer para receber o material de estudo. Em bairros como Rasa, Cruzeiro, Vila Verde, Baía Formosa, Capão, Tucuns, e Cem Braças, a desinformação é geral e o questionamento, o mesmo: por que a prefeitura não distribui material impresso para alunos sem acesso à internet.

Secretaria de Educação diz que conteúdo online não servirá para avaliar estudante

De acordo com a coordenadora do departamento educacional da SEME Búzios, Ana Clara, a secretaria não priorizou os impressos porque ainda não tem ideia do quantitativo de alunos que não têm acesso à internet. Uma pesquisa lançada ontem, dia 20, pretende descobrir quantos alunos de Búzios estão conseguindo estudar através da internet, acessando a plataforma da educação. Ana Clara também destacou que neste momento de pandemia, não existe a obrigação em passar conteúdo para o aluno, pois todo o material que está sendo disponibilizado na internet, não poderá servir para avaliar o estudante.

– A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB, orienta que neste momento devemos oferecer atividades complementares para os alunos. Não é aula online, não é EAD (Ensino a Distância), não computa como carga horária. A secretaria de Educação criou uma plataforma, e cada escola adotou uma forma para entregar essas atividades aos alunos. Algumas usam o facebook, outras whatsapp, e-mail. Nosso objetivo é manter o aluno conectado à escola, atento aos estudos para não perder o ritmo, o interesse. Mas não oferecemos conteúdo pedagógico novo na plataforma digital. Somente atividades que envolvam conhecimentos anteriores, de matérias já estudadas pelos alunos em sala de aula. Portanto, quem não está conseguindo acessar, não está perdendo conteúdo novo – explica a coordenadora.

 Ana Clara acrescenta que a secretaria já estuda a possibilidade de entregar material impresso aos alunos, e aguarda a pesquisa que vai indicar o índice de acompanhamento das atividades oferecidas na plataforma digital.

– A pesquisa vai ajudar na decisão da próxima proposta pedagógica a ser adotada – completa.

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