Diário do fim do mundo #3 -por Sandro Peixoto (Sobrevivência)

O humanitário Sandro Peixoto pronto a ajudar os necessitados do de bens essenciais para enfrentar o fim do mundo, como cigarros/ Prensa de Babel

Por ordem da Prefeitura fechei minhas duas lojas e dei férias aos funcionários. As previsões são as mais terríveis possíveis. Com o micro faturamento dos últimos dias, paguei hoje o que deu para pagar e já comuniquei as empresas que ainda tenho pendências que não irei pagar mas que, eles estão liberados para pegar suas mercadorias – ou o que resta delas. O que já foi vendido aceito pagar. Não é o ideal mas o possível.

Quando tudo isso passar estarei falido certamente. Mas posso me reerguer, afinal sou um pequeno comerciante. Fico pensando nas grandes empresas. Nas grandes corporações. Não nos donos ou acionistas e sim nos funcionários e na cadeia produtiva que cerca por exemplo, a indústria automobilística. Dezenas de milhares de empregos desaparecerão.

Estamos em guerra e em se tratando de guerra tudo é grandiloquente e louco ao mesmo tempo. Como afirmei acima, estou com as lojas fechadas mas, de plantão em frente à Glamour Zero na praça Santos Dumont para atender clientes excepcionais que não podem ficar sem seus produtos.

Comida? Água? Remédios? Nada disso. Um dos produtos mais essenciais que jamais poderá faltar em momentos assim (basta ver os filmes de guerra) é o cigarro.

Algumas pessoas enlouquecem se não fumarem um Marlboro pela manhã. Um amigo disse que esse era o momento ideal para parar de fumar. Mas como, se é exatamente em momentos assim, de grande preocupações e estresse, que os fumantes mais se entopem de fumaça?


Antes que alguém ouse acusar- me, não! Não estou aproveitando a desgraça alheia para faturar. Cigarros me deixam 7% de lucro e isso não paga as contas da empresa. Por incrível que pareça, trata-se de uma questão humanitária. Quem fuma( não fumo) sabe muito bem o que estou afirmando. Para muitos cigarros são quase alimentos. Afirmação louca mas verdadeira.

Estou de plantão mesmo porque não daria para ficar em casa. Resido ao lado da loja. Hoje cedo, antes das oito da manhã bateram em minha porta. Era um fumante desesperado. Outra senhora queria o número do meu celular para comprar a qualquer hora. Neguei! Lógico.

Em tempo: não estou desobedecendo o decreto Municipal. As lojas estão fechadas. Mas não vou deixar alguns amigos sofrerem mais ainda.

*Sandro é articulista e cronista de Búzios e com seu humor peculiar narra sua aventura de ver Búzios de uma forma até então nunca vista/ Prensa

Este é um artigo de opinião de responsabilidade do seu autor e não representa necessariamente a opinião do Jornal.

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