Fantasiada de Fake News pela prefeitura, a verdade dos fatos sacudiu as redes sociais neste Carnaval em Búzios

O município só se posicionou sobre os fatos após pressão popular nas redes sociais

Uma onda de comentários sobre um possível caso de contaminação pelo corona vírus, no Hospital de Búzios, invadiu as mídias sociais neste carnaval. Mas a notícia, que no primeiro momento causou pânico aos moradores e foi taxada de Fake News pela Prefeitura de Búzios, acabou se revelando verdadeira.

Embora a paciente tenha sido liberada no último dia 22, sem ter contraído a doença, ela deu entrada na unidade de saúde com suspeita do corona vírus, obrigando a equipe médica a usar máscaras especiais, e improvisar uma área de isolamento.

Com 21 anos de idade, a chinesa que saiu de Hong Kong no dia 9 de fevereiro, deu entrada no Hospital Rodolpho Perissé no dia 19 com “dor de garganta, dificuldade respiratória moderada, tontura e mialgia”, além de febre baixa há três dias, resfriado e tosse, conforme o Boletim de Atendimento de Emergência.

O Boletim de Atendimento Médico prova que houve a suspeita de infecção/ Fonte Folha de Búzios

O papel de cada um

Alarmada ao ver a equipe médica do hospital usando máscaras, a população fez a sua parte. No megafone do século 21, gritou o que viu e ouviu. Uma onda de mensagens tomou conta das redes sociais, alertando sobre a possível existência de um caso de corona vírus no hospital da cidade. A notícia chegou aos veículos de comunicação e o Jornal Folha de Búzios foi o primeiro a postar. As mensagens com grande número de compartilhamentos, orientavam as pessoas a evitarem o hospital, e procurarem outras unidades de saúde em caso de necessidade. Crianças no hospital, nem pensar.

Questionada pela imprensa, pressionada pela população e incomodada com o rápido e incontrolável alastramento da notícia, a Prefeitura de Búzios emitiu a primeira nota oficial no dia 21 de fevereiro, três dias depois do início da polêmica. Após o longo silêncio, a gestão André Granado veio a público afirmar que as mensagens “sobre o diagnóstico de virose pelo Coronavírus no município são FAKE NEWS”, e deixou clara a sua preocupação maior: não “prejudicar o turismo e outras atividades econômicas da cidade”.

O comportamento da equipe médica, devidamente protegida para uma suspeita de coronavírus, teve efeito maior que as palavras da nota oficial, e o alarme aumentou na internet. Preocupada, a prefeitura emite um segundo comunicado no dia 22.

A nova nota afirma que a prefeitura “segue todos os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde e pela OMS (Organização Mundial da Saúde)”. E destaca que “A Prefeitura de Búzios jamais deixaria de divulgar, caso a cidade estivesse diante de um risco de disseminação desta ou de qualquer outra doença, que pudesse colocar em risco a população. Todos podem continuar confiando nas condutas adotadas e nas informações de nossas mídias oficiais. As medidas cabíveis serão tomadas contra aqueles que divulgam “Fake News”, por possíveis prejuízos que vêm causando à imagem da cidade”.

O episódio inteiro é uma grande lição para toda a sociedade: poder público e população, e diz muito sobre o papel de cada um. A histeria coletiva leva a notícias falsas e exageradas, mas o desejo de proteção e cuidado, aliado ao direito à informação, carrega a massa. E a massa estava certa. Havia a suspeita de contaminação pelo coronavírus. Por sua vez, o silêncio do poder público, quem justamente deveria usar sua poderosa voz para orientar e mostrar as ações em curso, gera o caos, alimenta a histeria e sensação de insegurança. A desorientação aumenta quando se percebe que, se, por um lado, a prefeitura cumpriu os protocolos básicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde e OMS, conforme afirma em suas notas, ao isolar a paciente no hospital até a certeza de que não estava contaminada, por outro lado, omitiu da população o risco frente à suspeita de coronavírus na cidade. Com isso privou a todos do direito constitucional à informação, embora ressalte que jamais deixaria de divulgar um risco de contaminação. O certo é que, não fosse a ação da comunidade e dos veículos páginas de notícias locais, seria apenas mais uma história, e muito mal contada…

Fake News só se combate com jornalismo profissional.

A Anvisa divulgou material sobre os sintomas e recomendações de prevenção/ reprodução

Nota da Redação: Esta não foi a primeira vez que circulou nas redes sociais que uma pessoa estaria infectada com o corona vírus em Búzios. Na época era mesmo uma Fake News, e a Prensa publicou, no dia 30 de janeiro, matéria sobre o tema. Mas, também neste caso, a Prefeitura informou insuficientemente. Se limitou apenas a informar que era boato. Mas perguntada se havia alguma ação de prevenção a ser realizada no município, por ser muito visitado por turistas de todo o mundo, a Prefeitura não respondeu.

Primeiro caso confirmado no país é em São Paulo

O Ministério da Saúde afirmou nesta quarta-feira (26) que está comprovado o caso positivo de coronavírus no Brasil. Trata-se de um homem que mora em São Paulo, tem 61 anos, e veio da Itália. Esse é o primeiro caso da doença no país e em toda a América Latina. Além dele, há outros 20 casos em investigação e 59 suspeitas já foram descartadas.

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