“Não acredito em políticos que apenas falam e não apresentam realizações” – Guto Garcia

Entrevista com o atual secretário de Educação e pré-candidato a prefeito de Macaé

Secretário de Educação do município de Macaé, vereador licenciado, o professor Carlos Augusto Garcia  Assis, o Guto Garcia, é o nome de sucessão do governo Aluízio, e essa escolha o colocou no centro das discussões da política macaense. De malas prontas para embarcar no projeto  do “Novo PSDB”, aguardando apenas a janela eleitoral em março para deixar o MDB sem risco de perder o mandato no legislativo, Guto foi parar no centro, de forma direta e indireta, das discussões da direita, centro e também da esquerda macaense. 

Após a notícia de que Guto é pré-candidato a prefeito, no mesmo período o vereador Marcel Silvano, no segundo mandato pelo PT, faz uma convocação pública a união do campo progressista na cidade e cita Marilena Garcia, mãe de Guto e primeira  mulher eleita ao legislativo macaense. A citação traz reação de outro pré-candidato a prefeito, esse pelo PSOL, Danilo Funke, que rejeita qualquer diálogo com a família Garcia como um todo, os considerando fora do setor progressista. Outro declarado pré-candidato, Igor Sardinha, pelo PT, é moderado e considera poder conversar com a mãe, mas também se mantém no tema de que não estariam ambos, mãe e filho, mais ligados a um pensamento progressista dentro da política. Guto, nesta entrevista, sem negar sua opção pelo PSDB que tenta de distanciar da direita bolsonarista, discorda, e, mesmo assumindo-se um pragmático, considera que está do lado dos avanços sociais, e se define como um “democrata”. 

Indo além das discussões de campo ideológico ou de posicionamento político, ao entrar na seara da gestão demonstra-se satisfeito com o trabalho realizado como vereador e secretário no campo da educação, e já posicionado como pré-candidato a prefeito busca ampliar o discurso para além de sua principal bandeira, mantendo a todo momento o tom elogioso a gestão Aluízio. 

Não se esquivou das perguntas e aproveitou o espaço para revelar um pouco mais do que seria uma possível governo o tendo como chefe do Executivo em Macaé.

Com o prefeito de Macaé, Aluízio, já como secretário de educação. É o escolhido para ser o sucesso/ Reprodução internet

Prensa de Babel: Como se sentiu com as declarações de Danilo Funke de que não o vê, nem sua mãe, como  progressista? Como você se define?

Guto Garcia: Sou professor, gestor , empreendedor , macaense, com uma trajetória democrática de realizações. Não acredito em políticos que apenas falam, discursam e que não apresentam nenhum projeto para o município . Ser oposição , às vezes, é o único caminho para quem já foi situação e nada fez. Aprendi com a minha família que devemos dar sempre o exemplo através de ações  concretas. Os discursos não substituem as realizações. Já vivi muitas experiências políticas e familiares diferenciadas: Minha família é de professores, comerciantes e funcionários públicos .Nenhum político. Minha mãe Marilena Garcia, rompe com essa tradição familiar. Foi a primeira mulher eleita no interior do estado do Rio. Seus mandatos foram marcados pela participação popular, mobilização continua, destemor, clareza nos objetivos e a luta em defesa das mulheres. Sempre leal ao que acredita: justiça social , educação , direito das mulheres, dos trabalhadores. Essa foi a minha escola política!

Prensa: O que dizer em relação à esquerda?

Guto: Numa democracia, esquerda, direita, centro fazem parte de um processo complexo. Devemos ter muito cuidado com as radicalizações. Existem bons projetos e políticos merecedores de atenção em qualquer tendência. O importante é saber escolher.

Prensa: A afirmação de Danilo é feita em cima da declaração de Marcel Silvano, seu colega no Legislativo, sobre uma união da esquerda, que cita sua mãe. Igor Sardinha também se manifestou sobre o assunto. 

Guto: Igor Sardinha sempre tive uma relação muito boa com ele. Marcel sempre tive uma relação cordial, já tive muitas divergências conjunturais na câmara, ele cumpre seu mandato com dedicação. Quanto a Danilo, acho que perdeu cinco eleições e as duas vezes que  foi eleito, graças ao prefeito Aluízio, uma foi seu vice e a outra toda equipe de Aluízio (candidato a prefeito) trabalhou na sua campanha de vereador. 

Prensa: De qualquer forma, sua mãe é sempre lembrada  na política macaense, como é essa relação?

Guto: Marilena Garcia é lembrada por tudo que realizou e continua realizando, hoje ela se dedica ao trabalho social voltado principalmente para mulheres com câncer de mama. Nossa relação é madura, respeitosa, com total liberdade de escolhas. Ela é uma mulher inteligente, generosa, mas temos abordagens distintas, ideologias completamente diferentes mas que se convergem no trabalho focado para atender a população.

Guto recebendo apoio da mãe, a ex-vereadora Marilena Garcia, em sua campanha para vereador em 2016/ Foto arquivo pessoal

Prensa: Ela teria influência em um possível governo seu?

Guto: Ela é uma mulher criativa, lúcida e que possui um olhar para o futuro muito abrangente. Ela vai ajudar muito nas políticas públicas voltadas para a Mulher. Por outro lado, assim como ela, também sou um cidadão democrático, humanista, conciliador, porém com um perfil mais pragmático de gestão com planejamento. Pela minha trajetória como gestor fica claro uma maturidade política que não tem apegos a vaidade e sim a realizações. 

Prensa: O projeto político do chamado “novo PSDB” é o que Macaé precisa?

Guto: Macaé necessita de gestão eficiente, como é a do prefeito Aluízio e desejo ser capaz de continuar. O nosso município é exceção, uma cidade que possui características diferenciadas dos outros municípios brasileiros. Macaé enfrentou inúmeras dificuldades durante o Ciclo do Petróleo e ainda hoje, após o auge da última crise iniciada em 2014, precisa gerar cada vez mais empregos, melhorar a segurança pública, a mobilidade urbana e resolver uma série de questões. Como toda a cidade, Macaé é viva e para cada novo desafio que se apresenta necessitamos criar programas e projetos que possam fazer que o município continue prosperando. O prefeito Aluízio soube conduzir esse período com maestria, e conseguiu manter as contas públicas do município em dia, apesar de todas as dificuldades. E esse modo de fazer política está muito mais ligado a características intrínsecas de um gestor competente que tem compromisso em resolver os problemas da cidade.

Prensa: Se afasta dessa atual onda de extrema direita e caminha mais pro centro?

Guto: A onda segue uma espécie de moda, algo que pode mudar de acordo com o clima, e eu não me vejo trilhando por um caminho que muda como o vento. As bases da minha formação se dão pelo trabalho e pela construção de política democrática, que valoriza as relações e a realização de projetos, que podem ser vistos e sentidos pelo cidadão Macaense, por tanto entendo que continuar o modelo de gestão que garanta a governabilidade progressista e harmoniosa, com geração de empregos e mais segurança, por exemplo é o melhor para Macaé. 

Sendo questionado na Câmara de Vereadores sobre o projeto Bolsa Ideb e o Bolsa Falta Zero/ Foto: Tiago Ferreira

Prensa: Como foi a participação nas duas gestões, Riverton e Aluizio?

Com ambos tive liberdade de ação, foi uma conquista construída gradativamente através do compromisso em desenvolver um trabalho sério, ético que tivesse impactos sociais relevantes. Com Riverton o desafio da Secretaria de Ciência e Tecnologia, sem recurso econômico, e com enorme potencial de participação pelo perfil da cidade. Com exemplos deste período posso citar o projeto da Fábrica da Cidadania e das Lan Houses Públicas. Contamos com o apoio de centenas de empresas estabelecidas na cidade que nos doavam computadores usados, a partir daí inauguramos 22 Lan Houses públicas, em diversos bairros da cidade. Como Secretário de Educação tive a oportunidade de promover um dos melhores planos de cargos, carreiras e vencimentos para os educadores da Rede Municipal de Macaé, a Eleição Direta para Diretores das Escolas entre tantas outras realizações.

Já no período em que assumi a Secretaria de Educação de Macaé durante a gestão do Aluízio, conseguimos integrar todos os segmentos da educação básica, profissionalizante e superior, um modelo único e inovador no Brasil. Também conseguimos realizar ações que impactam diretamente na vida de milhares de famílias, com a inauguração de mais de 25 unidades de ensino. Conseguimos colocar todas as crianças com mais de 2 anos de idade para estudar. Criamos projetos como o bolsa escola , Startup, casa do estudante e agora o sensacional Hotel de Deus que também a educação está inserida. E eu posso afirmar que ter feito parte de gestões tão distintas demonstra que o meu compromisso com o trabalho antecede bandeiras partidárias apenas reafirma que quando estamos empenhados em realizar ações que promovam mudanças em prol da sociedade, do bem estar comum, sempre teremos espaço e apoio para trabalhar. Sou grato as oportunidades que me foram dadas, em especial ao Prefeito Aluízio que hoje me vê como seu sucessor. 

Prensa: Em que grau avalia o construir 26 escolas depois de vários anos em que a prefeitura alugava prédios? Isso influencia na universalização da educação pública no município? 

Guto: Vontade política do chefe do executivo, prefeito  Aluízio, em fazer a Educação de Macaé, referência no Brasil. Respondemos às demandas diárias que o perfil da população exige. Todos os dias chegam mais e mais novos alunos. Com a crise econômica, parte da classe média migrou seus filhos da rede privada para a pública e isso fez com que nós ampliaremos os espaços para receber essas crianças e jovens. É um trabalho árduo e que conta diariamente com a dedicação de uma equipe de excelência que, junto comigo, administra a Secretaria de Educação. Não se trabalha só, as realizações só são possíveis graças a confiança depositada em mim pelo Prefeito Aluízio e pelo apoio incondicional de profissionais que acreditam no poder transformador da educação e que lutam todos os dias para entregar uma educação de qualidade para o nosso cidadão. Todos os profissionais da educação das escolas, da administração direta, nosso colegiado de diretores todos são uns verdadeiros guerreiros. A universalização do ensino básico em Macaé está plenamente atingida, hoje atendemos desde a educação infantil, a partir dos 2 anos de idade até o ensino superior, pós graduação. 

Prensa: Defende que o município atingiu seus objetivos em relação a investimentos no ensino médio, superior e na startup?

Guto: Como já disse em um outro momento, a Educação é processo que demanda tempo, paciência, persistência, dedicação e dinamismo. Os resultados quase nunca são imediatos, apesar de termos muitas metas a serem atingidas a curto, médio e longo prazo.

O Ensino Médio ofertado pela Educação Municipal através do Colégio de Aplicação é apontado como o melhor deste segmento no Brasil. O nosso IDEB é o maior da região. A Startup Macaé também trilha pelo mesmo caminho de sucesso do CAP, uma vez que Macaé é um dos poucos municípios do Brasil que vem pensando fora da caixa e introduzindo na gestão pública o conceito da inovação para resolução de problemas da cidade.E o Ensino Superior não fica a desejar, ampliou o número de cursos que oferece a população e hoje a faculdade municipal Femass possui quatro graduações gratuitas. E somos os grandes incentivadores da UFRJ e UFF aumentarem o número de cursos na cidade. Estamos construindo um novo bloco na cidade universitária para a UFF. O que posso dizer? O saldo é positivo e fruto de muita dedicação de uma rede de profissionais competentes e comprometidas com a educação.

Prensa: Tendo a educação como principal bandeira, atingiu seus objetivos como secretário e vereador nesse campo?

Guto: Nunca atingimos todos os objetivos e metas que nos propomos ao longo da vida, por vezes estabelecemos desafios que consideramos difíceis e quando menos esperamos atingimos o objetivo e em outras situações pode acontecer o contrário. Mas avaliando minha trajetória na educação de Macaé posso dizer que estou feliz com o que consegui realizar até o momento. Há pouco mais de 10 anos iniciamos o processo de Democratização da Educação do Município, que nos possibilitou avançar em muitas frentes, porém, como já disse a educação é processo contínuo, dinâmico e permanente, portanto sei que ainda há muito avançar, o fato de ter conseguido muitas conquistas para a educação de Macaé não me faz pensar que estou satisfeito, vejo o quanto ainda podemos crescer no campo educacional do município e isso me motiva levantar todos os dias para trabalhar cada dia mais. Temos agora que dar autonomia total para cada escola, esse é o próximo grande objetivo que foi iniciado com a criação dos conselhos escolares dentro de cada escola. 

Prensa: O cargo de prefeito é mais exigente no sentido de que tem de tratar de todos os temas que envolvem a cidade e não se trabalha para um campo apenas, como é mais comum no trato do legislativo. Quais os objetivos como possível novo prefeito? Quais os principais desafios de um novo prefeito, na sua opinião, hoje em Macaé?

Guto: Temos que pensar principalmente na geração de empregos e segurança. 

Para uma cidade que tem sua base econômica fundamentada na indústria petrolífera é importante pensar sobre novos caminhos para desenvolver sua economia, e a cidade de Macaé possui muitas vocações. A Cidade do Conhecimento é uma delas, a ideia de desenvolver a economia a partir do conhecimento é uma realidade, temos experiências de sucesso no Brasil, como as cidades de São Carlos e Campinas no Estado de São Paulo e fora do país, a mais conhecida fica nos Estados Unidos, Califórnia, o Vale do Silício.

Hoje já temos a Startup Macaé, um programa que tem como proposta apoiar e promover iniciativas para a difusão do conhecimento, do desenvolvimento de empreendimentos inovadores e do incentivo a cultura de inovação tecnológica, criativa e empreendedora. Após seis meses de trabalho, podemos destacar que o saldo é positivo e a aproximação entre empresas e empreendedores, pesquisadores e estudantes, vem amadurecendo com qualidade dentro de um ambiente inovador em Macaé.

Outras aspecto importante que deve ser observado é que Macaé possui o ecossistema ideal para implantação de um Parque Tecnológico de Inovação, temos institutos e universidades como: UENF, UFF, UFRJ, IFF que são reconhecidas pelo trabalho que desenvolvem na pesquisa de inovação e a nossa cidade conta um parque industrial que demanda por tecnologia de ponta. Com esses componentes o que precisamos é estabelecer um alinhamento entre estes dois agentes, proporcionando para o município e região um desenvolvimento ainda maior, que terá impactos relevantes nas áreas social e econômica, trazendo ainda mais oportunidade de emprego, segurança e qualidade de vida para Macaé.

Se pensarmos que explorar o conhecimento velo viés científico tecnológico é um caminho mais que possível e real, temos que pensar também que outras áreas da nossa economia também serão beneficiadas a partir da concepção de Macaé como a Cidade do Conhecimento. O turismo é um exemplo. O turismo educacional vem crescendo exponencialmente em todo o mundo, no Brasil nos últimos 5 cinco anos cresceu mais de 125%, as pessoas viajam para estudar, fazer intercâmbio, apresentar pesquisa e participar de eventos educativos. Aqui mesmo em Macaé circulam, apenas na Cidade Universitária, uma média diária de 5 mil alunos. Em sua grande maioria, moradores da cidade, que alugam casas, consomem no comércio local e geraram para o pequeno e médio empresário da cidade, durante o momento mais grave da crise, a possibilidade de manter seus negócios abertos e superarem a fase difícil.

Ainda pensando Macaé a partir da concepção da Cidade do Conhecimento , estruturar a recuperação de manguezais, mananciais, áreas de preservação ambiental em conjunto com as universidades em parceria com o poder público e a iniciativa privada também é uma possibilidade real, uma vez que as indústrias que atuam na área de exploração de recursos naturais como o petróleo, são obrigadas por lei a investirem em projetos e programas ambientais.

O segmento da agroindústria e pesca também podem ser beneficiadas pelas as contribuições da comunidade científica. Em Macaé o Nupem – Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé produz pesquisa com grande potencial de melhorar a vida de quem atua com esta atividade. No Brasil a pesca artesanal é uma das principais atividades de extração dos recursos marinhos vivos, possui grande relevância na geração de emprego e renda para as comunidades litorâneas e no Estado do Rio de Janeiro é apontado como o terceiro maior produtor de pescado no Brasil.

A indústria da energia que abarca o petróleo, gás e as termoelétricas também será beneficiada pelas contribuições dos avanços tecnológicos desenvolvidos através dos estudos científicos. Hoje, a tendência é que a retomada destes setores passem a gerar novas oportunidades de emprego e renda para a população. Pensando em termos práticos, hoje já temos duas termoelétricas operando e outras duas em fase de construção e mais cinco aguardando licitação. O Terminal Portuário de Macaé já possui licenciamento para construção, e seu projeto também prevê a implantação de Unidade de Processamento de Gás, terminal de armazenamento de combustíveis e petróleo, além da construção da rodovia transportuária. A Macaé do futuro será uma grande geradora de energia através das térmicas usando o gás natural. Desta forma teremos a oportunidade de trazermos para cidade a indústria de terceira geração, que atraídas pela energia e insumos disponíveis se instalarão na cidade. Os benefícios trazidos por essas indústrias são amplos e serão revertidos para o município por meio de impostos, postos de trabalho e consequentemente geração de renda, proporcionando um canal forte para ampliar a arrecadação dos cofres públicos o que nos deixa menos dependentes dos royalties.

Como podemos notar, a partir de alguns poucos exemplos, a exploração do conhecimento, nas mais diversas áreas, trará para nossa cidade crescimento e desenvolvimento urbano, econômico e social. Como consequência teremos uma redução nos indicadores de violência e a melhoria da qualidade de vida. Como professor acredito na educação e no grande potencial de transformação que podemos promover na vida de nossos cidadão a partir da ciência, da inovação, da tecnologia, do trabalho colaborativo e integrado. Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo e temos em Macaé um solo fértil para realizar essa transformação.

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