Extrema direita perde em primeiro teste após eleições para presidente

Iguaba Grande tem novo prefeito após eleições suplementares: Vantoil Martins (PPS). Em seu primeiro teste após pleito para presidência da república, candidato do PSL perde nas urnas. O suboficial Washington Tahim teve apoio da família Bolsonaro e do vice-presidente general Hamilton Mourão.

Vantoil vence eleição com 5.118 votos. Foto: Laila Hallack

Nesse último domingo (2) aconteceram eleições suplementares em Iguaba Grande, no interior do Rio de Janeiro. Após o afastamento da ex-prefeita Ana Grasiella Magalhães, novo pleito foi feito na cidade e o candidato do PPS, Vantoil Martins é o novo prefeito do município. O que chamou a atenção nessa votação foi o fato do bolsonarismo ter perdido em seu primeiro teste após eleição presidencial, embora não tenha demonstrado fraqueza.

As eleições na cidade de Iguaba ganharam contornos nacionais, com envolvimento não só do PSL como também da família Bolsonaro e do vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB). O suboficial Washington Tahim (PSL), nome com apoio da família Bolsonaro, foi vencido pelo Vantoil.

Vantoil acredita que a campanha do seu adversário teve fake news. “Muito forte nas redes sociais e, na nossa concepção, abusaram das fake news”, comenta Vantoil.

Tahim era tido como inexpressivo na cidade, mas o apoio do Bolsonaro conseguiu o alavancar para a segunda colocação, com 22% dos votos, contra 36% do vencedor. O vencedor conseguiu 5.118 votos e não se considera de esquerda, apesar do histórico do partido. Já Tahim teve 3.186. Em 2016, na disputa para entrar como vereador, conseguiu apenas 141 votos.

O senador Flávio Bolsonaro, presidente do PSL no estado do Rio de Janeiro, ligou para os deputados do partido pedindo que reforçassem a candidatura do militar. Na véspera da eleição, seis parlamentes do PSL foram a Iguaba Grande para demonstrar apoio a Tahim. Um banner no acesso à cidade com a imagem do presidente Jair Bolsonaro foi instalado.

Peça de campanha do Tahim leva imagem do Jair e Flávio Bolsonaro. Foto/arte: divulgação

Embora sua candidatura seja abraçada pelo PSL, Tahim não é formalmente filiado ao partido. Na Marinha há 33 anos, o candidato não pode integrar um partido enquanto estiver na ativa. Para a disputa, o suboficial pediu licença e teria que se afastar definitivamente em caso de eleição. Ele conhece o presidente há mais de 20 anos, já que Bolsonaro frequentava a comemoração do aniversário da Marinha, realizada anualmente em São Pedro da Aldeia.

Nas redes sociais, Tahim costuma expressar apoio ao golpe militar de 64. Em maio, postou um cartaz em homenagem ao regime. O militar também sustenta a ideia de que o Brasil deveria entrar em guerra. Só assim, valorizaria o papel das Forças Armadas. “Os militares sabem verdadeiramente o tamanho da responsabilidade de defender um povo, mesmo quando não são reconhecidos por isso. Sempre digo que o Brasil precisa de uma guerra, talvez assim sejamos motivo de orgulho para o povo”, publicou.

Conforme a apuração divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Vantoil recebeu 5.118 votos. O candidato do PSL, Suboficial Washington Tahim, teve 3.188 votos e ficou com 22,25%, seguido por Rodolfinho Pedrosa (PR) com 2.842 votos (18,84%), Miqueias Gomes (MDB) que teve 2.675 (18,67%) e Jeffinho do Gás com 502 votos (3,5%). Em toda cidade, foram 15 locais de votação, englobando as 73 seções eleitorais do município. O futuro prefeito toma posse no próximo dia 27.

A funcionária pública Paula Costa, ao ser perguntada sobre a expectativa para o novo governo municipal, disse que espera um melhor saneamento na cidade. “Espero que, com esse novo prefeito, as ruas dos bairros melhorem. Quando chove é muito ruim para os moradores. Só as principais são asfaltadas, isso não é certo. Espero que o saneamento melhore para todo. É muito barro, cheio de buraco”, falou.

Comitê do PSL é lacrado

Nesse domingo (2), no dia da eleição, o comitê de campanha do candidato Tahim foi lacrado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) por crime eleitoral. O local não poderia funcionar já a partir das 22h de sábado (1). “Nós estamos fechando o comitê, pois não poderia estar aberto. Hoje é dia de eleição e não poderia ter mais nada. Isso aqui é o centro da propaganda”, falou Maíra Veiga, juíza de Iguaba.

Entenda

A eleição foi convocada devido ao afastamento da prefeita eleita. Ana Grasiella Magalhães foi afastada definitivamente no dia 19 de março. Nora do ex-prefeito Oscar Magalhães, Grasiella era considerada a terceira da família a comandar a prefeitura, já que seu sogro e antecessor ocupou a cadeira por dois mandatos. Para a Justiça Eleitoral, sua eleição era o terceiro mandato consecutivo do mesmo grupo familiar, o que é ilegal.

Em 2018 Grasiella foi afastada, mas reassumiu o posto amparada em liminares concedidas pelo ministro Ricardo Lewandowski e, depois, revistas por ele mesmo. Em março, o Supremo Tribunal Federal (STF) reiterou o indeferimento da candidatura da prefeita, determinando a convocação de nova eleição.

Também acusada de recebimento de propina para beneficiar uma empresa de iluminação, Grasiella foi substituída, temporariamente, pela presidente da Câmara de Vereadores, Balliester Werneck.

(*)Com informações da Folha de S. Paulo

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