A produção invisível

Não ser reprodução do mesmo.

Com o nascimento da ímpar, com a possibilidade de estar em um grupo que respeita seus pensamentos não típicos, começamos a conversar sobre o nosso jeito invisível de produzir, o nosso primeiro trabalho na rua, o clipe de Madrugada, música do artista Nego San.

Entramos em produção do clipe, que é de uma música de rap, mas que cabiam coisas a dizer na área do visual, e que o artista nos deu permissão de dizer, poderíamos começar com o que seria mais fácil, a identidade que já existe no cenário de rap nacional, um cara que canta pra câmera, que porta arma, ou está cercado de mulheres, mas nós decidimos de alguma forma, não dar o esperado, e isso é identidade, é Ímpar.

Corremos o risco de caminhar na margem, e sinceramente, parece vantajoso. A produção invisível te dá liberdade de nunca ter que dar o esperado, de fazer, pois o seu desejo, egoísta e particular é o único que deve ser saciado com aquela arte, produzir pra nós mesmos, e se alguém gostar e quiser consumir, que sorte.

Não matar nossas ideias, por mais absurdas que algumas parecem, ter um campo para trocar sobre essas ideias e trazê-las para um ambiente sem padrão de produção, exposição ou pensamento.

Não reproduzir pra gente é muito simples, é permissão. Se deixasse o artista pensar por si mesmo, não exige um encaixe. Ganha-se com isso, mas do que se pode escrever nessa coluna.

*Talytha Selezia é artista

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