A mobilização pra luta

O que vem antes da manifestação?

Venho falar de uma coisa que antes passava despercebido por mim. As redes que se criam em manifestações, em meios políticos, existem esses líderes “naturais” e esse ar de quem está mais condicionado a falar. Quando se busca um grito, em Cabo Frio, eu percebo muito isso, de uma forma muito mais forte, um fala, outros seguem, sem gritar, sem falar, sem criticar.

Nas manifestações, um ambiente de revolta se padroniza, até a raiva, o sofrimento, a indignação. Numa manifestação em que as pessoas estão preocupadas com a roupa, ou de não sair feio, gritando e fervoroso nas fotos, pois até isso foi previamente pensando. 

Eu vi um tweet de apelação, sobre não levar drogas, nem consumir no ambiente da manifestação e chegou a me parecer cômico. Você entender que muitos ali não tem noção de como é importante a mobilização e transformar aquilo num rolê.

A cidade que de tão cenográfica, virou cenário de barbárie, que não fala como mata seus habitantes. Eu como uma jovem cabo-friense, digo ter vergonha de algumas mobilizações, de como o real sentido se perde, de como não se percebe a verdade que leva alguns tipos de pessoas ali.

Na manifestação contra os casos de assédio, um cara que fingiu apoiar, falou que deveria acontecer uma manifestação por semana, afinal, só tinha mulher gostosa naquele ambiente, e saber daquilo, me deu uma proporção da indiferença sobre a luta.

E na luta pela educação, transformaram novamente uma razão social e importante, num rolê em que se flerta, forja-se comentários e finge estar ali, nunca se importando com isso aqui.

Eu não estar é uma questão de respeito, pois eu não acredito na luta de quem se acha mais inteligente para falar, de quem bota uma roupa bonita atrás de selfie e militância. Sua camisa e calça social, sua fala bonita sobre privatização, seu tênis mais caro, lançamento da Nike, não te distância do boçal que governa tal país, tudo se perde nas entrelinhas De querer mostrar o que não é, tudo se perde nas areias brancas que tem disfarçado mal a ignorância.

*Talytha Selezia é artista de Cabo Frio

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