O sentimental como forma de viver

A busca pela cura.

No período de crise qual estamos agora, o ser saudável é muito difícil, se manter saudável mais ainda. No meio de uma troca de ideias, um homem me surgiu com o questionamento de porque de um tempo pra cá, tenho estado tão acessível, para abraços, beijos e atitudes carinhosas, e eu até então não tinha me questionado sobre.

Até que ontem eu li uma coisa, que dizia basicamente que o toque te torna mais humano, de certa forma te dá um retorno sobre alguma coisa, o que é a proximidade, retornos são bons e carinhos também. Antes eu desejava desvincular a mulher forte, da parte sentimental, hoje eu entendo que sou a mulher sentimental é forte.

Trata-se o carinho como algo impróprio, as trocas corporais, de toque, torna o corpo pecaminoso. As trocas em formatos de preocupação ou palavras são tratados como algo que deve ser escondido, quando o mesmo salvou minha vida, e a de muitos outros.

Na atual conjuntura política, leio notícias e me sinto despida, fragilizada, e encontrar alento seja em abraços ou mensagens carinhosas, me mostraram um novo caminho para a resistência.

Continuar sendo aquela mulher intocável, que parece imbatível, seja em manifestações ou em poesias, me levou a total fragilidade, entender e dividir minhas sensibilidades me mantiveram lúcida.

O carinho está ligado a conseguir ouvir o outro, a dedicação está em saber que é um momento de luta, e mesmo assim sorrir a desconhecidos na rua, a empatia deve ser dada a quem sofre, e muitas vezes é esse o caminho, entender que existem humanos atrás da resistência, que existem pessoas mantendo movimentos e militância, que mesmo tendo pensamento político e crítica, aquela voz, aquela fala, ainda é de uma pessoa.

O sentimento, a sensibilidade, tem a capacidade de fortalecer coisas, e estando armada disso me sinto capaz de voltar e muitas vezes, sensibilidade e sentimentos podem ser voltados para você mesmo, o auto perdão, é melhor que a auto mutilação.

Toque, abrace, diga, olhe. Eles querem máquinas, irracionais, e compulsivas e ser SENTIMENTAL na era digital é quebrar o código de silenciamento.

Eu volto a escrever depois de ter tentado desistir.

*Talytha Selezia é artista e mulher preta

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