Associação Mães Coragem promovem evento em Cabo Frio para discutir o espectro autista

Evento vai acontecer na segunda-feira (2) Dia Mundial de Conscientização do Autismo com o objetivo de abraçar famílias e seus filhos, o projeto Mãe Coragem orienta e informa os pais, visando à garantia dos direitos de seus filhos.

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No dia 2 de abril vai acontecer na Praça Porto Rocha, em Cabo Frio, um evento em comemoração ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Realizado pela Associação Mães Coragem, estão sendo preparadas tendas com orientação jurídica, inclusão escolar, assistência social e psicológica, cadastro, panfletagem, atividades, música ao vivo e uma apresentação de teatro. O evento na Praça Porto Rocha, em Cabo Frio, das 15h às 18h30.

Composto por mães e profissionais envolvidos com a causa do Transtorno do Espectro do Autista (TEA), o projeto ‘Mães Coragem’ começou em 2014. Com o objetivo de abraçar famílias e seus filhos, o projeto orienta e informa os pais, visando à garantia dos direitos de seus filhos. O projeto também busca políticas públicas para melhor qualidade de vida dos pequenos e de sua família.

Raquel Simas, presidente do ‘Mães Coragem’, conta que o projeto surgiu da experiência própria. “Eu tenho um filho no especto (TEA), conheci outras mães e via muitas dificuldades. Estive em luto por um tempo e não tive acolhida, a não ser da minha família, mas muitas nem isso tiveram. Então a vontade surgiu no intuito de mostrar a essas famílias que receberam o diagnóstico. Demonstrar que isso não é o fim, e sim o começo de uma experiência linda, pois os autistas são puros, sinceros e nos fazem sentir pessoas melhores”, contou Raquel.

Completando quase cinco anos em atividade, o projeto conta com 100 famílias cadastradas, porém somente 50 estão ativas devido a grande dificuldade em reunir o grupo. Voltado para os pais, o projeto oferece atendimento psicológico, orientação educacional e apoio jurídico.

Raquel conta que muitas famílias se afastam dos pais e da criança autista quando ficam sabendo do diagnóstico, e pensando nisso, o projeto realiza eventos em datas comemorativas para que os pais dividam suas experiências e sejam acolhidos também. “ Procuramos sempre realizar festas em datas comemorativas para que as crianças interajam e brinquem, mas isso também cria uma rede de acolhimento para os pais. Todos que pensam, sente a mesma coisa e tem o mesmo desejo. Unimos isso e realizamos estes movimentos com rodas de conversas e bate papo. Este também é um dos nossos focos principais, oferecer para essas famílias um pouquinho mais de alegria e companheirismo após este diagnóstico”, explicou a presidente do projeto.

Troca de experiências e acolhimento
Gisele Ribeiro, mãe e uma das fundadoras da Associação Mães Coragem, conta como o projeto beneficiou a família e o filho dela. “(O projeto) já proporcionou para mim e para meu filho, em especial, muitas coisas boas. Os passeios, os encontros, a troca que a gente tem com as outras famílias. Ali a gente senta, trocas experiências, a gente desabafa alguma coisa que tenha acontecido. E ali todo mundo se conhece, luta pela mesma causa então a gente vê que não está sozinha. Fora as alegrias em ver o filho aproveitando uma festa do Dia das Crianças, uma festa na piscina. É ter um lazer sem se preocupar muito com o olhar e julgamento do outro”, contou Gisele, que acredita que os benefícios maiores, ainda estão por vir.

As mães contam que a falta de informação da população, gera preconceitos. Gisele explica como lida com estas situações. “Eu já tive a experiência de estar com meu filho na cadeira preferencial do ônibus, e uma senhora me questionou, dizendo que ali não era o lugar dele ou meu. Eu, com toda educação, mostrei para ela que ele tinha o mesmo direito. Eu acho que é assim que a gente deve lidar com esse tipo de situação. Falando e explicando, para que na próxima vez em que ela presenciar uma situação assim, ela não julgar e procurar compreender melhor” contou Gisele.

As mães e fundadoras do projeto contam que, além do lazer, a associação corre atrás de políticas públicas para trazer recursos, pois muitas pessoas não têm condições de pagar uma terapia particular, que é um dos serviços que o projeto oferece. “Falta muito isso aqui no município, então a gente se une por isso também. Para trazer o bem estar social para eles. Mas também temos que correr atrás de tratamentos e isso só vão ser possíveis se cada pai e cada mãe se unir mais e buscarmos juntos por isso”, afirma Gisele.

Atendimentos em Cabo Frio.

Cabo Frio dispõe do Centro Municipal de Reabilitação no bairro Portinho. A unidade que foi reinaugurada em novembro de 2017 e projetada para atender cerca de 300 pacientes por dia. Segundo com Sérgio Ribamar, coordenador do Centro de Reabilitação, atualmente existe mais de cem famílias cadastradas no município de Cabo Frio com parentes e filhos com o Transtorno do Espectro Autista.

A unidade tem de uma sala de fonoaudiologia, uma de psicologia, uma de artes manuais e sete salas de fisioterapia, sendo uma para psicomotricidade, uma para neuropediatria, três para eletrotermoterapia, uma para comportamento motor e uma de avaliação.

O Centro de Reabilitação funciona de segunda a sexta-feira das 8h às 17h.

Sobre  Transtorno do Espectro do Autista
O dia 2 de abril foi instituído pela ONU em 2007 como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O autismo é um transtorno que afeta vários aspectos da comunicação, além de influenciar também no comportamento do indivíduo. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CD), dos Estados Unidos, apontou que uma em 59 crianças tem o transtorno do espectro autista( TEA) . A condição  geralmente tem início na infância e persiste durante a adolescência e vida adulta.

A agência da ONU afirma que várias pesquisas científicas sugerem a existência de muitos fatores que podem deixar a criança mais propensa ao autismo, incluindo questões ambientais e genéticas. A intervenção durante a primeira infância é importante para promover o desenvolvimento ideal e o bem-estar das pessoas com transtorno do espectro autista. Recomenda-se o monitoramento do desenvolvimento infantil como parte dos cuidados de saúde materno-infantil de rotina.

É importante que, uma vez identificadas, as crianças com TEA e suas famílias recebam informações relevantes, serviços, referências e apoio prático de acordo com suas necessidades individuais. A cura para o transtorno não foi desenvolvida. No entanto, intervenções psicossociais baseadas em evidências, como o tratamento comportamental e programas de treinamento de habilidades para pais e outros cuidadores, podem reduzir as dificuldades de comunicação e comportamento social, com impacto positivo no bem-estar e qualidade de vida da pessoa.

 

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