Banda Dead Fish comenta como é voltar tocar em Macaé 20 anos depois

Bandas Cervical e Apenas Por Hoje também comentam sobre o evento, como se apresentarem ao lado do Dead Fish e sobre a importância do hardcore no momento atual do Brasil.

O rock sempre foi o estilo musical agressivo, de revolta, com teor político e isso fez com que uma legião visse o mundo de outra forma. A música sempre caminhou ao lado de momentos históricos no Brasil, o que acontece também em momentos atuais, e até mesmo como forma de protesto. Uma das bandas com maior teor político na cena hardcore nacional, o Dead Fish, se apresenta em Macaé, no próximo dia 22.

Apenas Por Hoje, banda de Macaé. Foto: arquivo pessoal

A banda de Vitória é uma grande influência para quem sonha em viver da música, como é o caso da Cervical e Apenas Por Hoje. “Não, não é a primeira vez (que abre o show do Dead Fish). Já tivemos essa honra outras vezes, as últimas foram em Campos e Vila Velha e os caras são muito bons. Uma aula de profissionalismo”, disse o vocalista Pascoal, da Cervical.

A banda Apenas Por Hoje tocará pela primeira vez com o Dead e se mostraram ansiosos para isso. “É a primeira vez que o Apenas por Hoje vai estar no mesmo palco que o Dead Fish e estamos muito felizes com essa oportunidade. Esperamos fazer a nossa parte da melhor maneira possível”, falou Felipe Passos, vocalista e baixista.

O Dead Fish surgiu em 1991, em Vitória, Espírito Santo. A banda independente de hardcore que conta, em sua formação, com Rodrigo no vocal, Igor Tsurumak no baixo, Rick na guitarra e Marcão na bateria. Aos quatro anos de banda, o Dead Fish lançou, em 1995, sua primeira demo tape, “Re-Progresso” e, em 1998, o primeiro CD, “Sirva-se”, vendendo mais de 10 mil cópias em um ano.

Em 1999, a banda lança “Sonho médio”, – álbum que entrou para a história do hardcore brasileiro – “Afasia”, e “Ao vivo”, uma compilação dos dois discos anteriores, gravado no Hangar 110, o berço do hardcore no estado de São Paulo.

Dead Fish volta a Macaé após 20 anos. Foto: Divulgação

A banda volta a tocar em Macaé após 20 anos. “Lembro como se fosse ontem desse show. Viemos a banda inteira em um carro, o carro quebrou e voltamos de ‘busão‘, acho que isso já fazem mais de vinte anos. Lembro do Sandro, das cartas de tudo. Vai ser maneiro voltar. Esperamos que seja bom (o show) como boa parte dos shows no estado do Rio de Janeiro”, relatou o vocalista da banda, Rodrigo.

Para completar a festa, a banda Cervical vem com toda força e energia, e também terá o Hardcore melódico da banda Apenas Por Hoje, trazendo a sonoridade anos 90. Ambas são de Macaé. “A expectativa é a melhor possível. Todos nós do Apenas por Hoje somos fãs do Dead Fish e acreditamos que há um publico legal que está ávido por um show desse naipe aqui em Macaé”, afirmou Passos.

“Para nós do Cervical é duplamente especial, primeiro porque faz quase um ano que não tocamos em Macaé e voltar a termos essa oportunidade é algo que nos deixa muito feliz. E segundo por estarmos ao lado de amigos como a banda Apenas por Hoje, e abrir para o Dead Fish que para nós é um exemplo de determinação e também um exemplo que não podemos deixar de acreditar naquilo que fazemos de coração”, concluiu o vocalista.

Momento político nacional
Perguntados sobre a importância do hardcore no momento em que o Brasil passa, as bandas de Macaé foram bastante enfáticas e objetivas. O vocalista do Apenas Por Hoje disse que “Não só o Brasil, mas o mundo tem vivido momentos de muito extremismo e o hardcore é um segmento musical que, junto com outros estilos, sempre esteve na vanguarda da contestação. Acredito que estamos em um momento onde as pessoas têm que reaprender a se respeitar e, talvez o hardcore possa ser um dos canais que podemos utilizar para nos reconectarmos de forma positiva novamente”, opinou.

Banda Cervical. Foto: arquivo pessoal

O Pascoal, da Cervical, relatou que “cada vez mais, tudo que pode fazer as pessoas se questionarem e refletirem é importante. Acreditamos que o hardcore tem esse papel, além da mensagem da banda, tem o estilo de vida e o que se pratica no dia-a-dia. Tão importante quanto a mensagem que se passa, o hardcore é também aquilo que se pratica. O cenário atual do nosso país é crítico pois a intolerância e o preconceito estão latentes, perdendo a visão do bem comum. Devemos ser capazes de estabelecer um diálogo e saber debater ideias diferentes das nossas e saber que o mais importante é que precisamos conviver respeitosamente com nossas diferenças”, finalizou.

O show será realizado no Centro Cultural Rinha das Artes fica localizado na Rua Dr. Júlio Olivier, 633, no centro de Macaé. Os ingressos para a apresentação da banda capixaba já começaram a ser vendidos em pontos físicos e na internet; e custam R$30 no 1º lote. Os ingressos podem ser comprados pelo site.

Banda de hardcore Dead Fish volta a Macaé após 20 anos

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