Eu também fui falar de LGBTfobia

Por Sara Wagner

Sara e seu filho

Eu estava na praia e era a primeira vez que via meu filho em 15 anos, ele já era um homem, não mais o menininho de outrora, eu olhava com amor e saudade, então, passou um sujeito, apontando e rindo. Eu entendi, sendo travesti, sei bem o que é chacota.

15 ANOS SEM VER MEU FILHO! Éramos apenas, pai e filho, mas os olhos alheios não viam…

Um segundo sujeito, passou, desdenhando e “se sentindo”, era o dono do pedaço, ou se sentia assim….

15 ANOS SEM VER MEU FILHO! Éramos apenas, pai e filho, mas os olhos alheios não viam…

Um terceiro sujeito gritou, v!ado!

15 ANOS SEM VER MEU FILHO! Éramos apenas, pai e filho, mas os olhos alheios não viam…

Um outro, o quarto, veio caminhando para mais perto, convidando pessoas para NOS verem de perto. A única coisa que eu queria era que meu filho não fosse exposto aquilo por ninguém e era justamente eu a causa, senti vergonha. Eles se aproximavam acreditando se tratar de dois homossexuais…

15 ANOS SEM VER MEU FILHO! Éramos apenas, pai e filho, mas os olhos alheios não viam…

Nós fazíamos de conta que não estávamos vendo, por nós mesmos, e então fomos embora, dias depois, em outra praia, pude fazer essa foto, sem muitas pessoas por perto…

15 ANOS SEM VER MEU FILHO! Éramos apenas, pai e filho, mas os olhos alheios não viam…

EU SENTI MEDO (de mim mesma) E VERGONHA (por expo lo a tal situação, como se eu fosse culpada)…

15 ANOS SEM VER MEU FILHO! Éramos apenas, pai e filho, mas os olhos alheios não viam…

Depois de 15 anos sem ver meu filho, eu só queria andar na praia com ele, como pai e filho. O estado me roubou isso e muito mais, a sociedade foi conivente ao não criminalizar a LGBTfobia anos atrás.

Parem de relativizar a dor que nunca sentiram, perca grandes momentos de sua vida, retire se do CISmundo e seus privilégios e então venha, como eu por os pés no chão do mundo que habito.

FORAM 15 ANOS SEM VER MEU FILHO! Éramos apenas, pai e filho, e ninguém vai tirar de mim o desejo de poder andar com ele pela praia um outro dia, não sendo ridicularizada por homens cis, como naquele dia!

Sara Wagner York é professora, ativista,  mulher, é pai e é avó Escreve para o Prensa de Babel

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