Operação “Conexão Búzios” prende vinte e sete pessoas na Região dos Lagos

A organização criminosa cometia crimes como homicídios, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em quatro cidades.

Equipe policial em frente à 126 DP, em Cabo Frio / Foto: Rildo Herrera, InterTV

Na manhã desta quinta-feira (31) uma operação da Policia Civil do Rio de Janeiro com o Ministério Público (MPRJ) prendeu 27 pessoas em cidades da Região dos Lagos como Armação dos Búzios, São Pedro da Aldeia, Cabo frio e Araruama.

A operação é realizada por meio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) em parceria com a Polícia Civil do Estado e com a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ).Foram expedidos 83 mandados de prisão e 87 de busca e apreensão envolvendo crimes como tráfico de drogas, extorsão, lesão corporal, homicídio e lavagem de dinheiro.

Dos indiciados,  15  já se encontravam presos nas cidades de Búzios e São Pedro da Aldeia e tiveram novos mandados de prisão.Os acusados foram descobertos através de escutas telefônicas, que revelaram as crimes cometidos. De acordo com as investigações do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), os criminosos montaram uma empresa de serviço de internet, a Estilo Net, que acabava sendo utilizada para ameaçar, até mesmo de morte, concorrentes e moradores.

A atuação criminosa iniciou-se em janeiro de 2018, e contava com uma lanchonete utilizada para “lavar” o dinheiro.  Estes também são acusados de matar uma pessoa condenada pelo “tribunal do tráfico”.Segundo o MP, os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão são contra 60 denunciados integrantes de uma determinada facção criminosa e 11 de outra facção.

A investigação aponta que no período de janeiro de 2018 até janeiro deste ano, os 71 denunciados se uniram para praticar os crimes no Rio de Janeiro e nas cidades de Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e Búzios. A organização criminosa tinha como alvo comunidades carentes, como  a da Colina (em São Pedro da Aldeia), Cem Braças, Capão, José Gonçalves, São José, Vila Verde/Cruzeiro, Alto da Rasa, Maria Joaquina (Búzios), Favela do Lixo e Boca do Mato (em Cabo Frio).

“Os denunciados praticaram o delito de tráfico ilícito de entorpecentes mediante utilização de armas de fogo e de intimidação dos moradores das comunidades de baixa renda da região”, afirma o MPRJ, acrescentando que os criminosos eram violentos e intimidavam os moradores com regras próprias da chamada “lei do tráfico”.

.Sidnei José Rodrigues Junior, o Neném, Samuel Henrique Terra, Gilberto Coelho de Oliveira, o Gil do Dendê, Ruberval Barcelos Mendonça, o Vaval e Valdinei Quintanilha de Souza, o Dinho, são apontados segundo as investigações como líderes de duas organizações criminosas.

O núcleo de uma das organizações criminosas foi montado em Búzios e era chefiado por Sidnei José Rodrigues Júnior e Samuel Henrique Terra, “que mesmo presos, continuavam a orquestrar a venda de drogas e os crimes mencionados (tráfico de drogas, extorsão, lesão corporal, homicídio e lavagem de dinheiro), tudo sob a batuta da intimidação por meio de violência, incluindo pesado uso de armas de fogo e participação de crianças e adolescentes”, revelou o Ministério Público.

Operação realizou buscas na CooperBúzios/ Foto Rildo Herrera,Inter TV

Alguns dos acusados tinham a função de separar, guardar e enviar a droga para os locais de ponto de venda, além de fazer a contabilidade e a prestação de contas aos “chefes”.

“Tais personagens também eram responsáveis pelo envio de armas de fogo para uso nas atividades ilícitas e aplicação de ‘castigos’ aos que desrespeitavam os comandos da organização criminosa”, diz o MPRJ. O outro grupo fazia a segurança dos pontos de venda, o conhecido “vapor”.

Companheira de Samuel, Maysa de Oliveira Pinto é apontada como responsável pelo recebimento do lucro, fazendo também a lavagem do dinheiro através de uma lanchonete. A outra organização tinha núcleo em São Pedro da Aldeia, com atuação nas cidades do Rio, Búzios, São Pedro da Aldeia, Araruama e Cabo Frio. O chefe era David Jonata, que tinha Renan Vieira Ferreira e Rafael Cruz Lima Rangel como auxiliares.

Rafael Cruz é acusado, com mais duas mulheres, Paola Viviane de Souza e Flaviene Viviane de Souza, de envolvimento na morte de uma pessoa condenada pelo chamado “tribunal do tráfico”. As mulheres também ficavam encarregadas da lavagem do dinheiro.

Maria José Souza Barata é uma das mulheres suspeitas de contribuir para a organização, repassando os valores, fazendo a contabilidade do grupo, guardando os entorpecentes e armas, e comandando as mulheres integrantes da organização.

Indícios apontam que o esquema chegou a utilizar o aplicativo de transporte Uber, de acordo com o MPRJ, sendo o motorista Bruno Ribeiro Gomes cadastrado no aplicativo, fazendo através dele o transporte de drogas, armas e dinheiro. O grupo tinha ainda responsáveis pela venda das drogas e segurança dos pontos de venda. As investigações apontam que os criminosos atacavam policiais usando armas com alto poder de munição, incluindo granadas.

Marcos Julio Ferreira da Silva, Welington Silva de Oliveira, Leonardo Fernandes dos Santos e Patrick da Silva Oliveira Costa constrangiam e até ameaçavam de morte clientes e funcionários de empresas de serviços de internet concorrentes da empresa montada pela organização, a Estilo Net. Quatro mulheres do grupo faziam a lavagem do dinheiro do grupo através de depósitos em contas bancárias, repasse de informações e transporte dos valores.

Procurado pelo Prensa, o Delegado Allan Duarte, responsável pela 127 DP em Armação dos Búzios comentou que a operação está sendo avaliada e ainda não há um saldo total da mesma. Até o encerramento desta matéria, a CooperBúzios não se pronunciou a respeito do ocorrido.

(*) Com informações do G1

Materiais apreendidos pela Operação Policial /Foto Divulgação Polícia Civil

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