Morte de bebês no Hospital da Mulher em Cabo Frio gera indignação

Os relatos invadiram as redes sociais com denúncias sérias de negligência. Ativistas pretendem criar um canal para denúncias. Em nota a direção do Hospital afirma que está comprometida com a melhoria dos serviços prestados à população

O Hospital da Mulher em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, mais uma vez é palco  de denúncias relacionadas à negligência, após morte de bebês. Segundo relato de mães, os casos de violência obstétrica são recorrentes na unidade.

Em relato, concedido à coordenadora do setorial de mulheres do PSol (Partido Socialismo e Liberdade) da Região dos Lagos, e publicada originalmente em uma rede social, uma das mães, Gilmara Rocha, relata o atendimento oferecido à ela e ao bebê durante passagem pela unidade.

Gilmara durante entrevista / foto reprodução da internet

Segundo o relato, Gilmara  teria chegado ao Hospital com muitas dores, na terça-feira(15), e teria recebido medicação intravenosa, que se estendeu até o dia seguinte, quando uma médica  teria constatado que o feto estava com os batimentos cardíacos normais, suspendendo a medicação. Na quinta-feira(17), uma nova ausculta não acusou batimentos, e só então a médica teria realizado ultrassom, constatando a morte do feto.

Ainda segundo o relato da mãe, a explicação dada à família sobre a causa da morte do feto foi má formação, apesar do laudo não ter sido entregue, e o prazo dado pela direção do hospital, para a entrega do documento, ser de 30 dias. Gilmara alega ainda, que realizou todo o pré-natal e que teria feito três ultrassons durante a gestação de 36 semanas, incluindo o exame morfológico, que detecta má formações e que nenhuma alteração foi encontrada.

Em dezembro último, o Prensa já alertava para casos como esse, no relato da doula Thyanne Teles falando sobre o mesmo tema, na matéria do repórter Lucas D’Assumpção, disponível no link.

Diante do aumento do número de denúncias, Carolina contou ao Prensa que o próximo passo é pedir transparência na divulgação dos casos de morte e no andamento das denúncias sobre violência obstétrica na unidade. E ainda, que os casos serão reunidos e levados à comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), por meio do mandato da deputada Renata Souza, e abrirão caminho para possível abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as denúncias, que serão coletadas através de uma central, organizada pelo Setorial nos próximos dias.

Em nota a direção do Hospital da Mulher afirmou, por meio da diretora administrativa Lívia Natividade, que “os recentes óbitos de nascituros entre 1º de Janeiro de 2019 até a presente data, ocorreram por diversos fatores: ausência de pré-natal, doenças sexualmente transmissíveis contraídas pelas genitoras e a o consumo de substâncias entorpecentes. Diante do lamentável quadro, o Secretário Municipal de Saúde, Dr. Márcio Mureb e o Prefeito Adriano Moreno já estão elaborando plano de ação contendo medidas preventivas que perpassam pelo incentivo ao acompanhamento adequado do pré-natal das gestantes, bem como a ampla conscientização da importância dos exames prévios e das vacinas. Ressalte-se que os falecimentos foram devidamente notificados aos órgãos oficiais, a fim de ratificar a iniciativa de programas sociais de prevenção sobre as causas de mortalidade materno fetal. Importante frisar que nova gestão do Hospital da Mulher está totalmente comprometida com a melhoria dos serviços prestados à população e se coloca à disposição para maiores esclarecimentos”,

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