Travestis ajudam mulher que estava apanhando dentro de carro em Cabo Frio

Thaylla e Tiffanny arrancaram o turista de dentro do carro. Thaylla Barcelos ainda lembra que o fato fez com que ela se lembrasse da infância de testemunha da violência doméstica e familiar que aflige milhões no país.

Nesses últimos dias em Cabo Frio, um vídeo viralizou nas redes sociais. A travesti Thaylla Barcelos, nas imagens, mostra um carro que ela e outra amiga, Tifanny destruíram com as próprias mãos. Na ocasião, ela relata que destruiu o veículo porque o motorista estava espancando a própria mulher, que gritava por socorro. As imagens foram gravadas próximas a rodoviária da cidade. O vídeo foi gravado e publicado em 30 de abril de 2018, mas só tornou viral na noite da última quarta-feira (8), quando a página do Facebook ‘Masha Indelicada’ divulgou o material.

O Prensa de Babel ouviu Thaylla Barcelos nesta quinta-feira (10) e a travesti contou que usou objetos para ajudar a mulher que sofria agressões. “Destruí o carro com pedra, com a mão, com braço, com tudo que vi pela frente”, relata. Ainda de acordo com Thaylla, ela e a amiga Tifanny estavam indo em direção ao centro da cidade, quando viu a vítima com metade do corpo para fora do automóvel, em alta velocidade, implorando desesperada por ajuda.

Ela conta que o automóvel enguiçou e com isso começou a agredir a moça. “O carro do cara morreu, aí ele aproveitou para bater na mulher. Vimos tudo que aconteceu pelo vidro de trás. Ele esmurrava muito ela. Vimos a cena e fui junto com minha amiga, tiramos ele do carro e enfiamos a porrada nele”, disse Thaylla.

Thaylla Barcelos ainda lembra que o fato fez com que ela se lembrasse da infância de testemunha da violência doméstica e familiar que aflige milhões de mulheres e travestis no país. “Passou uma imagem na minha cabeça pelo que meu pai fazia com minha mãe e eu não me aguentei”. As duas bateram no agressor, que saiu correndo do local. Em seguida, elas mesmas ligaram para a Polícia Militar, que esteve no local e registrou a ocorrência.  “Se acontecer de novo na minha frente, vai ter surra novamente”, afirma.

Confira o vídeo onde a Thaylla relata o ocorrido:

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1 comentário

  1. Kenia Serena Ungaretti dos Santos Diz

    Legítima defesa serve para isso: permitir que a própria vítima ou terceiro intervenha com agressividade em ato que fira sua idoneidade física, psicológica e até material com o fito se evitar dano eminente. Nesse sentido, nós mulheres devemos proteger umas às outras. Se não der tempo para pedir socorro, que possamos ao menos tentar impedir o agravamento da agressão.

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