Urbália – “1993”

Entrevista com o Nene.

Tá ligado no Nene? Produtor musical e mc do norte-fluminense (Campos/São João da Barra), integrante da Lajebond ou LAJE (Liberdade À Juventude Emicee) que fundou junto com Victor Marv e Guilherme Sagat.

Como produtor musical, lançou mais de 15 mcs em 2017. Adiou o Album1993 em outrubro.
Em 2018 lançou o tão esperado ALBUM1993. Juntando musicas de 2016 (HipHop, Sobre Cobrança e Versatilidade) / 2017 (Milagre, Marginal Alado, Sheila) e 2018 (50 Tons de Breu, Lua, Freeverse1993, Psicossomáticos, Denouement, Pineal).

O Álbum “1993” é uma boa novidade pro rap, pra música do interior, pro nossos ouvidos e aí resolvemos trocar ideia com ele.

Confere ae:

1- Aquela primeira pergunta básica, quem é o Nene?

Nene é um cara que começou a arriscar os primeiros beats em 2006, que veio a descobrir o Rap underground em 2008.
Um cara que tem algumas Músicas dos anos 80 no celular, que curte um Soul/Neo Soul, R&B e aprecia um bom Smooth Jazz.
Nene é um cara de 25 anos que esforçou sozinho pra aprender tudo o que sabe. Um cara simples que gosta de tá com a família, que ama ter um momento sozinho. E que trabalha melhor com amigos.

2- Você poderia dar um panorama da cena musical da qual representa?

O Rap é lindo e suas vertentes são fodas. Mas eu amo o boombap, os brakes oldschool e os Lo-fi, os samples cortados, as frases de contrabaixo, os chiados de vinil. Isso é apaixonante mano!

Eu lembro que antes de tentar produzir qualquer coisa acho que foi em 2004 ou antes. Meu irmão comprou um Cd, “O povo da periferia” do Naldo Ndee, numa feira perto de casa.
Ninguém ouvia Rap e quando botamos pra rolar foi foda porque minha coroa curtiu aquilo junto com a gente, apesar de ter uma linguagem agressiva foi foda minha coroa ter apoiado a gente naquele momento.
É certo de que ela nos apoiaria em qualquer circunstância.

3- Nos tempos de atenção fracionada, por que quis lançar um Álbum?

Puro sentimento de GRATIDÃO.
O lançamento de meu álbum foi o ápice da minha gratidão com Deus, com o universo; pela vida, pelos amigos e família, pelo meu estado de espírito, pela minha sabedoria musical, pelo meu esforço, enfim, meu álbum lançado foi o ápice da minha gratidão ao que tenho me tornado com tanto esforço.
Pra mim o momento certo pra lançar um álbum é quando cê tá feliz consigo mesmo.
Ele tinha sido adiado em Outubro de 2017. Um dos motivos foi pelo fato de eu não me sentir grato pelo que eu já tinha, eu queria fazer uma parada pra que todos me ouvissem, não tava ruim, mas faltava um PERFIL, UMA IDENTIDADE.

4- Existe dois temas bem fortes no seu disco que são “amor materno” e “depressão”. Por que essas opções temáticas?

A depressão veio depois de alguns anos depois da morte do meu pai. A base dela se instalar foi a falta de emprego. Eu era um jovem que se formou em 2010 e que até 2014 nunca tinha trabalhado de carteira assinada na vida.
Eu achava que se meu pai tivesse vivo seria mais fácil, até porque eu tinha ele como exemplo de trabalhador.
E infelizmente, foi por trabalhar demais que ele morreu. Ele passou mal em casa numa tarde depois de termos vindo de Campos dos Goytacazes em 2010.
Eu cheguei tão cansado que fui dormir e ele tomou café e foi tomar banho foi aí que ele passou mal e sofreu um AVC.
Eu acordei assustado porque minha mãe tava gritando e batendo na porta do banheiro chamando o nome dele, esse foi um dos piores momentos da minha vida.
E o amor materno veio pouco depois da morte do meu pai.
Eu amava minha mãe mas a morte do meu pai desencadeou um amor incondicional por ela. Antes da morte dele ela já fazia o papel de pai e mãe, meu pai trabalhava demais, ficava um mês inteiro fora. E ela sempre segurou a bronca com 3 filhos em casa.
Ela tinha um emprego de enfermeira e largou pra cuidar da gente, talvez hoje ela fosse da chefia do hospital por ter muito conhecimento mas ela nunca se arrependeu de ter aberto mão da carreira pra cuidar da gente.
Hoje eu sinto que tenho que correr bastante pra retribuir a altura do que ela já fez por mim e meus irmãos.

5- Você produziu o disco também, né? Como é ter essa autonomia na produção?


Cara é a melhor e a pior coisa. Melhor porque sai tudo do seu jeito, do seu modo e com menos gasto. E pior porque você acaba fazendo mil coisas e algumas ganham mais prioridades.
Eu pareço muito com minha mãe nessa questão, sinto que sou meio “manipulador”. Gosto bastante das coisas do meu jeito. Um dia eu vou precisar mudar isso, mas enquanto isso vou curtindo meu espírito independente e criativo.

6- Projetos futuros?

Pretendo lançar alguns videoclipes do álbum.
Fazer bastante shows, vender camisas e bonés do álbum e me estabelecer na capital.

7- Ser ou não ser, mc?

Não ser MC, ser humano.
Falta humanidade e sobra MC. O ego transborda na cena do Rap Nacional em geral não só aqui no RJ.
Quando as MCs se ligarem que tá todo mundo no mesmo barco e que tem espaço pra geral no cenário musical as coisas vão começar a fluir naturalmente.
Infelizmente o MC, hoje, é uma figura egoísta então a resposta é “não ser”.

*Fabio Emecê é mc, selecta, poeta, professor e garimpador de boas sonoridades com o Urbália

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