Futebol sem campeão

River e Boca deixaram a taça de lado? Por Rafael Alvarenga

Voadora de Nacho no peito de Cardona no último River x Boca – La Nación/Divulgação

Ainda não sabemos quem será o campeão da Libertadores de 2018. No primeiro jogo da decisão Boca Juniors e River Plate empataram por 2 x 2 na Bombonera. E como a partida de volta, no Monumental de Nuñes, foi adiada por duas vezes em razão da violência promovida por bandidos, as duas equipes argentinas jogarão na Espanha, neste domingo às 17:30 na casa do Real Madrid, o estádio Santiago Bernabéu.

A punição deve recair sobre aqueles que promoveram a selvageria. E quem são eles? Faz poucos dias e a polícia argentina encontrou 300 ingressos e uma significativa quantia em dinheiro na casa de Héctor Caverna Godoy, chefe dos Borrachos del Tablón, maior torcida organizada do River. Quem lhes deu os ingressos? O papai Noel?

Pois bem, as organizadas e os diretores dos clubes estão ligados e são coniventes com a Conmebol que engorda a FIFA. E os dirigentes dessas entidades estavam lá Alejandro Dominguéz e Gianni Infantin, respectivamente. E quase apanharam dos vândalos que quebravam tudo, dentro e fora do estádio.

Os cartolas saíram pela porta dos fundos. Mas não sem antes forçar para que o jogo acontecesse, afinal já estava tudo vendido (ingressos, comerciais, cotas de TV). Por isso afirmo que eles também praticam uma bandidagem, contudo como moram nos bastidores tem a cara de pau de negar a declaração do experiente e corajoso Carlitos Tévez que disse “Nos pressionaram para jogar de qualquer jeito”.

Os dirigentes e os bandidos se assemelham assim: não se importam com o jogo de futebol.

Rafael Alvarenga é cronista esportivo, poeta e professor de Filosofia

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