Sobre armamento e diminuição da violência

por Diego Carvalho

Me senti na obrigação de fazer um breve comentário obre a grande proposta de segurança do Jair Messias: o porte de armas. Uma vez que muito se diz sobre o fato, mas, na realidade, pouco se sabe.

Chega a ser engraçado quando falamos sobre o porte de armas e a segurança da população. Parte-se de um ponto muito interessante: o bandido não assaltará o indivíduo, pois o mesmo pode estar armado. A questão toda é que não tem pesquisa alguma para corroborar tal teoria.
Tomemos como exemplo o nosso encarecido vizinho egocêntrico: Estados Unidos da América. Para quem não sabe, o Estados Unidos, não tem legalização de armas em todas as suas “federações” – inclusive, algumas delas tem estatuto para desarmamento. Ok, onde eu quero chegar com isso?
O Worldbank (organização que reúne dados de todos os países) demonstra que a mortalidade nos EUA, por mil pessoas, é de 8,2; ou seja, a cada mil habitantes, oito morrem. Voltando ao nosso país, rapidamente, temos uma taxa de mortalidade de 6,3 pessoas a cada mil; estamos melhores do que nosso vizinho, não?
Chegamos à conclusão de que, no EUA, a mortalidade é mais alta, mas não definimos a mortalidade por “federação”. Pois bem, de acordo com o CDC (Centers of Disease Control and Prevention) os seguintes estados têm a taxa de mortalidade, por mão armada, a cada cem mil habitantes , de 17.7 a 23.3 pessoas; Alaska, Alabama, Arkansas, Louisiana, Mississippi, Missouri, Montana, New Mexico, Oklahoma e South Carolina. Os estados com índice de mortes por mão armada, acima de 17. 7, no EUA, são os mesmos em que a política e a legislação em relação ao armamento são menos rígidas…

Vis-à-vis, o porte de arma não é considerado solução para o problema de segurança pública, mas sim um catalisador para que haja mais violência. Para concluir tudo isso, deixo aqui a citação de um livro acadêmico sobre o porte de armas e a segurança pública – link do livro na bibliografia; vale ressaltar que você será direcionado para o capítulo onde está a citação.

“Os proponentes dessas leis argumentam que os criminosos são dissuadidos pelo conhecimento de que as vítimas em potencial podem estar portando armas e, portanto, que as leis reduzem o crime. No entanto, não é claro a priori que tal dissuasão ocorre.” – Firearms and Violence: A Critical Review.

Repensem.

Diego Carvalho, jovem de dezoito anos, mineiro, é estudante do terceiro ano no curso técnico de hospedagem do Instituto Federal Fluminense, aos quinze anos – quando mudou-se para Búzios –, começou a se interessar e aprofundar o conhecimento sobre ciência política e história. Agora segue recebendo sugestões para que opine e faça divulgação científica de temas contemporâneos.

Bibliografia:

Indice de morte no EUA: https://data.worldbank.org/indicator/SP.DYN.CDRT.IN?end=2016&locations=US&start=1960&view=chart

Índice de morte no Brasil: https://data.worldbank.org/indicator/SP.DYN.CDRT.IN?end=2016&locations=BR&start=1960&view=chart

Morte por mão armada nos EUA: https://www.cdc.gov/nchs/pressroom/sosmap/firearm_mortality/firearm.htm

Mapa da legislação de armas nos EUA: http://handgunlaw.us/
Tabela na Wikipedia em que se resume as normas para o porte: https://en.m.wikipedia.org/wiki/Gun_laws_in_the_United_States_by_state

Link para acesso ao capítulo (referente a citação): https://www.nap.edu/read/10881/chapter/8

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