Máquina de lavar

Não havia qualquer dúvida de que o Campeonato Espanhol de futebol carecia de mais competitividade. Vá lá que Real Madrid e Barcelona valem a audiência contra um mísero Rayo Vallecano, mas faz tempo que os expectadores preferem ver o Campeonato Inglês, muito mais competitivo.

Ora e é nesse Campeonato Espanhol que Ronaldo Fenômeno está se metendo. Entretanto, agora usa as mãos ao invés dos pés. Canetadas no lugar dos chutes. Administra e não faz mais gols. O ex-jogador comprou 51% das ações do Clube Real Valladolid por 30 milhões de euros e agora assumirá o cargo de presidente do conselho administrativo. Contudo parece que não desembolsou tudo sozinho, pois representa os interesses de um grupo de investidores cujo nome permanece em sigilo. Mas, afinal, o que quer Ronaldo? Ou ele não quer nada – além de encher o bolso – e é apenas o testa de ferro desse tal grupo de investidores?

Sei que o futebol pode ser uma máquina de fazer dinheiro. Porém, antes disso, é uma máquina capaz de lavar toneladas de dinheiro de uma vez só. O Real Valladolid não se transformará numa potência a altura de Real Madrid e Barcelona. Tampouco será favorito na Champions ou contratará CR7.

O que está em jogo nessa negociação não é futebol. E Ronaldo com aquela cara inchada de quem acabou de ser tirado da ciesta mal sabe que não demora e será o nome dele denunciado num esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

Ronaldo é um vigarista! Se tivesse amor pelo futebol salvava o São Cristóvão, clube que o revelou e que hoje tem um campo sem grama.


Rafael Alvarenga é professor e cronista esportivo

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