Por trás da Copa do Brasil

Com a maior premiação financeira das disputas futebolescas na América latina a Copa do Brasil se transformou na menina dos olhos de todos os clubes. Ao todo a CBF distribuirá R$ 278,3 milhões aos 91 participantes. Um aumento significativo já que em 2017 a premiação total foi de R$ 63,7 milhões.

Mas de onde vem esse dinheiro? Não pensemos que a CBF está sangrando a poupança do Marin. A entidade anunciou que houve renegociação das cotas de TV do torneio com o Grupo GLOBO, entretanto não revelou os valores exatos ainda.

Daqui sinto um cheiro ruim. Mas não creio que seja apenas odor. Acredito haver aí um protótipo de reestruturação do futebol tupiniquim. A valorização da Copa do Brasil, penso, desembocará no fim dos Estaduais. Como exemplo, há a situação do Madureira-RJ que para jogar a primeira fase da competição embolsará R$ 500 mil. E na medida em que for passando de fase vai garantindo a sobrevivência, ou seja, manter a folha salarial de R$ 300 mil mensal.

O Grupo GLOBO distribuiu ao Madureira, a título de cota de TV, R$ 5 milhões pelo Campeonato Carioca que cada vez tem menos audiência. É claro que a TV não aumentou o investimento com a Copa do Brasil para continuar tendo gasto com um Estadual morto.

No entanto, como fazer para que um clube como o Madureira não morra junto do Campeonato Estadual? Aumentando a renda desse clube com a participação na Copa do Brasil. Que será como a antiga Taça Brasil com 1200 clubes.

Não pensemos, portanto, que a CBF e o Grupo GLOBO darão ponto sem nó. Na verdade estão enxugando gastos e lucrando mais. E no frigir dos ovos dirão que é a crise. Afinal, os poderosos adoram uma crise. Ela explica tudo.


Rafael Alvarenga é professor e cronista esportivo

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