Enxugando o gelo até hoje

O disco era vendido nas bancas de jornal

Lembro da expectativa de conseguir o disco do B.negão via banca de jornal, cuja proposta era democratizar o acesso a música independente no País e assim que consegui o cd, ouvia-o sem parar e depois com acesso a internet, baixa-lo pra se ter o acervo infinito de mp3.

B.negão, um mc que se aventura em n estilos da música preta, é daqueles que se mantém longevos, depois de muito tempo de estrada. Optou por um caminho estético particular e até hoje é ouvido, admirado e com um público cativo.

Tive a oportunidade de assisto-lo na turnê de 15 anos do disco “Enxugando o Gelo” em Macaé, em que se toca todas as faixas do disco, em ordem da bolacha e você assim: “Caramba!” A banda seletores de frequência tem uma incorporação sonora típica de cair o queixo, não deixando a peteca cair ao longo de uma hora e meia de show.

Cantar as músicas do disco foi maravilhoso, só que existe outros detalhes que podemos dar nota: B.Negão junto com Mc Paulão, bastante a vontade no palco. A textura sonora da banda, mantendo o peso digno das bandas de soul/funk da década de 70 e euforia do público, vibrando do começo ao fim com os sons.

“Enxugando o gelo”, “O opositor”, “Dança do Patinho”, “O Processo é lento” e “Prioridades” foram as minhas preferidas, além da participação de alguns mcs da cena macaense, com um improviso preciso e empolgante.

Lembro, nos meados de 2006, de estar procurando artistas que respondessem melhor a minha busca estética no rap, pois não me identificava, do ponto de vista musical, muito com o raps mais duros da época, inclusive com discussões acaloradas com os parceiros do momento. Quando o disco do B.Negão saiu, ouvi e pensei: “É Isso”. Pois bem, B.Negão tem um disco e histórico e eu sigo minha linha, muito graças a insistência e persistência de artistas como ele.

A música é arma, é poder, é escala… “prioridade as prioridades…”


Type Belial na Urbália

Fábio Emecê é professor, rapper e ativista. Escreve sobre música aqui no Prensa

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