No 8 de março, mulheres de Rio das Ostras preparam ações de reivindicação

No ato haverá rodas de conversa e debate, apresentações de teatro e musicais, além de espaço para crianças e microfone aberto para reivindicações e recitais de poesia.

No próximo 8 de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, mulheres de todo o mundo organizam uma greve geral, contra os retrocessos e pela garantia de direitos. Aqui no Brasil esse evento acontece em várias cidades e algumas das principais pautas dos movimentos feministas são a superexploração do trabalho feminino, contra todas as formas de violências contra as mulheres, pela descriminalização do aborto e contra a retirada de direitos das mulheres.

Mas em Rio das Ostras, as mulheres têm pautas específicas e vão se reunir em um evento para colocar em destaque a luta que o dia 8 de março (Dia Internacional das Mulheres) representa.

Através de um evento na rede social diversas mulheres estão combinando de se reunir na praça atrás do Posto de Saúde do bairro Âncora, em Rio das Ostras. O local fica na esquina da Rua das Camélias, com a Rua das Orquídeas.

No local haverá rodas de conversa e debate, apresentações de teatro e musicais, além de espaço para crianças e microfone aberto para reivindicações e recitais de poesia. O ato acontece a partir das 16h. Veja o link do evento.

No evento, os organizadores do ato exaltam diversos problemas municipais, como a falta de segurança pública, o grande número de estupros, falta de políticas públicas para mulheres nas áreas de Saúde, Assistência Social, Educação e Segurança. O texto também comenta sobre a redução nas vagas e no período atendido das creches municipais.

Confira o texto na íntegra:

“Rio das Ostras vem sendo chamada de Capital dos Estupros devido ao alto índice de estupros em espaços públicos e privados. Somado à outras formas de violência de gênero, torna a cidade perigosa para nós mulheres e nós não podemos nos calar diante desta realidade!

Nos últimos anos, o descaso do município com essa questão vem aprofundando ainda mais o problema. Faltam Políticas Públicas voltadas para nós mulheres nas áreas de saúde, assistência social, educação e segurança, falta transparência nas ações tomadas e investimentos nesses serviços. Mas o que vemos é indiferença e diminuição do atendimento.

Este ano, por exemplo, as vagas nas Creches Municipais passaram a ser parciais o que não atende as nossas necessidades! Precisamos de creches integrais!

Não temos transporte que nos atenda, com a possível implementação de ônibus na cidade, sofreremos ainda mais, com redução de linhas e rotas e aumento de passagens!
Temos um saneamento precário na cidade, marcado pelo excesso de água nas ruas e falta nas torneiras, ficamos a mercê de doenças e epidemias.

As mulheres pobres, da periferia, negras, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis, ainda sofrem cotidianamente com o peso de serem secundarizadas e terem o direito a seus corpos e suas vidas ignorados.
Esses são apenas alguns exemplos que nos levam a lutar juntas! Precisamos unir forças contra esse sistema que cresce oprimindo e explorando a população! Sobretudo nós mulheres que encaramos dupla, tripla jornada de trabalho, com o serviço de casa e a responsabilidade com os filhos.

Contra a superexploração do nosso trabalho e todas as formas de violências contra as mulheres, pela descriminalização do aborto, contra a LBTfobia, contra a Reforma da Previdência e pelo fim do racismo, convidamos a todas para participar do 8 de Março, dia de Paralisação Internacional das mulheres!

Nós do Movimento Chega de Estupros em Rio das Ostras, Coletivo Construção, SEPE Rio das Ostras/Casimiro de Abreu, DCE UFF Fernando Santa Cruz, Feministas do PSOL Rio das Ostras- RJ, LBL- Liga Brasileira De Lésbicas RJ, Articulação de Mulheres Brasileiras do Rio de Janeiro convocamos todas para construir o 8M em Rio das Ostras! Faremos uma atividade política-cultural na Praça em frente ao Posto de Saúde do Âncora a partir das 16h.

Teremos apresentações musicais, teatro, espaço para as crianças e microfone livre para que possamos falar sobre nosso cotidiano, ler poesias, cantar, etc. Venha e traga suas amigas, vizinhas e colegas de trabalho! Somente unidas conseguiremos resistir e conquistar nossos direitos! “

“Medo do estupro mexe com a nossa vida”, mulheres de Rio das Ostras relatam violência de gênero

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