Sobre o pedido de impeachment de André Granado

O recalcado

Por Sandro Peixoto

sem-tituloA primeira vista pode até parecer uma atitude louvável de um cidadão dedicado que, sabedor de suas responsabilidades resolve, usando a legislação, abrir um processo de impeachment contra o prefeito recém-eleito.

A Lei permite que qualquer cidadão possa protocolar na câmara de vereadores um pedido de afastamento do prefeito. Mas para isso tem que apresentar argumentos sólidos. Não se pode iniciar um processo desses apenas porque se tem inveja do prefeito ou porque o mesmo não se rendeu ao fisiologismo e se encontra com minoria na casa legislativa. Não devemos apenas com argumentos pueris, tentar tomar na “mão grande” um mandato. Aliás, não se deve, mas acontece, como vimos no golpe que apeou a presidente Dilma.

Até o mais cínico dos defensores do afastamento da presidente sabe que se tratou de um golpe. Uma QUADRILHA tomou o poder de assalto para roubar sem punição. É preciso tomar cuidado com essas aventuras antidemocráticas, pois senão cria-se um ambiente favorável para golpes de maioria. Mas é bom lembrar que a legislação que permite que qualquer cidadão ou vereador possa abrir um processo contra um prefeito é a mesma que o protege da ditadura da maioria. Os “cinco furiosos”, como ficou conhecido o grupo que faz oposição radical ao prefeito, podem odiar André Granado, mas devem respeito à Lei a o regimento da câmara.

Marreco se acha muito importante politicamente. O eleitorado buziano, no entanto, não o atura. Candidato a vereador sempre que houve pleito, conseguiu no máximo uma suplência. Quando teve chance de mostrar serviço ao assumir o cargo de vereador por uns dias, se mostrou arrogante e despreparado. Nem os colegas de partido o suportavam. Na política, Marreco sempre foi de falar muito e fazer pouco. Em 2004 gastou 5 mil reais e recebeu 88 votos. Já em 2012, mais conhecido do eleitorado, teve apenas 37 votos. Gastou os mesmos 5 mil reais. Para alguém que se acha tão importante politicamente, receber 37 votos é humilhante.

Quem não se lembra da época em que ele tentou anular a eleição em que seu candidato, Mirinho, acabou vencedor? Insatisfeito com sua derrota nas urnas, Marreco queria melar a eleição mesmo que isso custasse à vitória majoritária. A atitude egocêntrica do candidato derrotado pegou muito mal dentro do grupo político e Marreco foi escanteado. Marreco passou então a andar com uma ‘renca’ de papeis debaixo do braço. Aos curiosos Marreco informava: são processos contra o prefeito Mirinho Braga. E saia com ares de advogado, mas sua sombra revelava que se tratava apenas de um rábula.

Marreco se arvora conhecer a constituição de cabo a rabo. Gosta de citar artigos e parágrafos da Carta Magna tal qual um pastor repete salmos e provérbios bíblicos. Marreco se acha diferenciado porque decorou algumas leis. Ele pode até parecer inteligente para os mais débeis. Isso não diz muita coisa afinal em terra de cego, quem tem um olho é no máximo caolho.

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Entenda o Caso 

O Legislativo buziano acaba de receber um pedido de impeachment protocolado pelo ex-vereador Manoel Eduardo da Silva. Para justificar a intenção, Marreco, como é conhecido, acusa Granado de usar bens públicos com fins particulares e eleitorais. Ligado ao PDT do ex-prefeito e candidato derrotado na última eleição Mirinho Braga, Marreco nega que o pedido de afastamento tenha motivação política. O antigo parlamentar afirma ainda que tem provas documentais das irregularidades

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